Tecnologias

Pesquisa desenvove novas embalagens para café verde

No setor cafeeiro, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que é a responsável pelo Brazilian Specialty and Sustainable Coffees, foi procurada para analisar o cenário das embalagens destinadas aos grãos crus.

 

postado em 13/04/2016 | Há 2 anos

Pesquisa desenvove novas embalagens para café verde

Em 2013, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) deu início ao desenvolvimento do Design Embala, programa que foca a qualificação das embalagens dos produtos para exportação das empresas que participam de seus projetos setoriais. No setor cafeeiro, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que é a responsável pelo Brazilian Specialty and Sustainable Coffees, foi procurada para analisar o cenário das embalagens destinadas aos grãos crus.

As empresas Klabin e Videplast demonstraram interesse pela iniciativa e iniciaram trabalhos para desenvolver invólucros mais sustentáveis para o armazenamento dos cafés especiais do Brasil. A BSCA fez contato, também, com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), com quem firmou parceria para a realização da inédita pesquisa “Desenvolvimento de Embalagens e Métodos de Armazenamentos para Cafés Especiais”, cujos trabalhos foram conduzidos pelo professor do Departamento de Engenharia, Flávio Meira Borém, e que contou com a parceria de Klabin, Videplast e das empresas de cafés especiais Bourbon Specialty Coffees e Carmocoffees.

Os estudos, que buscaram invólucros que preservassem atributos e qualidade dos cafés crus por mais tempo e alternativas economicamente viáveis para cafeicultores e compradores, contou com o fornecimento de cafés especiais por parte da Bourbon e da Carmocoffees. A Videplast e a Klabin desenvolveram tecnologias para a elaboração de sacas com novos materiais experimentais, os quais foram confrontados com as tradicionais embalagens de juta e também com as a vácuo, que têm melhor desempenho na preservação dos atributos sensoriais dos cafés armazenados, porém custos elevados.

Para efeito comparativo, os cafés foram armazenados em seis embalagens compostas por novas e diferentes soluções tecnológicas: (i) papel multifoliado; (ii) papel multifoliado + barreira a vapor d’água; (iii) papel multifoliado + alta barreira; (iv) papel multifoliado + alta barreira + barreira contra condensação de umidade; (v) papel multifoliado + alta barreira + barreira contra condensação de umidade + injeção de CO2; e (vi) plástico alta barreira.

Após um período de 12 meses, com verificações trimestrais por meio de avaliações sensoriais, realizadas por um grupo de degustadores em prova cega, embasadas em um mesmo modelo estatístico de análise dos cafés especiais, destacaram-se - entre todas as amostras (incluindo lotes que foram exportados aos Estados Unidos depois de três meses armazenados no Brasil) - as embalagens elaboradas com papel multifoliado + alta barreira + barreira contra condensação de umidade e com sacos de plástico de alta barreira. Essas foram as duas opções que melhor conservaram a qualidade sensorial do café, apresentando o mesmo potencial de preservação das embalagens a vácuo.

Esse fator representa vantagens econômicas, uma vez que as tecnologias que se equivaleram ao vácuo na preservação sensorial do produto possuem estimativa de custos dez vezes menor. Por outro lado, houve uma drástica redução na qualidade sensorial do café acondicionado nas tradicionais sacas de juta, que apresentaram redução em qualidade de bebida que chega a até menos 10 pontos na escala de avaliação e, consequentemente, implica desvantagem econômica.

Conforme o professor Borém, coordenador das pesquisas, as novas embalagens serão vitais ao mercado de cafés especiais, pois os recipientes historicamente utilizados não atendem às necessidades do setor por apresentarem pouca eficácia na preservação dos atributos dos grãos ou por terem custos muito elevados. “Embalagens permeáveis às trocas gasosas ou às trocas de umidade permitem impacto na qualidade do café, em um período curto, por causa da interação que possibilitam com o ambiente de armazenamento, resultando na degradação dos compostos químicos e, consequentemente, nos atributos sensoriais como sabor, doçura, acidez e corpo”, destaca.

A diretora da BSCA e gerente do projeto setorial desenvolvido em parceria com a Apex-Brasil, Vanusia Nogueira, acredita que o mundo se deparará com a evolução das atuais sacas feitas de juta. “São recipientes elaborados através da combinação de papel e sacos multicamadas de plástico que permitirão a preservação de todos os atributos físicos e sensoriais, das qualidades originais do café, por um período mais longo de armazenamento”, comenta.

O passo definitivo desse trabalho ocorreu em março de 2016, quando o reitor da Universidade Federal de Lavras, Dr. José Roberto Soares Scolforo, assinou a Portaria nº 215, que autoriza o uso da logomarca da instituição de ensino, juntamente com a da BSCA, nas embalagens referentes ao convênio celebrado entre Associação, UFLA, Klabin, Videplast e Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural (FUNDECC), possibilitando, dessa maneira, a comercialização dos produtos elaborados a partir do resultado da pesquisa.

Vanusia destaca que as embalagens aprovadas nas pesquisas serão comercializadas com as logomarcas da UFLA e da BSCA para evidenciar quais são os invólucros que passaram pelos testes e estão aptos a preservar a melhor qualidade dos cafés por um intervalo mais longo. Além disso, a diretora da BSCA diz que o processo de estudos e evolução dos recipientes terá continuidade. “A partir da colocação das logomarcas, 1% do valor de comercialização destas embalagens será depositado em um fundo destinado a outras pesquisas de qualidade”, conclui.

Fonte: Assessoria de Imprensa BSCA (Por Paulo André Colucci Kawasaki)

 

Veja tambÉm: