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PT cresce com a crise

 

postado em 30/10/2011 | Há 6 anos

30/10/2011 
  
O script é parecido: basta cair um ministro e o Partido dos Trabalhadores aumenta a fatia nos cargos de segundo escalão da Esplanada. Agora, os petistas miram o Esporte
 
Denise Rothenburg | Correio Braziliense

A cada crise que atingiu a Esplanada nos últimos meses, a presidente Dilma Rousseff ou o PT conseguiram emplacar alguns dos seus em postos importantes. Sem o estardalhaço característico do sobe e desce de ministros, os pedaços de governo de cada um dos partidos vão ficando diferentes. O único lugar que ficou totalmente fora do domínio petista é o Ministério do Esporte, conforme estudo de partidos aliados. O novo ministro Aldo Rebelo assume amanhã com carta branca para alterar a equipe, mas não terá vida tranquila, uma vez que a briga em torno dos cargos de segundo escalão pelo controle da Copa do Mundo começa agora.

O PT ensaiou a apresentação de Marta Suplicy (PT-SP) para o lugar de Orlando Silva no ministério, mas a operação morreu no nascedouro porque Dilma avisou que não iria tirar a pasta de seu aliado histórico, o PCdoB. Os petistas não desistiram, porém, de tentar algum espaço na pasta até 2016.

Até agora, nenhum ministério escapou do afã petista por cargos. Nem mesmo o PMDB conseguiu as tais porteiras fechadas. No Turismo, o partido permaneceu no comando com a nomeação de Gastão Vieira no lugar de Pedro Novais. Mas, há seis dias, o Diário Oficial da União trouxe o nome de Valdir Moysés Simão para o cargo de secretário executivo. Ex-secretário de Fazenda do Distrito Federal na gestão de Agnelo Queiroz, Simão é um técnico ligado ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ou seja, responde a Dilma mais do que ao próprio ministro.

Na Agricultura, o ministro, Mendes Ribeiro, é mais ligado à presidente do que ao próprio partido — ele foi o único peemedebista de peso no Rio Grande do Sul a fazer campanha aberta para Dilma. A amizade entre os dois permitiu que ele tivesse mais liberdade de escolha da equipe. A Secretaria Executiva, por exemplo, cargo-chave em qualquer ministério, ficou com José Carlos Vaz, ligado ao PMDB. O único lugar onde Mendes Ribeiro não teve carta branca foi na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ali, quem comanda hoje é o PTB. “Temos a Conab. Na Casa da Moeda, o indicado é nosso, mas quem manda é o Mantega”, contou o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Mesmo no Ministério de Minas e Energia, onde a relação entre Dilma e o ministro, Edison Lobão, é de muita parceria, o PMDB vive num empurra-empurra com os petistas. O secretário executivo, Márcio Zimmermann, é mais ligado à presidente Dilma do que ao ministro. O mesmo vale para o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli. Não por acaso, o PMDB agora se movimenta para tentar emplacar o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no lugar de Haroldo Lima, do PCdoB. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) também não é um nicho do PMDB. O partido indicou o diretor, mas a área de finanças pertence ao PT. Furnas, que foi lote do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje é território de Dilma.

Laços políticos
Nos Transportes, a briga pelo poder continua. O ministro Paulo Sérgio Passos ficou, mas não teve influência para nomear ninguém. Para a Valec, que cuida das ferrovias, até o ex-ministro José Dirceu constava na lista de padrinhos de um candidato a diretor. Mas o PMDB conseguiu algum trunfo por ali. O diretor presidente, nomeado este mês, é José Eduardo Castello Branco, técnico com laços políticos. Ele já foi subsecretário de Fazenda e Planejamento de Duque de Caxias (RJ) e até este mês ocupava o cargo de subsecretário da Secretaria de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro. É técnico, mas tem ligações com o PMDB de Cabral. Ou seja, o ministro não teve influência na nomeação.

Passos não é o único que não controla a equipe. Em Cidades, o ministro, Mário Negromonte, do PP, não tem todos os cargos. Uma das principais secretarias, a Nacional de Habitação, responsável pelo Minha Casa, Minha Vida, quem comanda é Inês Magalhães, do PT. Inês costuma despachar direto no Planalto. Não pode ser demitida pelo chefe direto.

Não é apenas onde os aliados têm a vitrine que o PT emplaca os seus. Na Saúde, área reconquistada há 10 meses, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) vai aos poucos mudando de comando nos estados. Desde o semestre passado, quando o deputado Odair Cunha (PT-MG) emplacou o presidente Gilson Queiroz, a fundação virou um cabo de guerra entre os partidos. Este mês, no Rio de Janeiro, por exemplo, saiu Luiz Eduardo Martins e assumiu Carlos Moreira. A troca teve como intenção facilitar o apoio do PR na aprovação da Desvinculação de Receitas da União — o projeto até hoje não foi ao plenário.

 

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