Mercado

Porque o Robusta ocupou o espaço do Arábica? Por Paulo Henrique Leme

 

postado em 27/11/2012 | Há 4 anos

Paulo Henrique Leme publicou na Rede Social do Café em: 27/11/2012 10:35

Qualidade para o que?
 
Porque o Robusta ocupou o espaço do Arábica?
 
A indústria do solúvel, que cresce absurdamente em todos os países do mundo, menos no Brasil, usa como base o Robusta, principalmente no solúvel e nas misturas 3 em 1.
 
A indústria do T&M aprendeu a usar o Robusta nas ligas, mudando a torra e as ligas até os consumidores não perceberem a mudança no blend. Colocar Arábica especial, ao meu ver, não é o ponto, pois o café base que o mundo consome não precisa de arábica especial.
 
Hoje também podemos encontrar Robustas de qualidade no mercado mundial.
 
Lembre-se que uma das grandes tendências do mundo, as cápsulas de café, usam e abusam do Robusta em seus blends, vide Nespresso.
 
Esta mudança aconteceu sob nossos olhares... O cosumo de solúvel no Brasil também cresce... O consumo de cápsulas no Brasil também cresce...
 
Meu ponto é o seguinte: o Robusta atendeu melhor ao mercado do que o Arábica.
 
Agora sejamos construtivos e vamos rever alguns cenários.
 
Simplesmente vamos eliminar do mercado as milhões de sacas de cafés especiais e certificados que o Brasil produz hoje. O que vai acontecer? Vamos abrir, novamente, um espaço para os concorrentes centro-americanos e sul-americanos.
 
Não nos esqueçamos do espaço conquistado pelo nosso cereja descascado ano passado, foi a duras penas que ocupamos e conquistamos este mercado. A "foto" do mercado atual é ruim para a qualidade, mas e no ano passado, foi? E no ano que vem?
 
Vejam, o investimento em qualidade é de longo prazo, maquinários e mudanças no sistema de produção custam muito dinheiro. Não podemos abandonar o navio e deixar esse prejuízo no cofre. Investir em qualidade é uma mudança completa na cultura organizacional, e o retorno vem no médio e longo prazo.
 
Quanto ao mercado hoje, sim, é uma queda de braço. Os cafeicultores brasileiros apertaram o pé e não estão entregando seu café a qualquer preço.
 
A resposta dos compradores é tentar, ao máximo, substituir o Brasil. Especula-se que a safra do Vietnã foi de 26 milhões de sacas de café e que existe um novo blend no mercado, um tal de "Brazil synthetic" ou seja, um Brasil sintético, que mistura grande quantidade de Robusta com cafés da América Central.... Faz parte do jogo.
 
Qual a nossa saída?
 
Voltar a produzir "tipo Brazil", tudo misturado e sem identidade?
 
Ou
 
Investir em diferenciação de qualidade e sustentabilidade?
 
Agora, quanto a falta de união, isso é lastimável. Com o poder de votos que a cafeicultura tem, não ter um lobby fortíssimo no governo é lamentável...
 
 
Um abraço,
 
 
 
Paulo Henrique Leme (PH)

 

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