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CÂMBIO FIRMA E COMERCIAIS MAIS COMPRAM DO QUE VENDEM Por Rodrigo Costa

 

postado em 21/09/2015 | Há 2 anos

MERCADO DE CAFÉ – COMENTÁRIO SEMANAL – DE 14 A 18 DE SETEMBRO DE 2015*

Há única aposta que ganharia com a decisão do FED era vender a recuperação dos preços das ações e commodities antes da reunião do FOMC, leitura fácil depois de sabermos a resposta dos mercados.

O comitê decidiu não aumentar os juros, sendo que um dos oficiais votou por levar a taxa para patamares negativos. Janet Yellen, a presidente do banco central, apontou que a decisão foi tomada em função da turbulência nos mercados mundiais, que trazem dúvidas sobre a continuação da recuperação americana. A queda dos preços das matérias-primas e a firmeza do dólar traz o risco de deflação aos Estados Unidos, fato que preocupa e pode fazer com que os juros só aumentem no próximo ano.

Os investidores liquidaram parte de suas posições compradas em ações e em commodities, com o receio de que a situação esteja pior do que imaginem, ou seja, aumentando ou abaixando os juros os ativos de risco estavam fadados a cair.

Com este pano de fundo o café se comportou até relativamente bem. Mesmo com o Real negociando a 3.9616 contra o dólar, o arábica e o robusta respeitaram as mínimas recentes encerrando acima do fechamento da semana anterior.

A correlação negativa com o Real composta por dados de nove meses perdeu aderência nas últimas semanas, de forma que os fundos de algoritmo que tem vendido Nova Iorque todas as vezes que a moeda brasileira enfraquece podem ser forçados a suspender a estratégia se não voltar a funcionar logo.

A venda dos especuladores tem encontrado suporte dos comerciais, fazendo inclusive com que a posição comprada líquida dos últimos mantenha-se positiva – por sinal na história do atual COT os comerciais nunca tiveram uma posição maior comprada do que vendida. Os baixistas acham negativo trade-houses e torradores tão tomados em futuros, entretanto a vulnerabilidade destes em geral é pequena.

No mercado físico o volume negociado é baixo, no Brasil por já ter passado o período maior da pressão vendedora (que não aconteceu como era esperado) e pelos produtores, diante de tanta lambança econômica, segurarem seus cafés, ativos reais e dolarizados. As outras origens ainda não tem fluxo significativo de safra nova.

As chuvas cessaram no “cinturão de café” brasileiro com a expectativa de retorno das precipitações no fim da semana que se inicia.

Do lado do robusta o Vietnã diz que a safra que começa a ser colhida deve ser mais baixa do que do ano anterior em função de um período seco maior do que o normal. Esta não é a percepção de grande parte dos participantes, mas os diferenciais não enfraquecem por lá.

Os estoques americanos aumentaram 239,814 sacas em agosto, totalizando 6,123,163 sacas, maiores do que as 6,038,503 sacas de agosto de 2014. Na Europa o inventário nos portos subiu de 11,727,767 sacas em junho para 11,909,433 sacas em julho. Ou seja, no destino quantidade de café disponível não é problema, já a questão de qualidade é outra história.

O quadro macro e o desempenho do dólar podem atrapalhar uma recuperação muito forte e sustentada dos preços do terminal, que ainda acredito que deva acontecer a partir do ponto de onde está o mercado. Uma eventual alta deve encontrar venda da Colômbia nos meses presentes e do Brasil, provavelmente, nos meses futuros, em quantidade que os altistas crêem ser insuficiente para limitar os ganhos e os baixistas têm a certeza de que será grande o bastante para fazer do movimento ter curta duração,

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer

 

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