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Se não fosse o dólar, preço do arábica estaria no mesmo nível de 2013 Por Natália Sampaio Fernandes

 

postado em 30/07/2015 | Há 2 anos

Não há quem queira lembrar-se da crise que a cafeicultura enfrentou em 2013. Em 2012, a queda acumulada nos preços do café arábica foi de 36%. Em 2013, a situação foi similar, com redução chegou a 30%.

Nesses níveis, os preços da saca de café eram insuficientes para cobrir o Custo Operacional Efetivo do produtor de arábica. Apenas os cafeicultores de regiões planas, que têm condições de mecanizar praticamente todas as operações de campo, obtiveram margem líquida positiva naquela época.

Em novembro de 2013 a saca do arábica chegou a ser comercializada a R$ 240,97, o que deixou o produtor em situação crítica, sem capacidade para pagamento das dívidas do crédito rural e para investimento nas lavouras.

Logo no início de 2014, a adversidade climática afetou significativamente as lavouras cafeeiras, contribuindo para a redução da safra e do rendimento da produção. Com redução de oferta, os preços do produto começaram a se recuperar, para alívio dos produtores no que se refere a preço de venda.

Com as lavouras ainda carregando prejuízos da estiagem de 2014, no início de 2015 sofreram novamente com altas temperaturas e déficit hídrico e prejuízos estão sendo verificados atualmente, época em que grande parte das lavouras estão em processo de colheita e pós-colheita.
 
Escaldadura causada pelas altas temperaturas de Jan/15 - Região de Cruzeiro da Fortaleza/MG (Cerrado Mineiro) – Fonte: CaféPoint.

Agora, o destaque da análise vai para os preços do produto. As cotações do arábica na ICE Futures têm feito novas mínimas para o contrato setembro/15, ficando abaixo dos níveis registrados em 2013. A mínima do contrato foi registrada em 27 de julho de 2015, quando atingiu US$119,85/lb (US$ 158,54/saca).

Figura 1. Evolução do contrato setembro/15 do café arábica – ICE Futures

Se fosse considerada a cotação do dólar de 2013, que estava próxima de R$2,20, o setor produtivo estaria novamente passando por situações complicadíssimas, ameaçando fortemente o desenvolvimento da atividade no País. Em simulação, a saca do arábica estaria sendo cotada por cerca de R$ 348 no mercado futuro. Considerando o deságio comum entre mercados futuros e físico, certamente o café estaria sendo comercializado no mercado físico abaixo do preço mínimo de R$ 307.
Contudo, com dólar fazendo novas máximas e seguindo em tendência de alta, as quase que consecutivas desvalorizações diárias das cotações do café têm sido amenizadas.

O vencimento setembro/15 para o café arábica tipo 4/5, na BM&FBovespa encerrou a última terça-feira (28) a US$ 154,50, equivalente a R$ 520,67/saca (dólar comercial (28/07) a R$3,37).

No mercado físico, segundo indicador Cepea/Esalq, o arábica, tipo 6, bebida dura para melhor, fechou o dia 28 de julho a R$ 413,58/saca. Vale ressaltar que, mesmo o café sendo negociado acima de R$410,00 a saca, o mercado segue em tendência de baixa assim como a maioria das commodities.

Figura 2. Performance dos mercados de commodities no último mês



Fonte: Financial Visualizations, em 29 de julho de 2015.
Diante disso, vê-se a importância de que o produtor faça o acompanhamento dos custos de produção para que possa definir o melhor preço e momento para comercialização de seu café.

Alguns produtores já têm procurado suas cooperativas de produção para travar preço futuro, seja para o 2º semestre de 2015 ou até para 2016. Outros, com maior fluxo de caixa, fazem suas negociações futuras diretamente na bolsa.

Assim como a cafeicultura brasileira possui diversas realidades, cada produtor também possui a sua especificidade, o que exige estratégias diferenciadas para cada situação.

Natália Fernandes
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