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DRAWBACK SIM e DRAWBACK NÃO! Por Armando Matielli Sincal

 

postado em 09/04/2012 | Há 6 anos

Na sexta, dia 23/03/2012, em reunião organizada pela ASSUL e Sindicato de Monte Santo de Minas, filiado a FAEMG, foram discutidos diversos temas importantíssimos, como estocagem na entrada safra para regulagem de fluxo, e outros assuntos decisivos para a cafeicultura.
Um deles foi a necessidade de providenciarmos o contrato de Café Natural para sairmos da referência dos lavados. Isso traz um enorme prejuízo para o país. Temos 50% do mercado mundial de Arábica e ficamos sub julgados. Sempre vendendo abaixo de Nova York . O mundo cafeeiro não sobrevive sem o café brasileiro. O Brasil precisa ser o protagonista do mercado de café como formador de preços e não mais tomador de preços. Essa será sempre nossa meta.
Diversos outros aspectos foram apresentados pela CNA, Dr Breno Mesquita, com muita propriedade e pelo Dr. Silas Brasileiro do CNC, que vem enfocando aspectos de grande interesse para nosso segmento. As apresentações foram de alto nível e, percebemos plenamente uma interação dos participantes endossado pelo Dep. Federal Diego Andrade , Presidente da Frente Parlamentar do Café. A reunião foi em um clima de união de interesses com estratégias voltadas aos cafeicultores e ao país. Excelente!

Alertamos aos líderes que o sucesso da estocagem está diretamente vinculado ao preço do financiamento por saca. Dr Breno esclareceu que será 80% do valor de mercado e que teremos verbas do FUNCAFÉ e outros, para estocarmos 15.000.000 de sacas. Assim, teremos um rápido retorno às bases ideais de preço. Possibilidade de até ultrapassarmos os preços na faixa de R$ 500 –R$600/saca. Valores que reinaram nos últimos tempos.

A SINCAL também alertou a necessidade de um planejamento estratégico para os dez próximos anos. Esse planejamento feito com anteparos técnicos e mecanismos no intuito de sermos os mandantes mundial da política cafeeira. Outro ponto foi o respaldo técnico quando anunciarmos as previsões de safra, como a de 2012/2013. É uma enorme inocência falarmos de safra recorde sem os devidos mecanismos de apoio aos preços. O mercado adora ouvir um número solto. Essas suposições, provocaram verdadeiros Tsunamis nos preços do café. As lideranças concordaram com nosso ponto de vista em relação à divulgação de estimativas de safra.
Tratamos também do Drawback. Isso é preocupante. Para usar essa ferramenta, precisamos exigir do país fornecedor documentos comprovando os mesmos regulamentos e leis que o Brasil modernamente possui em termos ambientais e sociais.

Será um enorme contra-senso, após anos de luta na modernização da cafeicultura, com regras e leis ambientais e trabalhistas – caríssimas - que atendem plenamente uma produção moderna, justa e com sustentabilidade. Como vamos importar cafés de países que praticam crimes ambientais? Para nós, esses países usam de mão de obra exploratória, muitas vezes infantil e sem nenhuma responsabilidade social. Será um desastre importarmos cafés produzidos sem os mesmos cuidados que temos aqui e depois exportamos esses cafés. O Brasil passará a ser protagonista do abuso social e ambiental, com o único objetivo de mercenarismos econômicos.
Além disso, é necessário um plano técnico para as possíveis importações desses cafés, devendo ocorrer definições desse plano quanto a verdadeira necessidade do mecanismo e da quantidade. Qual tipo de café será importado? Por que será importado? Qual quantidade? Será usado em algum blend? Ou seja, qual a justificativa técnica para o Drawback?
Só aceitaremos as importações dentro das condições que elencamos acima: cafés social e ambientalmente corretos, além de um detalhamento técnico de logística. Assim que comprovada, em primeiro lugar, a justificativa desse mecanismo e em seguida, comprovados que os fornecedores seguem leis tão rígidas quanto as nossas, a SINCAL dirá “SIM” ao Drawback. No caso contrário, "NÃO" ao Drawback.

Armando Matielli - Presidente Executivo da SINCAL
Engenheiro Agrônomo e Cafeicultor em Guapé - MG

 

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