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Série Agronegócio: força do campo paulista começou com o café

 

postado em 23/12/2013 | Há 4 anos

 

or  G1 | Para: CBN Foz

 A TV Tem exibe a partir desta segunda-feira (23) uma série de reportagens no TEM Notícias sobre a evolução da agricultura na região de cobertura da emissora. A série vai mostrar, até sexta-feira (27), a influência da tecnologia, a troca de culturas e os protocolos na colheita da cana-de-açúcar, além da importância de toda a região no agronegócio do país.  A primeira reportagem apresenta a força do cultivo do café no interior paulista.  

Desenvolvimento do café começou há décadas atrás (Foto: reprodução/TV Tem)Desenvolvimento do café começou há décadas
atrás (Foto: reprodução/TV Tem)

O estado de SP é o maior produtor de cana-de-açúcar  do país. São 4 milhões e 500 mil toneladas produzidas todos os anos. O estado também lidera a produção nacional de tomate "in natura". As lavouras paulistas respondem pelo terceiro lugar no ranking nacional de produção de café. E de cada 100 toneladas de milho produzidas no Brasil, dez toneladas saem das lavouras paulistas.

O estado mais populoso do país é também o campeão nacional no cultivo de grama. Os números mostram a importância do agronegócio paulista na economia nacional. Uma história que começou muitos anos atrás.

Início dos plantios
Entre as cidades de São Paulo e 
Rio de Janeiro, o Vale do Paraíba tinha terra de sobra para o desenvolvimento da atividade agrícola. As matas foram derrubadas para dar lugar às lavouras. Logo a cana e principalmente o café, ganhariam destaque na economia paulista, como explica o historiador João Francisco Tidei de Lima. "O Brasil vai entrando pelo século 19 como país agrícola, basicamente agrícola, voltado para exportação. O tráfico foi abolido em 1850, essa abolição do tráfico, onde existe a pressão da Inglaterra , inclusive ela vai ativar o desenvolvimento de um tipo de imigração, a imigração estrangeira", ressalta.

Bem antes da chegada dos primeiros imigrantes europeus e do fim da abolição da escravatura, as autoridades perceberam que era preciso regulamentar a questão agrária. De acordo com os historiadores, a "Lei de Terras" só foi regulamentada em 1854 e ela dificultava o acesso às propriedades na medida em que o preço estabelecido pelo governo da época estava muito acima dos de mercado. Com a necessidade de mais terras para o plantio de café no estado, o então Sertão Paulista, começa a dar espaço às lavouras.

Toda manutenção dos cafezais e as colheitas eram feitas a mão (Foto: reprodução/TV Tem)Toda manutenção dos cafezais e as colheitas eram feitas a mão (Foto: reprodução/TV Tem)

Trilhos dos trens e a exportação
Estima-se que o Brasil tenha exportado quase 3 milhões e 400 mil toneladas de café nas primeiras décadas do século 19. O produto paulista seguia principalmente para a Europa. E a ferrovia se tornou o principal meio de transporte para escoar a produção até o porto de Santos.  Na mesma velocidade em que cresciam os cafezais, surgiam as linhas que iam cortando o interior. Os fazendeiros buscavam rapidez no escoamento da produção até o porto.

Os trilhos chegavam antes das fazendas em muitos lugares. Entre 1860 e 1872 as ferrovias paulistas somavam 300 quilômetros. Elas ligavam as cidades mais antigas do estado como Jundiaí, Sorocaba e Itu. Com o desenvolvimento do negócio, milhões de imigrantes europeus chegaram para substituir a mão de obra escrava. A produção, então toda manual exigia o trabalho de muita gente. Toda manutenção dos cafezais e as colheitas eram feitas a mão.

Trilhos de trem se desnvolveram junto com a agricultura (Foto: reprodução/TV Tem)Trilhos de trem se desnvolveram junto com a
agricultura (Foto: reprodução/TV Tem)

No século XIX a Europa vivia um período de ebulição e na medida em que o “velho continente” começava a se industrializar o antigo regime feudal foi perdendo espaço. Durante séculos os europeus se dividiram entre nobres que detinham as terras e servos que prestavam serviço aos senhores e em troca recebiam alimentação e segurança.

