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PROCAFÉ: Fusariose em Cafeeiros, combinada com lagartas no tronco

 

postado em 17/12/2015 | Há 2 anos

Por José Braz Matiello, Saulo R. Almeida e Iran B. Ferreira, engenheiros agrônomos da Fundação Procafé e Tiago Quelhas técnico agrícola da Cooxupé - Monte Carmelo


Um problema de seca de ponteiros de cafeeiros foi observado, recentemente, na região de Monte Carmelo, em Minas Gerais. A verificação inicial no local indicava como provável causa a ação de lagartas e pequenos besouros, atacando a casca do tronco dos cafeeiros, na área próxima à parte seca das plantas.

Pois bem, uma nova observação sempre pode levar a novos conhecimentos, daquilo que se encontra no campo. Assim, fomos averiguar o que estava acontecendo. Vimos que a causa primária era, na realidade, a fusariose, a qual atacando os tecidos do cafeeiro, enfraquecia e acabava matando a parte alta das plantas. Isso porque o fungo ao atingir os vasos da planta provoca o seu entupimento e, logo, a parte acima da área afetada começa a amarelecer e termina secando.

A constatação da fusariose foi feita através da verificação dos tecidos da ramagem e do próprio tronco. O melhor para observar os ramos laterais grossos é ainda vivos, destacando-os do tronco e em seguida fazendo cortes com canivete. Logo abaixo da casca e em diferentes áreas dos vasos, pode-se verificar a existência de rajadas de coloração vermelho –amarronzado, junto aos vasos, o que caracteriza bem o ataque da fusariose.

A existência de lagartas e pequenos besouros, estes de coloração negra, sobre o tronco, foi observada através de uma espécie de teia, feita com os próprios excrementos dos insetos, restos da casca. Estes insetos só foram constatados na porção do tronco já em processo de morte, não sendo verificados nas porções sadias do tronco. Deste modo, foi comprovado o caráter secundário das lagartas, provavelmente com função apenas de acelerar a morte da área atacada, ficando a fusariose como agente primário.

Resta, finalmente, dizer que a condição onde o problema de fusariose ocorreu, à semelhança do que acontece em outras regiões cafeeiras, está relacionada à aplicação de podas. No caso por decote/esqueletamento, que deve abrir porta para a entrada do fungo e sempre em lavouras mais velhas.


Nas duas fotos, em lavoura em Monte Carmelo-MG, o topo das plantas apresenta morte/seca da ramagem, por efeito da fusariose como causa primária.

Ramo lateral grosso, destacado da planta, mostrando vasos de cor vermelho-amarronzado, sintoma típico do ataque da fusariose.


Espécie de teia composta por resíduos de excrementos sobre o tronco de cafeeiros junto à parte que vem morrendo, constatando-se a ocorrência de lagartas e besouros sob essa teia.





Aspectos da lagarta e do besourinho encontrados sob a casca dos cafeeiros, junto à parte afetada do tronco
 

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