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Alergia, sensibilidade e intolerância alimentar: qual a diferença?

Segundo a especialista, o primeiro passo é entender como funciona cada organismo já que um mesmo alimento nunca atua de maneira igual em todas as pessoas.

 

postado em 30/06/2016 | Há 11 meses

Especialista orienta a identificar os sintomas
 
Você sabe reconhecer quando está diante de um quadro de alergia, intolerância ou sensibilidade alimentar? De acordo com Mariana Nacarato, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados, a principal diferença está no tipo de resposta desencadeada pelo nosso corpo.

Segundo a especialista, o primeiro passo é entender como funciona cada organismo já que um mesmo alimento nunca atua de maneira igual em todas as pessoas. “Se há algum desconforto após as refeições, é essencial observar os sintomas e procurar um médico antes de começar dietas restritivas sem diagnóstico comprovado”, diz.

A nutricionista explica as diferenças entre as três disfunções:

Alergia – a resposta do corpo é imediata e está associada com a produção de uma classe específica de anticorpos e ativação do sistema imunológico para combater componentes considerados “estranhos”.

As manifestações clínicas mais comuns aparecem na pele (urticária, inchaço, coceira, eczema) ou estão relacionadas ao sistema respiratório (tosse, rouquidão e chiado no peito) e ao sistema gastrointestinal (diarreia, dor abdominal, vômitos e, algumas vezes, sangue nas fezes). Manifestações mais intensas em vários órgãos simultaneamente, como reação anafilática, são mais raras, mas também podem ocorrer.

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, estima-se que as reações alimentares de causas alérgicas verdadeiras atingem de 6 a 8% das crianças com menos de três anos de idade e de 2 a 3% dos adultos. Fatores como predisposição genética, alterações no intestino e potência antigênica de alguns alimentos – produtos que contém elementos considerados potencialmente alergênicos, como trigo, centeio, cevada, aveia, crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite, entre outros – têm importante papel para o desenvolvimento de alergias. De todo modo, existem tratamentos, principalmente em relação ao trato gastrointestinal, que impedem esta condição.

Se a alergia for considerada leve, é possível ingerir o alimento que causa a reação em quantidades moderadas, depois de tomar as devidas medicações indicadas pelo médico. Além disso, nos casos onde é necessário restringir o consumo de alguns alimentos, é recomendado o acompanhamento de um nutricionista, para evitar o possível desenvolvimento deficiências nutricionais que levam a outras decorrências, como queda de cabelo, unhas fracas, problemas na pele e dificuldades de cicatrização.

Sensibilidade - é uma reação menos severa do organismo a determinado alimento e pode acontecer até 72 horas após o consumo.

É o termo usado para designar um conjunto de sintomas – como dores abdominais, inchaço e hábito intestinal alterado, fadiga, dor de cabeça, dor nos ossos e articulações, distúrbios do humor e algumas manifestações da pele como eczema – que vem sendo relatado por um número crescente de pessoas.

Diagnosticar a sensibilidade não é fácil, pois não existem critérios confiáveis, especialmente pela falta de biomarcadores que denunciem a doença. Por isso, um método usado pelos especialistas em saúde e nutrição é testar um cardápio diário sem os alimentos que podem causar este mal-estar para ver se os sintomas regridem. Em caso positivo, esses nutrientes são reintroduzidos para checar se os sinais retornam. Quando a sensibilidade é confirmada, o tratamento consiste em uma dieta com quantidade reduzida do alimento, mas sob orientação médica para repor vitaminas e minerais não encontrados nestes produtos.

Intolerância - os sinais surgem geralmente duas a três horas depois da ingestão do alimento. Ocorre quando o organismo não possui enzimas capazes de absorver os açúcares ingeridos. O açúcar permanece retido e acumulado no estômago, provocando inúmeros desconfortos como cólicas, enxaqueca, urticária, eczema, tontura, náuseas, aftas, prisão de ventre, arritmia cardíaca, conjuntivite, obesidade, fadiga, inchaço pelo corpo, dores abdominais, diarreia, entre outras reações.

As principais substâncias que provocam intolerância nas pessoas são a lactose, galactose, glúten, crustáceos, chocolate e alimentos com conservantes e corantes em geral.  Comer com equilíbrio e rever hábitos alimentares são as melhores maneiras para diminuir os desconfortos.

A nutricionista explica que os tratamentos médicos para estas três disfunções variam de acordo com cada pessoa e o tipo de sintoma relatado. “Na maioria dos casos são realizadas análises de sangue e/ou testes alérgicos na pele para identificar a origem do problema. Em casos extremos, a retirada total do alimento da dieta é a solução”, diz.

 

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