Produção

Alto poder aquisitivo dos brasilienses atrai comércio especializado em café

 

postado em 25/09/2011 | Há 6 anos

 
Hoje, as lavouras locais garantem safras de grãos de primeira qualidade
 
Diego Amorim | Correio Brazilense

24/09/2011 


Luciana Sturba investiu mais de R$ 1 milhão para ampliar o espaço da sua loja: "Foi preciso expandir para atender à demanda"

Os brasilienses não se satisfazem mais com qualquer cafezinho. A exigência de grãos especiais aqueceu um mercado sofisticado de cafeterias e lojas especializadas na cidade, sobretudo nos últimos quatro anos. Redes locais e outras já consagradas nacionalmente se atentaram para o potencial desse público e, na esteira da expansão gastronômica, se instalam em shoppings e comerciais do Plano Piloto. Restaurantes, padarias e supermercados passaram a oferecer aos clientes marcas renomadas de café, que ainda encontraram espaço em escritórios de luxo.

Empresários apostam num salto exponencial do mercado de cafés daqui para frente. Os espaços comandados por baristas ainda não somam 10 em Brasília, número considerado irrisório para a demanda crescente. Por ora, não existe uma radiografia consolidada do segmento, mas os donos das lojas comentam que a capital federal desponta como a terceira melhor praça do país, atrás somente de São Paulo e Rio de Janeiro. Os investimentos em máquinas e infraestrutura e o movimento em alta nas casas especializadas sustentam o discurso.

A fazenda onde nasceu o café Cristina, há 10 anos, fica no Sul de Minas Gerais, mas foi em Brasília que a empresa ganhou corpo. A capital de população viajada e com alto poder aquisitivo virou matriz da marca presente hoje em cerca de 120 pontos comerciais espalhados pelo Distrito Federal e em Curitiba, além de Emirados Árabes e Nova York. O showroom, nos fundos de um prédio da comercial da 202 Norte, conta com o trabalho de Thamy Bruno, atual campeã regional de barista. “O crescimento desse mercado em Brasília é assombroso”, diz ela.

No último ano, a empresa reforçou o quadro de distribuidores, todos especializados em café. “Os brasilienses recebem bem os produtos de luxo e a estabilidade econômica da cidade nos permite pensar a longo prazo”, comenta o sócio-diretor Pedro Lisboa. O quilo do café Cristina varia entre R$ 48 e R$ 70. O próximo passo da marca é ampliar as vendas pela internet e aprimorar o serviço delivery. “Nosso desafio é fazer com que os cafés especiais entrem também na casa dos brasilienses, e não apenas nas cafeterias e restaurantes”, explica o gerente do showroom, Bruno Marcelo de Brito.

Aos poucos, a procura por cursos de café caseiro e barista prova o interesse dos brasilienses em mergulhar no assunto. Pelo menos 100 pessoas participaram das aulas no Grenat Cafés Especiais, na 202 Sul, desde 2008, quando a cafeteria abriu as portas, com um pequeno balcão e capacidade para 35 pessoas. Em dezembro do ano passado, após um investimento de mais de R$ 1 milhão, o espaço triplicou de tamanho e passou a acolher o dobro de clientes. “Foi preciso expandir para atender a demanda. Em algumas horas do dia, a loja lotava”, conta a proprietária, Luciana Sturba.

Em média, 220 xícaras de café são enchidas todo dia no Grenat. Por mês, saem cerca de 200kg de grãos. O gasto médio de cada cliente é de R$ 30. Só um cafezinho expresso custa R$ 4. O sucesso do estabelecimento — que também vende máquinas, coadores e canecas — fez a paulista Luciana se tornar consultora no segmento, ajudando outros empresários a abrirem lojas especializadas em Brasília e fora da cidade. “Não tenho dúvidas de que o mercado vai crescer ainda mais. Quem conhece o bom café não toma mais qualquer café.”.

A Nespresso, da Nestlé, chegou a Brasília em março de 2010 com uma unidade no Iguatemi. A empresa não divulga números regionais, mas o diretor na América Latina, Stefan Nilsson, diz que o desempenho na capital federal tem surpreendido. “É um público especial para nós. Há muita gente na cidade com alto poder aquisitivo e que viaja o mundo inteiro”, completa. O Nespresso é vendido em 80 estabelecimentos, como nos restaurantes Dudu Camargo, Cocobambu, Bela Sintra, Dom Francisco, Dona Lenha, Soho, Porcão e Taypa.

Qualidade
Uma das mais populares bebidas tem uma cotação na capital federal que varia de R$ 0,50 a R$ 6, dependendo da qualidade do grão e do requinte do ambiente em que é servida. Os preços obedecem à lei da livre oferta. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que rastreia a procedência e o processamento dos grãos usados em cafés gourmet, faz controle de qualidade.

Alta de 307%
De 2003 a 2008, o hábito de tomar café no Brasil, principalmente fora de casa, registrou aumento de 307%, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). Em agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçou que o arroz, o feijão e o café são os produtos mais consumidos pela população brasileira

 

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