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#Especial: A SRB e a Defesa Permanente do Café

 

postado em 16/04/2012 | Há 6 anos

Sergio Parreiras Pereira | Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira em: 15/04/2012


A mensagem abaixo foi gentilmente encaminhada por Renato Ponzio Scardoelli, Jornalista da Sociedade Rural Brasileira - SRB
 
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Neste sábado (14), comemora-se o Dia Internacional do Café, e em razão da data, resolvemos contar alguns fatos marcantes da atividade cafeeira no Brasil.
 
Nos relatos abaixo, retirados do livro "Os 90 anos da Sociedade Rural Brasileira", os leitores poderão conhecer a atuação da Rural em defesa da Cafeicultura durante todo o século XX. Vale a pena conferir.
 
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#Especial: A SRB e a Defesa Permanente do Café
 
Nas reuniões de 1921 da Sociedade Rural Brasiliera (dois anos após sua fundação), os chamados barões do café, criaram uma comissão para estudar e ofertar aos poderes públicos sugestões de normas para regulamentar e proteger permanentemente a cafeicultura paulista e nacional.
 
“Este assunto nos interessa no mais alto grau e que por seu caráter de urgência sobreleva a tudo, até exigir toda nossa atenção, todo esforço para que a Sociedade delibere com urgência e se fixe definitivamente em uma fórmula, que constitua o projeto oficial da Sociedade para ser homologado pela Comissão Permanente da Lavoura e levado à consideração dos Poderes Públicos”, diz os "Annaes da Rural" de 1921.
 
“Como o Governo do Estado ainda não se tenha pronunciado a respeito sobre qualquer plano que pretenda realizar para a defesa permanente do café é de crer que esteja na expectativa de que a Lavoura, pelos seus órgãos representativos, afinal se pronuncie...Todos concordam unanimemente em que o aparelho de defesa permanente do café deve constar de três providências capitais:
 
a) Regularização da oferta nos entrepostos de exportação, por meio de regularização das descidas do café do interior;
 
b) Estabelecimento de um preço mínimo para a exportação, que garanta o custo de produção e deixe alguma margem de lucro – preço nunca inferior a $12000 por 10 quilos para o tipo 4;
 
c) Defesa financeira do preço mínimo e organização do crédito agrícola."
 
Essas ideias defendidas em reuniões acaloradas na sede da Rural em 1921 são os embriões de toda a regulamentação da política cafeeira existente nos dias de hoje.
 
Em junho de 1921, os diretores da Rural formularam o projeto Defesa Permanente do Café e apresentaram ao então presidente do Estado de São Paulo, Washington Luis.
 
O documento histórico continha argumentações que influenciariam a cafeicultura da época, e muitas delas são bastante atuais. Leia parte do documento:
 
“Estando comprovado que as crises ocasionadas pelo preço do café se reproduzem de tempos em tempos, com uma feição matemática, produzindo um desequilíbrio financeiro e econômico prejudicial não só à lavoura como a todas as forças vivas da Nação, e tendo todos, finalmente compreendido, que é tempo de se por um paradeiro a esse estado anormal, que vem também patentear à nossa imprevidência, a nossa falta de organização, passemos a analisar a causa desta situação, estudemos os elementos e os meios de que dispomos, no propósito firme de resolver este problema com segurança”, e continua:
 
“O Brasil concorre com 70% da produção mundial e tem atualmente em mãos 40% dos estoques de café em seus portos e no interior, resultando daí ótima posição do mercado, acrescida com aumento do consumo nos Estados Unidos, em vista da proibição da venda de álcool (Lei Seca nos EUA), o café constitui uma bebida de baixo custo e de grande procura”, argumentou o relato.
 
Pela proposta encaminhada pela Sociedade Rural Brasileira, além das proteções recomendadas, foi “sui generis” apresentar a ideia de um Banco Hipotecário e um Banco de Crédito Agrícola, além de uma proposta de aumentar o consumo interno e melhoria na organização comercial.
 
Anos depois criou-se o Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) que atuou no mesmo sentido de defender a cafeicultura.
 
Criação do Instituto do Café
 
Em 1923, foi proposta pela primeira vez numa reunião da Rural, a criação do Instituto do Café, idealizado pelo dono do Jornal “O Estado de S. Paulo”, Julio de Mesquita Filho. “No entanto, apesar dos exemplos tão convincentes, o nosso café está até hoje nas mesmas condições em que estava na Arábia há mais de 500 anos. Devemos pensar que se hoje, apesar dos pesares, o café é a principal fonte da riqueza nacional, poderá dar-se que amanhã ele deixar de o ser, por influência de pestes, degeneração da própria planta ou o que já se verifica, por depauperamento das terras. Será possível que São Paulo continue a tratar empiricamente o café? A criação do Instituto do Café é assunto de importância vital para nós”, disse Mesquita Filho, um dos fundadores da Rural. Esse tema foi largamente explorado ao longo de 1923 na Revista da Sociedade Rural Brasileira.
 
Histórica instalação do Instituto Brasileiro do Café (IBC)
 
No dia 07 de janeiro de 1953, fora instalada a diretoria provisória do Instituto Brasileiro do Café (IBC), entidade que regulamentou a produção e a comercialização do café nacional.
 
Todo o trabalho de fundamentação da criação do IBC fora desenvolvido pela Sociedade Rural Brasileira, inspirado no Instituto do Café paulista, órgão criado também pela Rural em 1923.
 
O sócio da Rural, Mário Penteado de Faria e Silva, fora nomeado presidente da então recém-criada instituição. “Incumbe a direção provisória do IBC preparar essa entidade para ser entregue aos legítimos representantes da lavoura cafeeira, conforme determina a lei, em cuja elaboração a Sociedade Rural Brasileira por incumbência da Mesa Redonda do Café (realizada em 1952), cujo delegado fora Luiz de Toledo Piza Sobrinho que incluiu várias cláusulas e emendas à lei do IBC”, dizia o texto.
 
“Realiza-se, às 15 horas, gabinete do Ministro da Fazenda (Horácio Lafer) a posse solene do Sr. Mario Penteado de Faria e Silva na presidência do Instituto Brasileiro do Café”, dizia a Ata da posse.
 
O IBC nascia com a missão de orientar a política cafeeira nos seguintes pilares: Gerar Estabilidade para a Cafeicultura; Análise da Concorrência externa; Modificar os processos de Exploração; Reduzir Custos de Produção; Melhoria da Qualidade; Melhorar a Comercialização do Café; Trabalhar a Recuperação de Zonas Velhas, tudo isso era acompanhado por uma junta administrativa, responsável por sua execução.
 
Renato Costa Lima no IBC
 
O então presidente da Sociedade Rural Brasileira, Renato Costa Lima, foi indicado pelo Ministro da Fazenda, Lucas Lopes, para ocupar a presidência do Instituto Brasileiro do Café (IBC). Segundo o Ministro: “Nesse esforço para vencer as dificuldades que todos conhecemos, contarão por certo, com a ajuda de uma valiosa equipe que hoje se dispõe a enfrentar com energia os problemas da nossa cafeicultura”, enfocou Lopes.
 
Já Costa Lima disse: “Oferecemos à lavoura cafeeira e ao nosso país nossa disposição de trabalho no sentido de bem cumprirmos os rumos traçados pelo governo com referência aos problemas de tal magnitude”, discursou.

 

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