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Mais uniformidade na formação do cafezal Por José Braz Matiello

A lavoura de café é como uma criança. Ela deve ser bem formada, desde o início, para que possa crescer e se desenvolver bem, com uma boa estrutura, visando alcançar as melhores condições para ser produtiva durante a sua vida.

 

postado em 22/04/2016 | Há 1 ano

José Braz Matiello

Mais uniformidade na formação do cafezal Por José Braz Matiello

 

Por José Braz Matiello – engenheiro agrônomo da Fundação Procafé e J.R. Dias, Lucas Franco e Alexandre M.M. Belchior Ribeiro - engenheiros agrônomos das Fazendas Sertãozinho e M.L. Carvalho- engenheiros agrônomos das Fazendas Reunidas LeS


A lavoura de café é como uma criança. Ela deve ser bem formada, desde o início, para que possa crescer e se desenvolver bem, com uma boa estrutura, visando alcançar as melhores condições para ser produtiva durante a sua vida.

Na formação do cafezal deve-se buscar, desde o começo, a uniformidade das plantas, evitando o seu desenvolvimento desigualado, com a presença de plantas fracas ou falhas na futura lavoura. As plantas que ficam pra trás vão representar perda do stand, um fator importante na produtividade da área.

Algumas práticas são essenciais com o objetivo de alcançar um cafezal igualado e produtivo. Deve-se começar com mudas boas, que possuam distribuição adequada em sua razão parte aérea/sistema radicular. Elas devem ir ao campo em bom tamanho, com 3-6 pares de folhas, previamente selecionadas, eliminando-se os refugos. Elas precisam ir bem aclimatadas ou amadurecidas através da indução hormonal, por triazóis específicos, que seguram, ligeiramente, o desenvolvimento da parte aérea e aumentam o sistema radicular fino das mudas. Olho na seleção das mudas, que vão do viveiro para o campo. Mudas fracas, fininhas, “mirradas” ou ficam lá sendo recuperadas ou vão para o lixo. Uma vez plantadas dão duplo trabalho. Um ao serem plantadas e outro na sua replanta.

O plantio deve ser feito em sulco/cova bem preparado e pouco compactado, para maior firmeza da muda. O plantio ligeiramente fundo, a uns 10 cm, vai garantir maior suprimento de água, mais sombra e menor temperatura junto ao solo, próximo à planta, o que vai favorecer o seu pegamento. Depois de colocar a muda na coveta, ela deve receber um aperto lateral da terra, para sua firmeza e para, também, facilitar o fluxo de umidade até às raízes dela.

Depois do plantio três cuidados essenciais devem ser adotados, com todo o empenho do cafeicultor. Primeiro não economizar no suprimento de água. Quando a chuva faltar deve-se fazer molhações de socorro. Qualquer gasto a mais com isso sempre é muito menos do que o trabalho de replantar, com seus gastos e da perda do tempo e da desigualdade que vai causar na formação da lavoura. Segundo, deve-se replantar o mais rapidamente, tão logo se constate as falhas. Terceiro, evitar o mato junto às plantas jovens. A linha, numa faixa crescente com o tempo e, quando necessário, até a rua, deve ficar sem concorrência das ervas. Hoje em dia, felizmente, existem herbicidas seletivos ao cafeeiro, que facilitam o trabalho, sem aquele serviço de capina com enxada, que, frequentemente, leva ao ferimento das mudas. Outros métodos de limpeza também são adequados, sendo o importante que as mudas não sofram com o mato.

Finalmente, uma polêmica que sempre volta: será que é melhor plantar mudas grandes ou mudas menores? Nossa consideração, sobre esse assunto, é que, logicamente, ao plantar, na mesma época, uma muda grande, ao lado de outra pequena, a maior tende a sair na frente, afinal é mais velha. No entanto, se a mesma muda, em formação, for plantada mais cedo, ela, com certeza, terá melhores condições de se adaptar ao campo, do que aquela que vai mais tardiamente.

Vejamos que, teoricamente, todos concordam que a melhor muda seria aquela que nascesse, desde a semente, lá no campo, pois suas raízes seriam mais bem estruturadas, não teria sua parte aérea com crescimento forçado, não cresceria espremida entre as demais no viveiro, podendo estar mais cedo, lá no campo, com caule mais grosso e mais ambientada. Ao se concordar com essa premissa, a maneira mais próxima, do que essa, que nos ensina a natureza, seria levar ao campo uma muda menor, como se indica atualmente. Não o que alguns defendem, quase um retorno ao passado, quando se plantavam mudas de café, tiradas da mata, já quase produzindo frutos. As mudas maiores são as indicadas para o replantio, quando efetuado mais tarde.



 

Foto: Procafé

Foto: Procafé
Mudas fracas (assinaladas), tipo refugo, não devem ser plantadas. Só depois de sua recuperação no viveiro, pois são um fator de aumento no replantio e de desigualdade na lavoura. 

Foto: Procafé

Foto: Procafé
Mudas de tamanho ideal para plantio, com seis pares de folhas, amadurecidas e amareladas, por efeito da aplicação de Triadimenol (no Premier Plus, a 1,5 ml por 100 mudas, via rega). Detalhe do plantio um pouco fundo, para facilitar molhação e pegamento. 



Foto: Procafé
Tanque fazendo molhação de socorro para evitar perda de mudas no pós-plantio. 


Foto: Procafé

Foto: Procafé
A aplicação de herbicidas seletivos nos cafeeiros novos facilita o controle do mato, especialmente junto à linha de cafeeiros (na foto apl. de Select mais Clorimuron) 


Foto: Procafé
Lavoura com falhas representa menor stand de plantas por área, mais trabalho pra controlar o mato nas linhas, maior desuniformidade da lavoura e perda na produtividade futura.
 

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