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BOLSA VOLTA AOS NÍVEIS DE MARÇO E ABRIL Por Rodrigo Costa*

 

postado em 09/08/2015 | Há 1 ano

Comentário Semanal - de 3 a 7 de agosto de 2015

A criação de postos de trabalhos nos Estados Unidos tem mantido um ritmo suficientemente alto para fazer com que os agentes não mudem muito suas apostas no timing do aumento de juros pelo FED. Entretanto na sexta-feira o indicador ficou levemente menor do que o esperado, o que juntamente com a queda ininterrupta das commodities provocou uma parada na valorização do dólar.

O efeito deflacionário causado pelos preços mais baixos das matérias-primas no mercado mundial pode prolongar estímulos econômicos na Europa e Japão, ao mesmo tempo em que coloca mais pressão nos países produtores de commodities – uma das principais razões para a desvalorização das moedas e bolsas em diversos mercados emergentes.

A moeda chinesa por não flutuar livremente e, portanto continuar firme, faz dos produtos produzidos naquele país menos competitivos – outro sinal que prejudica o crescimento por lá e respinga nos parceiros comerciais (atingindo inclusive a Alemanha).

No novo mergulho dos índices de commodities os grandes perdedores dos componentes do CRB foram o complexo energético, o açúcar e o algodão. Positivamente os melhores desempenhos foram o do suco de laranja, dos grãos e do café em Nova Iorque.

O contrato “C” subiu US$ 3.37 a saca, o que não parece muito, mas levando em consideração que durante as sessões ele conseguiu se desvencilhar dos algo-traders que batiam no mercado todas as vezes que o Real escorregava, o comportamento foi muito bom. O arábica estando agora a US$ 7.95 centavos da mínima e não tão distante da resistência a 132.50 centavos tem boas chances de buscar stops de compras dos fundos que ainda não liquidaram muito de seus novos shorts.

Aos produtores brasileiros e colombianos a alta da semana combinada com o Real batendo a 3.56 e o Peso a 2971, fez das cotações nas respectivas moedas atingirem o maior patamar desde abril e março. Neste cenário a movimentação nas duas principais origens melhorou, mas como tenho dito, não há uma pressão vendedora tão grande que neste momento coloque tanta pressão nos ganhos do terminal (ao menos no curto-prazo).

Um grande exportador brasileiro em entrevista à agência do Bloomberg reiterou sua análise de que a safra 15/16 local deve ficar entre os 45 e 47 milhões de sacas devido a menor renda que os grãos miúdos provocam. O Procafé, segundo a Reuters, vê uma quebra entre 20% a 30% de sua previsão de março, que era entre 41m e 43m de sacas. Certo ou errado, o que só será comprovado no futuro, a maior parte dos participantes do mercado, incluindo comerciantes, fundos e torradores, trabalha com um número de safra ao redor de 50 milhões de sacas.

A importação-líquida de café nos Estados Unidos totalizou 2.279 milhões de sacas de café no mês de junho, acumulando durante doze meses 23.91 milhões, menos do que os 24.3 milhões importados entre julho de 2014 e junho de 2015. Uma multinacional que também tem operações no Brasil disse que o consumo de café brasileiro deve estagnar este ano. Ambas as notícias formam parte dos argumentos usados pelos baixistas para justificar uma perspectiva de demanda estagnada, em geral.

Os estoques certificados de robusta na bolsa aumentaram 58.2 mil sacas na quinzena finalizada no dia 3 de agosto, com um total de 3.4 milhões de sacas nos armazéns, bem acima dos 1.4 milhões de um ano atrás. É de se esperar que o inventário diminua depois do grande recebimento do contrato de julho.

O volume total de dinheiro investido em commodities continua caindo, com as maiores retiradas no mês de maio sendo feita no complexo energético, 900 milhões de dólares, e tendo as agrícolas perdido 200 milhões de dólares.

Tudo indica que a bolsa está preparada para continuar subindo um pouco mais ajudada tanto sazonalmente por uma recuperação que historicamente acontece na segunda metade do mês de agosto, como por alguma liquidação de vendas dos fundos. Sustentar ganhos é outra conversa, ainda mais com as incertezas relativas à economia brasileira, agravadas pela crise política, que já fazem os títulos do país negociar abaixo de nove países que tem nota em grau especulativo.

Os produtores devem ir aproveitando e tentar negociar uma parte de suas safras futuras, que com os juros brasileiros altos ajudam exportadores a pagarem preços bem razoáveis para a safra 16/17 – assumindo que seja grande como muitos imaginam que possa ser se a florada for boa e o clima ajudar.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,

 
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting
 

 

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