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CAFÉ: MERCADO BALANÇA COM TURBULÊNCIA NA EUROPA

 

postado em 29/10/2011 | Há 6 anos

Outubro está chegando ao final como um mês marcado pelas preocupações, mais uma vez, com a economia na zona do euro, com o foco sendo a busca de soluções para a caótica situação de dívidas na Grécia e os temores de contaminação da crise pela Europa e pelo mundo, em forma da temida recessão. As dificuldades na economia americana foram obscurecidas, inclusive, diante das reuniões de líderes europeus à procura de saídas para a questão grega.

E os mercados balançaram, tremeram, passaram por ampla volatilidade dia-a-dia com as notícias relacionadas aos problemas na Europa. O dólar subiu e desceu contra outras moedas, bolsas de valores também e da mesma forma as commodities nas bolsas de futuros. Temerosos ou esperançosos, investidores, fundos e especuladores em certos momentos fugiam de papéis de maior risco e em outros entravam comprando com melhores expectativas, de acordo com o noticiário econômico. Com o café, não foi nada diferente. O mês foi de muita volatilidade perante essas incertezas macroeconômicas, afora os fundamentos para o grão.

Agora no final do mês, dia 27, veio a “boa” notícia de que líderes europeus aprovaram um pacote de ajuda à Grécia, que enfrenta vultosas dívidas. E o mercado de café, como outros, respondeu positivamente.

Nos fundamentos, as atenções estão voltadas para o clima em regiões do globo que estão em período de colheita e para as condições das floradas e pós-floradas no Brasil, que vão resultar na safra do ano que vem. As notícias de chuvas excessivas nas regiões de café arábica de alta qualidade  (grão que o mundo mais carece) na América Central e Colômbia, geram apreensão. Além de possíveis prejuízos em produtividade e qualidade, a logística de exportação é toda prejudicada. O Vietnã, produtor de robusta, também enfrenta os problemas de excesso de precipitações.

O cenário continua sendo de aperto na oferta contra a demanda de café e o tamanho das safras da América Central, Colômbia e Vietnã é decisivo para o futuro do mercado. Confia-se em boas colheitas na temporada que se inicia nessas regiões, depois de uma safra modesta no Brasil em 2011. Da mesma forma, é preciso uma grande produção brasileira em 2012 para que haja fôlego na oferta, diante das sucessivas quedas nos estoques globais nos últimos anos.

No balanço mensal, a Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) no contrato dezembro do arábica fechou o dia 27 de outubro a 234,60 centavos de dólar por libra-peso, com aumento de 2,5% no acumulado do mês, no comparativo com o final de setembro, quando o mercado fechara a 228,90 cents/lb.

Já o mercado físico brasileiro teve de lidar com as voláteis referências de NY e do câmbio. Produtores e compradores foram cautelosos, com os cafeicultores aproveitando repiques de preços externos para negociar um pouco mais, enquanto o comprador manteve-se cauteloso. No balanço mensal no mercado brasileiro, o arábica bebida boa no sul de Minas Gerais terminou a quinta-feira (27 de outubro) a R$ 502,00/507,00 a saca de 60 quilos, com declínio contra o fechamento de setembro (R$ 510,00/515,00). Apesar da alta no acumulado do mês em NY, a queda do dólar no nosso mercado pressionou as cotações do café em reais no Brasil. A moeda americana no balanço mensal até 27 de outubro caiu 9,2% no comercial.
 

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