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Produtores do Triângulo Mineiro buscam soluções para a seca que atinge a região

Reivindicações incluem pedido para que órgãos como o Dnit se responsabilizem pela prevenção de incêndios nas margens de estradas, que colaboram para o aumento da seca

 

postado em 23/09/2011 | Há 6 anos

23/09/2011 
 
Reivindicações incluem pedido para que órgãos como o Dnit se responsabilizem pela prevenção de incêndios nas margens de estradas, que colaboram para o aumento da seca
 
11h12
Marcelo Lara | Araguari (MG)

O período de seca em Minas Gerais chega ao ponto mais crítico. No Noroeste e Leste algumas cidades não registram chuva há mais de cinco meses. O resultado vem no avanço das queimadas.

Minas é o terceiro Estado com maior número de queimadas. Desde o início do inverno, foram registrados mais de 3,8 mil focos. No Triângulo Mineiro, os produtores participaram de uma audiência pública para buscar soluções, já que, na maioria das vezes, os incêndios são acidentais ou vêm de atos de vandalismo, partindo das margens das rodovias e ferrovias.

A seca que castiga a região faz parte do calendário dos mineiros. Em cinco meses, apenas uma chuva significativa atingiu o Triângulo Mineiro e, mesmo assim, somente parte da região. A vegetação se transforma em combustível para os incêndios que geram prejuízos aos produtores e ao meio ambiente, e ainda colocam em risco a vida dos motoristas nas rodovias.

As cinzas desta semana mostram que o fogo não chegou a entrar na fazenda de Jaime Bataglini no município de Araguari. O combate foi a tempo e a sorte ajudou. As árvores do Cerrado resistem às queimadas que se tornam um pesadelo e deixam os produtores sempre em alerta.

– Estou nesta propriedade há dez anos, no início, que era beira de rodovia como é até hoje, eu via fogo e saía apavorado com a minha pequena máquina, meu pulverizador, minha bomba, meu bombeiro, para apagar o fogo. Nos últimos dois anos, desanimei, vi que o fogo estava acontecendo ao natural, toda semana. Agora, é só pedir a Deus que cuide das nossas florestas, das nossas matas. Estamos no final de setembro e nada de chuva – declarou Bataglini.

A gravidade de uma queimada depende da direção e intensidade dos ventos. Nos últimos meses, os produtores mineiros da região de Araguari fizeram um documento com abaixo-assinado e encaminharam ao Ministério Público. Com apoio do Instituto Estadual de Florestas (IEF), produtores querem envolver os órgãos que cuidam das estradas e ferrovias como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e rede ferroviária para que se responsabilizem pelos trabalhos de prevenção nas margens de domínio público onde começam 90% dos incêndios.

O produtor rural Gilberto Ferrarini já enfrentou queimadas que acabaram com parte de seu cafezal. Agora, ele ajuda a mobilizar os produtores na busca por uma solução que possa reduzir a insegurança que se repete nos meses de julho, agosto e setembro.

– Nós não temos autorização dos órgãos para poder mexer ou fazer qualquer intervenção nas áreas às margens da rodovia. Nós buscamos o apoio do IEF e do promotor público, para que ele possa, junto com esses órgãos, exigir para que essa recuperação, ou essa intervenção nestas áreas seja autorizada, para que se possa fazer uma gradeação da terra, uma roçada de forma que não forme mais esta massa seca no período das queimadas – disse Ferrarini.

O abaixo-assinado rendeu uma audiência publica em Araguari com produtores rurais, representantes do DER, DNIT e rede ferroviária. Os órgãos deixaram claro que não têm orçamento para cuidar de todas as áreas de domínio de uma maneira mais eficiente.

– O DNIT hoje tem orçamento para fazer limpeza na vegetação somente em cinco metros do acostamento, nós temos até 40 metros. Infelizmente não tem recurso para fazer limpeza em sua totalidade – frisou Elias João Barbosa, engenheiro supervisor do DNIT de Uberlândia.

Os produtores também não querem arcar com mais este gasto. A proposta que contempla prevenção e educação para evitar queimadas por vandalismo e pode se transformar em projeto veio do Instituto Estadual de Florestas.

– Que seja apresentado pelos órgãos competentes como DER, DNIT e a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) um plano anual de prevenção a incêndios, que este projeto seja apresentado para o promotor que contemple tanto a manutenção, a limpeza das margens e contemple também atividades de educação ambiental, para conscientização dos motoristas, dos pedestres e dos proprietários no entorno destas faixas de domínio – falou Edylene Guimarães, supervisora do IEF em Uberlândia.

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