Consumo

Capacitação como Q-Grader exige investimento alto

Para um curso voltado à obtenção da certificação internacional, são necessários cafés internacionais de alto valor.

 

postado em 26/09/2016 | Há 10 meses

Luciane Evans / Estado de Minas

Torna-se um Q-Grader não é tarefa fácil, como pode parecer. O Brasil oferece poucas oportunidades  de formação voltada aos exames necessários para conquista do certificado profissional. Uma das referências no ramo profissional é a Universidade Federal de Lavras (Ufla), que, por causa da demanda crescente, fará no ano que vem um cronograma fixo voltado para a área. A universidade também deseja aplicar a avaliação para Q-Grader, para qual é necessário laboratório específico. De acordo com a instituição, 80% da estrutura exigida estão prontos. Em Belo Horizonte, a Academia do Café tem certificação para aplicar o teste.

Segundo Rosemary Gualberto Alvarenga Pereira, coordenadora do polo de qualidade do café da Ufla, antigamente esse profissional era raríssimo no país. “Com o crescimento dos cafés especiais, o que incentivou os produtores a melhorar a qualidade dos seus produtos, houve um interesse grande por esse trabalhador”, comenta. Ela diz que, por causa disso, a universidade oferece cursos de treinamento para quem quer o certificado internacional e também para os produtores do grão, de forma que eles se aprofundassem no assunto.

“O Q-Grader vai muito além de um degustador normal. Ele tem que reconhecer sabor, aroma, intensidade, reconhecer se a bebida é cítrica, exótica entre outras.” Rosemary é Q-Grader e diz não ser fácil a obtenção do título. “E há uma demanda grande para o treinamento, por isso, a Ufla faz as capacitações, tanto para quem já é um degustador quanto para quem está começando.” Ela revela que para ministrar os cursos, os professores concluíram doutorados em várias áreas do setor cafeeiro. Rosemary é doutora em colheita e pós-colheita.

“O salário desse profissional vai depender de onde ele atua. Em uma empresa, por exemplo, como gerente de qualidade, ele não ganha menos de R$ 4 mil”, diz. Aquele que ganha cerca de R$ 30 mil, segundo ela, é o Q-Grader voltado para a exportação e conhecedor do mercado internacional.

“Quando trabalha no campo, acompanha tudo. E atua como um gestor de qualidade, visando a sustentabilidade da fazenda. Não adianta conseguir uma pontuação de 80 pontos em um ano e não conseguir no outro. Por isso, é uma atuação constante.”

Para um curso voltado à obtenção da certificação internacional, são necessários cafés internacionais de alto valor. Por isso, é cobrado um preço mais “salgado” do aluno. “Há três anos, um curso que fiz custou R$ 4,5 mil”, exemplifica Rosemary.

As instituições habilitadas na aplicação do exame internacional dispõem de um laboratório com várias especificidades, como luminosidade, filtro de água, entre outros. “O credenciamento para que a Ufla possa aplicar a prova é a nossa meta de 2017”, afirma.

Estrela da plantação

Num ano de ciclo alto da produção cafeeira, a terceira estimativa da safra de café 2016, divulgada na semana passada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta para um volume total 14,8% maior que o colhido em 2015. Maior produtor nacional, Minas Gerais deve obter safra 29,74% superior. O estudo prevê que o país deverá colher 49,64 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado. Em 2015, foram colhidos 43,24 milhões de sacas. A produção de café mineiro está estimada em 28,94 milhões de sacas na safra 2016, sendo 28,62 milhões de café arábica e 318 mil sacas de café conilon. A produtividade média do estado está calculada em 28,69 sacas por hectare, resultado 24,65% melhor que o obtido na safra 2015.

Leia a íntegra da notícia no site Estado de Minas

 

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