Produção

Produtor do DF cria 1° café orgânico em cápsulas do Centro-Oeste

 

postado em 05/10/2015 | Há 2 anos

Do G1 DF

03/10/2015

Matemático de 70 anos torra e descasca grãos a 35 km de Brasília.
Lista de clientes inclui advogados, nutricionistas e diplomatas.
É de uma chácara do Lago Oeste, a 35 km de Brasília, que sai o primeiro café orgânico para máquinas expresso do Centro-Oeste. Num terreno de cinco hectares, o ex-servidor público e matemático aposentado Márcio Jório planta o grão em 30% do lote, sem usar nenhum agrotóxico. Antes sem nenhuma experiência em agronomia, hoje o homem de 70 anos se considera especialista na produção do “café gourmet”. Na lista de clientes há escritórios de advocacia, nutricionistas e diplomatas do Distrito Federal.

O primeiro plantio começou quando o cunhado dele lhe deixou 30 mudas de café porque iria se mudar da fazenda ao lado da propriedade de Jório. “Aí eu fiquei acostumado a tomar aquele café gostoso. Quando fui comprar café fora, quem disse que eu aguentava?”, indaga Márcio Jório. Nessa época, ele ainda torrava o grão de maneira artesanal.

Após o início da aposentadoria, em 1997, com a ajuda de um agrônomo, ele passou a investir mais na produção. Buscando formas de agregar valor ao produto, o matemático comprou uma máquina que permite torrar e descascar todos os grãos, e ainda providenciou as embalagens. “Foi difícil achar uma máquina e um bom financiamento para o pequeno produtor. Para o pequeno, tudo é mais difícil aqui no Brasil.”

Foi só no final de 2014 que Jório passou a mandar o café que produz a uma empresa portuguesa em Ribeirão Preto (SP) especializada em transformar o pó da bebida em pequenas cápsulas para consumo. Contando com o frete, o custo todo sai por R$ 0,80 a cápsula. “O que a cápsula trouxe foi praticidade”, conta o empresário do DF, que chega a deixar o café colhido “descansar” por até um ano só para que o gosto fique “apurado”.

Matemático Márcio Jório em frente à plantação de café (Foto: Gabriel Luiz/G1)
Matemático Márcio Jório em frente à plantação de café (Foto: Gabriel Luiz/G1)

“Estamos conseguindo conquistar mercado. Há vários apreciadores porque é um café ‘gourmet’. Já temos cerca de cem clientes”, afirmou o pequeno produtor ao G1. Uma embalagem com dez cápsulas é vendida por R$ 20. Por mais que ele diga que a quantidade cultivada na chácara não torne “ninguém rico”, ele revelou que espera dobrar a renda da família com a venda de 10 mil unidades por mês, mesmo sem manter estoque. “Prejuízo eu não tenho.”

O gosto pela bebida vem desde criança. “Com 12 anos, era eu quem fazia café para o meu pai. Sempre gostei de tomar, mas nunca imaginei que um dia eu poderia ser um cafeicultor, ou pelo menos um microcafeicultor de qualidade”, brinca Jório, que passou a frequentar palestras e cursos de degustação para se aprofundar no assunto.

Envolvida no processo, a mulher dele, Elisa Leite, afirma que o produto que o casal vende tem pelo menos três certificações de que é orgânico, o que garantiria um café de qualidade. “Lidar com o orgânico é uma filosofia de vida. As pessoas estão começando a ver o quanto é importante para a saúde. Mas também tem a ver com pontos como o trato com meio ambiente e o relacionamento com as pessoas”, disse a mulher. “É um café muito mais bem cuidado.”

O produtor Márcio Jório e a mulher, Elisa Leite, com cápsulas de café orgânico (Foto: Gabriel Luiz/G1)
O produtor Márcio Jório e a mulher, Elisa Leite, com cápsulas de café orgânico (Foto: Gabriel Luiz/G1)
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