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NOVO INTERVALO NÃO SIGNIFICA DIREÇÃO ÚNICA Por Rodrigo Costa*

Os investidores parecem mais céticos sobre novas injeções de capitais nos mercados e com um approach mais cauteloso levaram as principais bolsas de ações para baixo na última semana.

 

postado em 19/06/2016 | Há 8 meses

MERCADO DE CAFÉ – COMENTÁRIO SEMANAL – DE 13 A 17 DE JUNHO DE 2016*

O Banco Central dos Estados Unidos manteve a taxa de juros inalterada e cinco outros delegados do FOMC (equivalente ao COPOM brasileiro) indicaram que apenas um incremento do custo do dinheiro deve acontecer em 2016.

Os investidores parecem mais céticos sobre novas injeções de capitais nos mercados e com um approach mais cauteloso levaram as principais bolsas de ações para baixo na última semana.

O desempenho das commodities foi positivo com a recuperação na sexta-feira provocada pela nova desvalorização da moeda americana – o índice do dólar sofreu um tombo depois de novas pesquisas colocando em xeque a saída do Reino Unido da União Européia.

O café em Nova Iorque mostrou aos baixistas que apostar em uma queda repentina depois do risco de geada ter dissipado pode não trazer um ganho tão rápido como muitos estavam acostumados. A necessidade de avaliar o volume perdido em qualidade após as chuvas durante a “primeira-parte” da colheita aliada a uma postura de venda dos produtores cautelosa, deixou os futuros com uma resistência insuficiente para brecar o ímpeto comprador dos especuladores.

O fluxo de dinheiro entrando nas commodities beneficia os altistas no café, justamente em um momento aonde a “garantida” safra abundante de qualidade do arábica está diminuindo em volume. Um exemplo é o potencial número de sacas que poderiam ser certificadas contra o contrato “C”, esperadas em certo ponto atingir 500 mil sacas. As chuvas aceleraram a maturação das cerejas no pé e causaram quedas de frutos que não apenas não permitirão a produção de semi-washed, como também já causaram perdas dos fine-cups em até 5 milhões de sacas segundo alguns analistas (a perda aqui não é café que não será colhido e sim grãos que estourarão xícaras riadas ou piores).

As precipitações também atrasaram a colheita, de forma que ainda que o terminal permita aos produtores venderem seus cafés aos atrativos R$ 500.00 a saca ou mais, os mesmos estão ocupados preparando os cafés vendidos à termo anteriormente e ao mesmo tempo os produtores precisam ter uma melhor idéia do tipo/qualidade de grão que terão disponíveis para comercializar.

Nos outros países produtores a disponibilidade é limitada, portanto os fundos que estão animados com as matérias-primas, classe de investimento com um dos melhores retornos até agora no ano, assustam os agentes que acompanham uma normalização do clima e o frio ameno nas próximas duas semanas.

O relatório de posicionamento dos comitentes, o COT, divulgado na sexta-feira, apontou uma posição líquida-comprada dos fundos em 20 mil contratos, o maior nível desde o começo de 2015. Os comerciais diminuíram o bruto-comprado em 10 mil lotes, enquanto a parte vendida aumentou 6,220 lotes – fixação de origem. Eu imagino que os fundos já têm ao redor de 27 mil lotes long e com o progresso da colheita no Brasil as chances são grandes em atrair mais vendas com novas altas do terminal.

Tecnicamente o contrato “C” precisa se manter acima de US$ 147.65 na semana que se inicia, dada a forte inclinação do movimento de alta recente. Sem evento climático só mesmo um apetite ainda mais agressivo dos especuladores e um fortalecimento acentuado do Real podem ajudar.

Desta forma quem precisa vender café deve aproveitar a oportunidade, pois ainda que Nova Iorque tenha alterado o intervalo de negociação dos preços, é de se esperar ajustes de posições provocando uma volatilidade grande e uma queda significativa em uma realização de lucro dos especuladores.

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Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
 

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