Comércio

Construtora do Rodoanel negocia novo acesso ao litoral sul paulista em direção ao porto de Santos

 

postado em 09/09/2015 | Há 2 anos

Folha de S. Paulo

08/09/15

A construtora que participou das obras do Rodoanel de São Paulo prepara um novo projeto de PPP (Parceria Público-Privada) com a justificativa de desafogar os acessos ao litoral sul do Estado.

A proposta envolve a construção de uma rodovia de 36 km partindo do Rodoanel Leste, em Suzano (Grande SP), em direção ao porto de Santos.

Com apoio de prefeituras do litoral, o plano concorre com outros em discussão no governo paulista para ampliar nos próximos anos -após a retomada da economia nacional- as rotas rumo à Baixada Santista, 13 anos após a conclusão da Nova Imigrantes.

A estrada batizada de Via Mar foi projetada pela Contern principalmente por meio de túnel no parque estadual da serra do Mar -com a justificativa de causar menos impacto e facilitar as licenças, pois não seria preciso abrir canteiros nem fazer estrada de serviço em toda a área de preservação ambiental.

O projeto prevê um túnel contínuo de 21 km a 23 km, com tecnologia inspirada na do canal da Mancha, entre França e Reino Unido -duas vias interligadas, uma em cada sentido, mas com alguns poços de ventilação.

Cada via teria 16 metros de diâmetro, suficientes para acomodar três faixas de tráfego em cima e uma ferrovia e faixa de dutos embaixo.

A ideia é fazer primeiro a estrada, mas deixar espaço para implantar a ferrovia e os dutos numa segunda etapa.

A primeira fase da obra foi estimada entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões -um pouco superior ao valor do Rodoanel Norte, último trecho do anel viário, com 44 km e previsão de término entre 2017 e 2018.

Pelo modelo proposto, de PPP, uma empresa deve construir em troca de cobrar pedágio por determinado período.

A estimativa é que a licitação demore de 12 a 18 meses e a primeira fase da obra seja concluída em quatro anos.

Um projeto preliminar foi apresentado ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) há dois anos, mas foi considerado "inviável" por causa da "conjuntura econômica nacional".

"O país está em situação delicada, não tem dinheiro sobrando. O governo tem interesse total nessa PPP, mas estão aguardando um momento mais favorável", afirma Wagner Leite Ferreira, ex-professor da Unesp e especialista em portos que assessorou a Contern no projeto.

O governo diz que "mantém estudos técnicos" para encontrar formas de melhoria no acesso ao litoral paulista.

Após a ampliação da Imigrantes em 2002, a expectativa era que a saturação das rotas ao litoral voltasse a ser discutida uma década depois.

CORREDOR LOGÍSTICO

O projeto de nova rota de acesso ao litoral prevê viabilizar um novo corredor logístico que reduza a dependência do sistema Anchieta-Imigrantes no transporte de cargas.

Também cria opções que reduzam a dependência de caminhões nessa função.

Além da estrada, a proposta inclui plataformas logísticas para organização do transporte ao porto de Santos -que recebe 12 mil caminhões/dia.

"A carga chega a Santos hoje por uma rodovia projetada em 1943, a Anchieta. Além de ser obsoleto, é um sistema precário porque, quando há um acidente na serra, nossa principal saída de exportação fica inacessível", afirma Wagner Leite Ferreira, especialista que participou do novo projeto.

Em abril, um incêndio em tanques de combustível durou nove dias e restringiu a entrada de caminhões no porto. Resultado: filas quilométricas no acesso a Santos. Em 2013, uma supersafra de grãos fez com que os acostamentos se tornassem estacionamento de caminhões esperando para descarregar.

Nas plataformas previstas no projeto, a carga pode ser descarregada antes de chegar ao porto e ir ao litoral por ferrovia, em dutos ou outro caminhão. "Acaba com o turismo de caminhão lá embaixo."

Além de cargas, a ferrovia prevista na segunda etapa também poderá abrigar trens de passageiros.

 

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