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Molhamento das folhas por orvalho ou chuva fina melhora absorção de micronutrientes pulverizados Por José Braz Matiello

 

postado em 26/11/2015 | Há 1 ano

Por José Braz Matiello, Iran Ferreira, A. Carolina Paiva e Petherson Neves – engenheiros agrônomos da Fundação Procafé

O suprimento de micronutrientes ao cafeeiro é feito em sua maior parte pela via foliar, através de pulverizações, que se mostram eficientes especialmente para o zinco e o cobre. Isso porque via solo esses nutrientes não se aprofundam e são limitados com facilidade em terrenos mais argilosos. Para o boro, embora a via solo seja a mais adequada, aproveita-se sua combinação em coquetéis de sais na calda ou mesmo adubos foliares formulados, também na sua aplicação via foliar.

A absorção dos micronutrientes pelas folhas do cafeeiro é influenciada por fatores externos e internos, como a tecnologia de aplicação, a luz, a temperatura, a umidade, a idade das folhas e seu estado nutricional. Na primeira fase da absorção ocorre a penetração cuticular passiva e depois a absorção celular, ativa.

A umidade da cutícula das folhas é um fator que se mostrou muito importante no aumento da absorção dos micronutrientes pulverizados. Um estudo recente, efetuado no laboratório da Fundação Procafé, constatou a importância do processo de absorção continuada por efeito de novo molhamento foliar, posterior ao secamento das gotas pulverizadas, sobre a absorção de micronutrientes pela folhagem.

Foram ensaiados três tratamentos, sendo a testemunha, sem aplicação dos micronutrientes e mais dois aplicados com micronutrientes - um deles com e outro sem a simulação posterior de orvalho na folhagem. Os produtos e concentrações usados na calda pulverizada foram Sulfato de Zinco a 0,5%, Ácido Bórico a 0,5% e Oxicloreto de Cobre a 0,4%. No tratamento com simulação de orvalho aplicou-se pulverização com água destilada, em gotas bem finas, duas vezes no primeiro e segundo dias após à pulverização dos micronutrientes. Uma semana depois, foram coletadas folhas das mudas, recebendo a lavagem da superfície com detergente usual e, em seguida, foram secas e analisadas quanto ao conteúdo de zinco, boro e cobre.

Foto ilustrativa: Lucas Albin / Agência Ophelia/ Café Editora
Foto ilustrativa: Lucas Albin / Agência Ophelia/ Café Editora

Os resultados das análises foliares sob efeito dos três tratamentos constam da tabela aqui incluída. Verificou-se superioridade de absorção no tratamento onde se simulou a ocorrência de orvalho, posteriormente às pulverizações com a calda dos micronutrientes. Para o zinco e boro essa superioridade do tratamento 2 foi significativa e para o cobre, apesar do nível foliar ser maior, não houve significância estatística, talvez por que se tratava de um produto de lenta liberação.

Tabela 1- Níveis de micronutrientes em folhas de cafeeiros sob efeito de tratamentos com e sem simulação de orvalhamento. Varginha (MG), 2015



Os resultados obtidos permitem concluir que novas molhações com água, em situações de orvalho ou de chuva fina, que venham a ocorrer após à aplicação da calda com micronutrientes tornam a aplicação mais eficiente.
 

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