Com a ruptura desse sistema e o surgimento de indústrias e uma nova classe social que é a burguesia, os europeus que não conseguem uma posição melhor vão cruzar o Atlântico com o sonho de fazer fortuna na América.

No fim do século 19, os fazendeiros paulistas fizeram fortuna e passaram ater grande importância política no país. Em abril de 1873, em Itu, no então casarão da família Almeida Prado, os fazendeiros se reuniram em uma convenção. Anos mais tarde, ela resultou na proclamação da república. Na região de Itu eram os engenhos de cana que movimentavam a economia local até então. Mas, a cidade viveu depois outro importante ciclo agrícola, como conta a pesquisadora Anicleide Zequini.

"Vem outra agricultura muito forte em 1860 que é o algodão. Esse algodão vai proporcionar também um enriquecimento muito grande da região e de pessoas da cidade também e, além disso, ele vai proporcionar as presenças das fábricas de tecidos. Então, por exemplo, em Itu você vai ter a primeira fábrica da província de São Paulo que é tocada a vapor, que é a fábrica São Luís”, explica.

A fortuna do agronegócio influenciou até a arquitetura das cidades. Bocaina, no Centro-Oeste Paulista, ainda preserva os casarões construídos quando o café era a moeda forte. O produto era tão importante que ele ainda decora os portões do local onde funcionava o "Banco Melhoramentos do Jahu" instituição financeira que surgiu com a finalidade de fazer as transições monetária resultantes das safras.

Em Bauru, a fazenda Val de Palmas foi considerada uma das maiores produtoras de café do Brasil. A propriedade era tão importante, que contava com uma estação de trem na área. Os produtores agrícolas começaram a dominar o cenário nacional. O ituano, Prudente de Morais, foi eleito o terceiro presidente do Brasil e o primeiro que era civil. Os fazendeiros paulistas se mantiveram no poder até 1930, quando Getúlio Vargas assume a presidência , depois de derrubar o presidente Washington Luís. O país que até então dependia unicamente da agricultura, entra nos anos 30, na era industrial.

Cafeicultura influenciou na arquitetura das cidades como Bocaina (Foto: reprodução/TV Tem)Cafeicultura influenciou na arquitetura das cidades como Bocaina (Foto: reprodução/TV Tem)

Modernização e falta de mão de obra
Hoje o agronegócio paulista mudou. Ele, se modernizou, avançou  e cresceu. De todas as riquezas produzidas no Brasil, os economistas estimam que um terço esteja no campo. “Ele representa cerca de 27% de tudo que se produz neste país. O Brasil acabou investindo muito em tecnologia neste setor é vanguarda, podemos inclusive podemos dizer que temos dois mundos no agronegócio. Da economia familiar que é essa de subsistência em pequenas comunidades, e essa do agronegócio que já tem GPS, que já tem mapeamento. E é grande geradora de emprego também “, afirma o economista Reinaldo Cafeo.

Hoje a modernização mudou o cenário do agronegócio (Foto: reprodução/TV Tem)Hoje a modernização mudou o cenário do
agronegócio (Foto: reprodução/TV Tem)

Os antigos cafezais paulistas deram lugar a imensas áreas de cana por isso São Paulo hoje é o maior produtor de açúcar e etanol do país. Muitas das usinas que hoje trabalham a todo vapor, surgiram na última década e a agricultura ganhou outro aspecto. Mas manter a população no campo ainda é um desafio. Hoje só 15% dos brasileiros vivem na zona rural e muitos saíram em busca de melhores condições na área urbana e abandonaram a vida rural.

"O serviço na área rural além de ser difícil, você está no sol, você está na poeira, o ganho é pequeno, ele acaba migrando para cidade em busca de outro emprego. Então falta mão de obra no campo, e vem de outros lugares, do nordeste do norte do país, nós temos um excedente de mão de obra lá, porque lá as oportunidades são menores”, destaca Braz Albertini, presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado de São Paulo.

Hoje só 15% dos brasileiros vivem na zona rural e muitos saíram em busca de melhores condições (Foto: reprodução/TV Tem)

Hoje só 15% dos brasileiros ainda vivem na zona rural (Foto: reprodução/TV Tem)

 

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