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Alta do dólar neutraliza queda de preços do café no mercado

 

postado em 22/09/2011 | Há 6 anos

 
22/09/2011 - Jornal da Mídia


São Paulo- A disparada da cotação do dólar em relação ao real permitiu aos produtores e exportadores agrícolas compensar as quedas de preços no mercado internacional de commodities e, no caso do café, não foi diferente. Mas a alta não deve se sustentar por muito tempo. Segundo estimativa do diretor-geral do Conselho dos Exportadores de café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, o valor da moeda norte-americana vai cair, "não para o mesmo nível que estava, em torno de R$ l,60, mas deve ficar próximo de R$ l,75".

No início do dia, a cotação atingiu R$ l,95, mas, em uma hora, baixou para R$ 1,87 após as intervenções do Banco Central, que fez operações de swap cambial (compra e venda de moeda no mercado futuro). A autoridade monetária vendeu US$ 2,7 bilhões em contratos futuros, de um to tal ofertado de US$ 5,6 bilhões. Só este mês, até às 14h20 de hoje, o dólar se valorizou 15,95%.

Na avaliação do dirigente do Cecafé , uma crise de liquidez dos bancos europeus "pode levar à busca de proteção no mercado do dólar", alimentando a valorização da moeda norte-americana. No entanto, conforme ponderou, o dólar já estava bastante desvalorizado no Brasil. "Nesse momento em que os preços internacionais do café e de outras commodities tiveram forte queda, a desvalorização da moeda [real] vai permitir a manutenção dos preços internos e compensar um pouco a queda dos preços internacionais", disse Guilherme Braga.

De acordo com ele, em razão da crise econômica que atinge os Estados Unidos e os países da zona do euro, os preços do café chegaram a cair 3,5% ontem. Apesar do ceticismo dos analistas em relação às medidas tomadas pelos Estados Unidos para evi tar uma recessão e das incertezas referentes ao endividamento da Grécia, de Portugal e da Itália, estão mantidas as projeções de crescimento de 10% da receita de exportação do café brasileiro. O valor deverá passar de US 7,4 bilhões para US$ 8,2 bilhões, com 32 milhões de sacas embarcadas, ante 33 milhões no ano passado.

 

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