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ELEIÇÃO DE TRUMP BALANÇA MERCADOS EMERGENTES Por Rodrigo Costa*

A volatilidade dos mercados foi alta já na madrugada da última quarta-feira com o índice futuro do S&P caindo 5% para então recuperar e fechar em alta de quase 2% no mesmo dia.

 

postado em 13/11/2016 | Há 4 meses

MERCADO DE CAFÉ – COMENTÁRIO SEMANAL – DE 7 A 11 DE NOVEMBRO DE 2016*

Hillary Clinton subestimou o cansaço da população em ver velhos políticos dominando a cena e perdeu para, o hoje republicano Donald John Trump, as eleições dos Estados Unidos. Em um sistema onde o colégio eleitoral de cada estado destina todos os seus votos para apenas um candidato, segundo a votação popular, Trump venceu – muito embora na soma dos votos individuais em todo o país, independentemente de cada estado, a democrata ficou na frente em 573,650 votos.

A volatilidade dos mercados foi alta já na madrugada da última quarta-feira com o índice futuro do S&P caindo 5% para então recuperar e fechar em alta de quase 2% no mesmo dia. O motivo é que o 45º presidente americano defende o corte de impostos (aos mais ricos), menor regulamentação bancária para estimular o emprego (e por tabela estimulará a tomada de risco) e investimentos em infraestrutura que embora possa aumentar o rombo orçamentário e ser problemático no longo-prazo (que para ele pouco importa já que aos 70 anos só deve ficar na Casa Branca por quatro anos), no curto-prazo deve promover o crescimento do PIB.

Neste cenário (hipotético) e graças ao um tom conciliador de Trump no seu discurso de vitória o índice Dow Jones fez uma nova alta histórica – impressiona a velocidade que os investidores mudam de opinião e de posições, não é?! O efeito colateral foi a queda forte dos títulos da dívida das principais economias, já que para controlar o potencial inflacionário o FED deve não apenas aumentar os juros em Dezembro como ter novos ajustes em 2017, diminuindo a atratividade, por exemplo, de manter dinheiro no Brasil com a diminuição do spread de juros.

O Real brasileiro saiu de 3.17 na terça-feira para 3.50 na sexta-feira forçando o Banco Central a intervir e “acalmar” as cotações para 3.40. O café que tentava não cair muito com a tomada de lucro dos fundos acabou não aguentando e depois de negociar a US$ 176.00 centavos por libra encerrou a semana a US$ 159.45 centavos, liderando as perdas entre os componentes do CRB. As commodities com um todo sofreram perdas entre a troca de investimentos que beneficiou o mercado acionário.

O volume negociado em Nova Iorque nos últimos cinco dias foi de 446,239 contratos, ou o equivalente a 126.5 milhões de sacas – e um mundo que produz 152 milhões de sacas. Os fundos que estavam comprados conseguiram atrair recompra de posições de alguns agentes e provavelmente compra da indústria torrefadora, o que só poderemos comprovar (ou não) no relatório do Commitments da próxima segunda-feira, pois sexta-feira foi feriado público por aqui (dia dos veteranos de guerra dos EUA).

As origens que estão colhendo café, como a Colômbia e a América Central, aproveitaram para comercializar seus grãos, muito embora comentasse que Honduras foi menos agressiva apostando na continuação da alta do terminal. No Brasil o físico também foi ativo ajudando exportadores e cooperativas a garantir ainda mais a cobertura do basis a espera de uma demanda maior nos próximos meses.

As exportações brasileiras em outubro totalizaram 3.22 milhões de sacas, acumulando 11.27 milhões em quatro meses, abaixo das 12.5 milhões do mesmo período em 2015. A ABIC divulgou o consumo brasileiro que em doze meses até outubro está em 21.2 milhões de sacas, 3.4% acima do ano anterior. É claro que o país não manterá o ritmo dos embarques por muito tempo, a não ser que a safra ou o estoque de passagem tenham sido maior.

As importações americanas (líquidas) em setembro foram de 2,263 milhões de sacas, 5.28% acima de agosto e 5.71% a mais do que em setembro de 2015. Em doze meses o país importou 25,6 milhões de sacas um aumento de 6.79%.

O fechamento na semana foi negativo para os preços apontando tecnicamente para mais quedas, embora deva haver um bom interesse de compra daqueles que conseguiram não se desesperar e correr para comprar futuros nos últimos dias. O apetite de compra dos fundos fica comprometido no curto-prazo e como característica destes operadores eventualmente pode torná-los vendedores. Parece improvável, entretanto que os especuladores desmontem rapidamente os mais de 60 mil lotes comprados que tem, o que provavelmente deve fazer com que Nova Iorque fique dentro do intervalo entre 145 e 170 centavos por algum tempo – assumindo que a moeda brasileira não deprecie muito mais do nível de R$ 3.50.

Uma ótima semana e bons negócios a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
 

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