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VBP tem forte alta em Minas com destaque para do Café

Café, destaque do agronegócio, foi responsável pela maior evolução da renda estadual.

 

postado em 23/01/2012 | Há 5 anos

MICHELLE VALVERDE.

A valorização das commodities agrícolas nos mercados externo e interno proporcionou um aumento de 18,5% no Valor Bruto de Produção (VBP) das principais lavouras de Minas Gerais ao longo da safra 2010/11. O índice de crescimento observado no Estado foi superior à média nacional, que no período evoluiu 11,9%. O levantamento do VBP foi divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O café, principal produto do agronegócio mineiro, foi o responsável pela maior evolução da renda estadual em relação à média Brasil. A expectativa para a safra 2011/12 é que o VBP continue em ascensão, porém o crescimento tende a ser menor.

De acordo com coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Pierre Santos Vilela, a redução do índice crescimento poderá ocorrer devido à crise financeira europeia e norte-americana. O receio se deve as estimativas de mercado que apontam para uma redução da cotação das commodities.

"A tendência é que os preços sejam reduzidos, porém se manterão em patamares rentáveis para os produtores. O resultado do VBP poderá ser afetado com a redução dos preços, porém, a previsão de uma safra maior de grãos e café de alta qualidade, compensará, em partes, as perdas nos valores das commodities", disse Santos Vilela.

Segundo os dados do Mapa, em 2011, o VBP de Minas Gerais foi de R$ 21,8 bilhões, alta de 18,5% se comparado com o resultado do ano anterior. No país a evolução foi de 11,9%. No período, o valor da produção referente às principais lavouras totalizou R$ 205,9 bilhões.

Café - No Estado, destaque para o café. Somente o VBP do grão chegou a R$ 11,190 bilhões, elevação de 30,26% sobre os resultados de igual período anterior. O produto respondeu por 51% do VBP total de Minas Gerais.

De acordo com Santos Vilela, a valorização do café nos mercados interno e externo, devido aos estoques reduzidos em um período de alta no consumo, fez com que os preços do grão fossem alavancados. Além disso, mesmo em um ano de bianualidade negativa, a produção mineira não apresentou queda substancial, o que contribuiu para a evolução do VBP.

"A tendência é que os preços pagos pelo café recuem ao longo deste ano, apesar disso a queda não será expressiva mesmo em período de alta produção. A quebra de safra em países tradicionalmente exportadores da América Central irá contribuir para a uma menor oferta no mundo e, conseqüentemente, para a sustentação dos preços em níveis lucrativos para os cafeicultores".

Outro destaque na formação do VBP de Minas foi o algodão. Em 2011 devido aos preços atrativos, produtores do Estado investiram significativamente na expansão da cultura. O VBP da cultura aumentou 195,19% no ano, alcançando a cifra de R$ 172,4 milhões, contra R$ 58,4 milhões gerados no ano anterior.

De acordo com Santos Vilela, o resultado não será repetido em 2012."A demanda mundial pelo algodão, no início de 2011, era grande e os preços foram recordes, o que alavancou os investimentos na produção. Porém, os produtores plantaram com preços elevados e na hora da colheita e comercialização, a alta oferta derrubou a cotação desestimulando novas ampliações".

Resultado positivo foi observado na cultura da cana-de-açúcar. A receita gerada em 2012 foi de R$ 3,565 bilhões, o que representou alta de 26,55% sobre os resultados de 2010, quando o VBP era de R$ 2,817 bilhões.

Milho - No caso do milho, o VBP ficou 46,42% superior gerando R$ 2,744 bilhões, ante R$ 1,874 bilhões registrado em 2010. A tendência é que o VBP do milho continue em evolução em 2012.

Segundo Vilela, a quebra de safra no Sul do país, Paraguai e na Argentina poderá sustentar os preços do milho, mesmo diante ao aumento da produção mineira. O valor da saca de 60 quilos, que hoje está em torno de R$ 25, deverá variar entre R$ 22 e R$ 23 no período de colheita.

"As expectativas em relação à cultura são positivas. Os produtores em 2011 estavam bem capitalizados e com condições de investir nos tratos culturais e na aquisição de sementes de alta qualidade e transgênicas para o plantio da safra 2012. Esses fatores aliados às condições climáticas favoráveis estimulará o aumento da produtividade do milho", disse Santos Vilela.

As culturas que tiveram desempenho negativos na formação do VBP foram a batata com redução de 42,2% e valor de R$ 719,6 milhões, seguida pela banana, que acumulou redução de 25,6% e VBP de R$ 318 milhões e o feijão, que apresentou queda de 1,8% e receita de R$ 1,002 milhão.

 

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