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Café: investimento em qualidade e divulgação Por Bruno Mesquita

 

postado em 13/05/2015 | Há 2 anos

Hoje em Dia


Bruno Mesquita - CNA e Manoel Joaquim Presindente do Sind. Rural de Boa Esperança

Desde o ano passado, o Sistema Faemg deu início a um programa de viagens técnicas e missões de capacitação da equipe e dos sindicatos. Oportunidade valiosa de aprendizado com experiências bem-sucedidas em outros países, a missão mais recente focou a excelência do café. No início de maio, um grupo de 40 presidentes de sindicatos de produtores rurais das quatro principais regiões produtoras do Estado – Sul, Jequitinhonha, Cerrado e Matas de Minas – foi aos Estados Unidos buscar novas ideias e conhecimentos.

A missão foi dividida em duas partes. Na primeira parada, em Nova York, a equipe conheceu a Bolsa de Valores e teve a oportunidade de entender mais sobre o mercado financeiro e constituição de preços internacionais. Naquele espaço, onde são negociadas as commodities, cotações flutuam sempre à mercê de uma série de fatores, quase totalmente alheias ao trabalho dispendido por cada produtor individualmente. É onde impera o volume, em lugar da qualidade; a versão, em lugar dos fatos.

O contraponto veio exatamente na segunda parte da viagem. Conhecida como uma das cidades com maior consumo de café per capita do mundo, Seattle é vitrine da mais alta qualidade alcançada. Por lá, visitamos a maior feira de cafés especiais do planeta, além de torrefações e cafeterias. É de impressionar como tudo gira em torno de grãos diferenciados e bebidas gourmet.

De forma resumida, o principal destaque da missão foi a percepção de um mercado crescente que o Brasil tem capacidade de ocupar com cafés diferenciados, de grande valor agregado. Das 45 milhões de sacas anuais, estimamos que menos de 10 milhões são de cafés especiais, e o mundo já sinaliza que há mercado para absorver um volume maior, com remuneração condizente. Nosso grande desafio agora é fazer, da porteira para dentro, e em volume cada vez maior, um café de altíssima qualidade, que remunere o produtor e que lhe garanta maior independência com relação ao mercado das commodities. Isso pode ser feito em qualquer região. Não é uma questão de se optar entre quantidade e qualidade, mas sim de conciliar e buscar qualidade em uma parcela cada vez maior da produção, a partir de um manejo mais cuidadoso. A verdade é que todo café produzido no Brasil tem muita qualidade. A natureza fez isso por nós. O clima, solo e as cultivares que aqui temos garantem uma produção excelente. O que fará toda diferença são os cuidados na colheita e pós-colheita.

Outro ponto que nos chamou muito a atenção nessa missão aos EUA é a falta de divulgação do produto brasileiro. Somos os maiores produtores do mundo, produzimos um terço de todo o café e, ainda assim, não somos reconhecidos mundialmente como um polo produtor de cafés diferenciados. Especialmente se comparado ao marketing feito por outros países produtores. Carecemos com urgência de uma campanha de marketing, tanto para o mercado interno quanto para o internacional, consolidando de vez nosso espaço de liderança, sustentado na qualidade que já alcançamos e que, de agora em diante, nos esforçaremos ainda mais para elevar.

(*) Por Bruno Mesquita - Diretor da Faemg e presidente das comissões de cafeicultura da Faemg e CNA

 

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