Tecnologias

Produtos biotecnológicos benéficos à cafeicultura serão apresentados no IX Simpósio de Pesquisa dos Café

 

postado em 19/06/2015 | Há 2 anos

Do plantio ao beneficiamento do café, foram desenvolvidos estudos pelo Consórcio Pesquisa Café que detectaram, entre outros, processos biológicos visando à redução de fertilizantes, pragas e doenças por meio do emprego de bioinseticidas

Muitos são os temas de recentes pesquisas cafeeiras que serão apresentados e discutidos durante o IX Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil, entre eles os avanços do conhecimento sobre produtos de origem biotecnológica alcançados graças a estudos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – EPAMIG com apoio do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café. O tema será debatido na sessão técnica "Produtos de origem biotecnológica aplicados na cadeia produtiva do café". O Simpósio será realizado no Centro de Convenções de Curitiba, entre 24 e 26 de junho e conta com o Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR como anfitrião e apoio do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - Emater-PR.

Segundo a pesquisadora Sara Maria Chalfoun, que conduziu os estudos e vai ministrar palestra sobre o tema, a utilização de produtos de origem biotecnológica na cafeicultura é realizada como ferramenta para avançar no caminho da sustentabilidade e sanar conflitos localizados entre a cafeicultura e questões sociais e ambientais. "A palestra vai destacar conceitos relativos à produção de bioprodutos e produtos de origem biológica, normas para a sua produção, posicionamento desses produtos com relação às necessidades de atender as demandas mundiais de consumo de produtos de elevada qualidade e produzidos de forma sustentável", adianta.

Durante a palestra também será relatada a experiência da parceria entre EPAMIG/UFLA e uma startup de base tecnológica, a Tbio, estabelecida como parte do Programa de Inovação desenvolvido pela UFLA, incluindo o desenvolvimento de produtos de origem biotecnológica para a cadeia produtiva do café. Nas diferentes etapas da produção do café, desde o plantio até o processamento, foram detectadas oportunidades da inserção de tratamentos biológicos ou de origem biológica, visando à redução de uso de insumos não renováveis, como os fertilizantes; à redução da incidência de pragas e doenças por meio da utilização de bioinseticidas, biofungicidas e bionematicidas, e à melhoria de processos, como o de aceleração da desmucilagem do café pela combinação de enzimas, o que melhora a qualidade da água residuária. Também serão conhecidos o bioinseticida e bionematicida, que garantem sustentabilidade e mais qualidade ao agronegócio café.

Como tudo começou - Em 1989, pesquisadores da EPAMIG e Universidade Federal de Lavras - UFLA descobriram o fungo Cladosporium claridospoides durante investigações que buscavam compreender a influência de microrganismos sobre a qualidade do café. De acordo com a pesquisadora Sara Chalfoun, o "fungo do bem" combate outros fungos prejudiciais à qualidade do café. "Percebemos que o fungo Cladosporium apresentava ação antagônica sobre os microrganismos prejudiciais à qualidade do café por competir com os mesmos por espaço e nutrientes, além de exercer efeitos de antibiose e hiperparasitismo".

Desde 2004, pesquisadores, a partir de isolados purificados do fungo, desenvolveram métodos para a sua multiplicação massal visando à aplicação em cafezais, em forma de biodefensivo. Devidamente patenteado, o produto está em processo de registro comercial, mas já é aplicado, em regime de teste, nas lavouras de todo o Estado. "O produto consiste de uma suspensão concentrada do fungo, purificado e multiplicado, que agregado à substância confere aderência ao produto", explica Chalfoun. O produto não recebe aditivos químicos em sua composição. Estudos mostraram que, em lavouras cafeeiras de regiões úmidas, o produtor rural pode valorizar a safra em no mínimo 30% com a utilização desse fungo, o que influencia diretamente na qualidade sensorial da bebida.

Destaques do IX Simpósio – O IX Simpósio vai discutir ainda outros avanços recentes da pesquisa cafeeira alinhados às oportunidades e desafios da cultura do café no País e no mundo. Na solenidade de abertura, será realizada conferência sobre "Consórcio Pesquisa Café – Oportunidades e novos desafios". Oito painéis compõem a estrutura da programação do evento com os seguintes temas e subtemas: Cafeicultura de montanha (Práticas de manejo e Mecanização); Transferência de tecnologias na cafeicultura (Experiências de Minas Gerais, do Paraná e do Espírito Santo); Tendências do consumo de café (Mercado e tendências – enfoque nacional e internacional); Café conilon (Mecanização e Genética e melhoramento); Gestão sustentável da água na cafeicultura (Uso racional da água e Práticas conservacionistas para produção e reservação de água); Café e clima (Clima: diagnóstico e prognósticos para próxima década e Alterações Climáticas e a cafeicultura); Novas oportunidades de negócios (Projeto de Integração de Cafés Especiais e Agregação de qualidade ao café); e Indicações Geográficas: agregando valor ao produto (Experiência da Serra da Mantiqueira e do Norte Pioneiro do Paraná).

O IX Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil terá, ainda, cinco sessões técnicas com os seguintes temas: Tolerância à seca e biotecnologia; Produtos de origem biotecnológica aplicados na cadeia produtiva do café; Os novos desafios da cafeicultura familiar brasileira; Nutrição equilibrada do cafeeiro e Opióides do café: identificação, caracterização e potenciais aplicações.

O objetivo do Simpósio é apresentar resultados recentes das pesquisas realizadas no âmbito do Consórcio Pesquisa Café e ainda promover ampla discussão da comunidade científica com os diversos setores da cadeia produtiva do café para garantir aumento da competitividade, melhoria da qualidade do produto e sustentabilidade do setor.

Evento e inscrições - São esperados aproximadamente 1000 participantes dos diversos representantes dos setores que compõem o agronegócio café: pesquisadores, professores, estudantes, técnicos da extensão rural, lideranças dos diversos segmentos da cafeicultura, produtores de café, empresários do setor, imprensa especializada e demais interessados nos avanços da ciência e da tecnologia cafeeira. Até o momento, foram inscritos mais de 400 participantes.
 

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