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Conab vai ser reformulada, avisa ministro

Mendes Ribeiro diz que aguarda o resultado das investigações da CGU para fazer mudanças

 

postado em 25/09/2011 | Há 6 anos

 
 
JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, afirmou que fará uma ampla reformulação na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ele aguarda apenas a conclusão das sindicâncias que estão sendo realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) em toda a área da Agricultura e pelos levantamentos que pediu à própria empresa, para se inteirar de seu patrimônio.

"Ninguém promove mudanças de graça. Elas vão mexer com a estrutura da Conab", disse Mendes Ribeiro ao Estado. Ele substituiu Wagner Rossi, indicado pelo PMDB. O novo ministro, que é deputado, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff entre os nomes apontados pela sigla. Ele é amigo da presidente há mais de 20 anos. Atuaram juntos no Rio Grande do Sul.

O ministro disse que não pretende fazer mudanças contra essa ou aquela pessoa, mas dentro do espírito da reforma que fará no ministério e das recomendações que lhe foram dadas pela presidente. Por enquanto, ele emplacou duas pessoas de sua confiança no Conselho de Administração da Conab: José Carlos Vaz, secretário executivo, e José Gerardo Fontelles, assessor especial de seu gabinete.

Mendes Ribeiro sabe que tem de atuar com cuidado. Nega pressão para manter as indicações partidárias na Conab, mas elas existem. Há uma intensa movimentação no PTB para manter Evangevaldo Moreira na presidência da estatal, assim como no PMDB e no PT para segurar os diretores Rogério Abdalla e Sílvio Porto. "Sou amigo do líder Jovair Arantes e não senti por parte dele nenhuma pressão", disse o ministro. Arantes é o padrinho político de Evangevaldo.

Como a Agricultura é um feudo político - e o ex-ministro Wagner Rossi é protegido do vice-presidente Michel Temer (PMDB) -, Dilma pediu cuidado ao novo ministro. As mudanças, se ocorrerem, deverão se basear no resultado das investigações da CGU. Por enquanto, a Conab está sem diretor financeiro. Oscar Jucá Neto, o último tesoureiro, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi demitido depois de se desentender com Rossi.

Patrimônio. Mendes Ribeiro disse que ficou impressionado com o tamanho do patrimônio da Conab e com o seu mau uso. Tanto é que determinou ao diretor de Operações da empresa que faça um levantamento do patrimônio da estatal o mais rapidamente possível. "O pessoal está trabalhando, fazendo os levantamentos que pedi. Se me meter, sou capaz de atrapalhar", disse. Quanto aos parentes de políticos que trabalham na Conab, o ministro afirmou que o critério para mantê-los é a capacidade de trabalho. "Ninguém tem culpa por ser filho desse ou daquele. Tem é que ver a capacidade." 

 

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