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Perdas graves na produção de café conilon no Espírito Santo Por José Braz Matiello

A safra de 2016 de café conilon no estado do Espírito Santo deve sofrer perdas significativas, em função da forte estiagem na região Norte do Estado.

 

postado em 05/03/2016 | Há 1 ano

Fundação Procafé

Perdas graves na produção de café conilon no Espírito Santo Por José Braz Matiello
Por José Braz Matiello, A.J. Paulino, S.R. da Almeida, J.E. P. Paiva e Iran B. Ferreira – engenheiros agrônomos da Fundação Procafé

A safra de 2016 de café conilon no estado do Espírito Santo deve sofrer perdas significativas, em função da forte estiagem na região Norte do Estado. Acontece que a Conab e o IBGE divulgaram, recentemente, uma previsão de safra, na qual apresentam um acréscimo na safra de café conilon atual, a ser colhida, em relação àquela do ano passado.

Visitando a região, para observar o estado vegetativo/produtivo das lavouras, tomando a opinião de produtores e suas representações e analisando os dados climáticos, foi possível concluir que, muito provavelmente, as previsões efetuadas estão desajustadas da realidade. Ou a safra de 2015 foi subestimada ou a atual está superestimada.

Lavoura de conilon de sequeiro no Norte do ES, altamente prejudicada pela seca. Janeiro de 2016


Talvez a imprecisão seja decorrente da estimativa ter sido efetuada com base em trabalho de campo realizado cedo, em novembro de 2015, quando, de fato, havia potencial nas lavouras. Porém, a ausência de chuvas, em seguida, e, ainda, a falta de água para irrigação, não possibilitaram a expressão do potencial produtivo das lavouras.

Ao verificar os dados de chuvas, no ciclo 2015/2016, em localidade representativa da região de cultivo de conilon, conforme quadro aqui incluído, verifica-se que, apesar do cafeeiro conilon ser mais resistente à seca, a carência de chuvas foi muito severa. Considerando a baixa altitude das áreas de conilon, na faixa média inferior a 150 m, a evapotranspiração média, no período de setembro a fevereiro (período quente) seria ao redor de 5 mm ao dia, resultando numa evapo total, de 900 mm, contra uma chuva total de 272 mm, portanto com déficit hídrico de mais de 600 mm, o que é extremamente grave, pois coincide na época de crescimento da planta e de sua frutificação. Pode haver algumas áreas que choveu um pouco mais mas, no geral, a chuva pouca atingiu toda a região cafeeira de conilon.

Mesmo com irrigação, a pouca água deixou as plantas fracas, amareladas e com pouca carga.  

Assim, no campo foi possível verificar plantas pouco desenvolvidas, folhas pequenas, ramos com sinais de abortamento de botões/flores/chumbinhos, frutos pequenos, frutos chochos, frutos amarelados e secos. A condição de seca também facilitou o ataque da cochonilha de frutos, associando mais prejuízos.

As perdas devem ocorrer mesmo em áreas com irrigação, pois essa prática não pode ser executada em condições adequadas, pela pouca água disponível, na maioria das propriedades.

Deste modo, nova estimativa precisa ser realizada, agora com a possibilidade de avaliar a situação mais real da safra de café conilon, a ser colhida em 2016, já adiantando que a falta de chuvas está prejudicando, através do menor desenvolvimento das plantas, também a safra a ser colhida em 2017. 

Quadro – Chuvas verificadas em Colatina, município no Norte do estado do Espirito Santo, no ciclo 2015/2016, de setembro de 2015 a fevereiro de 2016- Dados de estação do Incaper.

 

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