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COMMODITIES PRESSIONADAS E FIRMEZA DO DÓLAR Por Rodrigo Costa

 

postado em 26/07/2015 | Há 2 anos

Comentário Semanal - de 20 a 24 de julho de 2015

O mercado acionário caiu ao redor do mundo em uma mistura de resultados financeiros aquém da expectativa de algumas importantes empresas, dados econômicos mais fracos, e uma aposta crescente do incremento dos juros americanos para a reunião de setembro do FED.

Na Grécia o parlamento aprovou a segunda parte de medidas necessárias para receber o terceiro tranche de financiamento, muito embora o risco político da situação continue latente.

No Brasil a revisão da meta orçamentária do ministro da economia causou uma forte queda do Real e do IBOVESPA, sendo que vários analistas voltam a mencionar o risco de um corte na nota da dívida do país.

O índice de produção industrial na China voltou a cair em julho ratificando a visão de que a manutenção do PIB recentemente foi ajudada pela alta e pela volatilidade da bolsa que impulsionou o setor de serviços, e que em breve fará a trajetória de crescimento voltar a diminuir. O efeito China, assim como um aceno de uma política monetária menos expansionista nos Estados Unidos e o acordo com o Irã, pressionaram fortemente as commodities, jogando para baixo desde os metais-preciosos e petróleo, passando pelos metais industriais, commodities agrícolas e até os lácteos. Um dos três principais índices de commodities está na mínima de 13 anos.

Não é por acaso que as moedas de países dependentes em commodities têm feito novas mínimas de vários anos, incluindo não apenas o Real (menor nível desde 1º de abril de 2003), Peso-Colombiano (mais baixo desde 4 de novembro de 2003), Peso-Chileno (bateu o patamar de dezembro de 2008), mas inclui também os dólares australiano (=maio de 2009), canadense (=setembro de 2004), neozelandês (=julho de 2009) e o Rand sul-africano (=dezembro de 2001). Bem ou mal é a forma de compensar as baixas dos preços internacionais das commodities que estes países produzem, mas que protela o ajuste necessário da oferta mundial, dos quais muitas matérias-primas estão acima da demanda.

Para o café o pano de fundo da moeda parece servir mais de argumento para justificar a baixa do que de fato reflete uma abundância de oferta, muito embora a migração dos estoques dos países produtores para os consumidores deu um conforto aos compradores que crêem em um ciclo mais generoso em 16/17 – se a florada brasileira vingar. Falando nisto os estoques em portos europeus aumentaram em 483,183 sacas em maio, totalizando 12,11 milhões de sacas, bem acima das 10.46 milhões de maio de 2014.

O contrato de Nova Iorque fez uma nova baixa voltando aos patamares de Janeiro de 2014, desencadeando novas vendas de fundos que, pelo que indica o número de contratos em aberto, “descobriram” um interesse de fixação de preços razoável dos compradores naturais. Claro que o COT ainda não mostrou uma alteração significativa das posições dos participantes, mas eu creio que os fundos devam estar com uma posição bruta vendida acima de 60 mil contratos, não muito longe do recorde de 71,980 que tiveram em março de 2013 – quando então se falava de uma safra brasileira grande.

Duro é convencer alguém a não vender café com a queda do terminal, quando as perdas são parcialmente compensadas pela valorização do dólar americano. O Real, por exemplo, tem analista que acredita que na semana que se inicia tocará os 3.50, nível que psicologicamente neste momento faz muitos esperar uma venda de café físico aumentando no Brasil. Digo psicologicamente porque no curto-prazo, seja pelo atraso da safra ou pelo preço em reais estarem praticamente se mantendo, não parece que os produtores sairão correndo para vender. Talvez em outubro/novembro, quando então saberão o resultado da florada, o fluxo melhore, daí sim, independentemente de preço, mas, de hoje até lá, não parece que o Brasil será o responsável a pressionar a bolsa.

Por outro lado não temos como contra argumentar com o fato de que o “teto” de mercado diminui com o enfraquecimento da moeda dos países produtores.

No físico foi reportado um volume melhor de negócios FOB, com interesse se estendendo até os primeiros meses de 2016. É a velha conta de aplicar o basis na cobertura mais “barata” do flat-price, que no líquido bate qualquer orçamento do ano.

A Starbucks divulgou que já tem 80% de sua necessidade de café travada para o ano que vem e 20% para 2017. O nível de preço, segundo seu CFO, está um pouco melhor do que o do ano passado, o que indica que não conseguiram aproveitar a queda forte do mercado no ano.

Nova Iorque depois de cair sete sessões seguidas, na sexta-feira fechou basicamente de lado, tecnicamente não influenciando muitos a comprarem, mas dado o aumento de posições vendidas dos fundos o mercado deve encontrar alguns stops apenas 3 centavos acima do ajuste. Se de fato o Real romper os 3.40 rapidamente os baixistas continuarão em controle do mercado, enquanto uma alta, por ora, será em cima de uma correção técnica.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,
 
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

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