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Colheita precoce provoca 20% de perda

Cuidados de manejo na pré e pós-colheita garantem boa qualidade do café e alta produtividade ao agricultor

 

postado em 28/07/2011 | Há 6 anos

Kamila Pitombeira

Para garantir uma colheita de sucesso na cafeicultura, os produtores devem estar atentos a algumas regras de manejo e cuidados especiais em cada etapa da produção. Tanto na pré-colheita, quanto na colheita, existem regras que devem ser seguidas para garantir a qualidade dos grãos. A colheita precoce, por exemplo, pode prejudicar a produção em até 20%. Segundo Sérgio Maurício Donzeles, pesquisador da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), antes da colheita, o produtor deve realizar algumas práticas preventivas.

Para ele, o cafeicultor deve fazer uma arruação leve, reformar as estradas e lavouras, adquirir materiais necessários, limpar as tulhas e os terreiros retirando restos de café da safra anterior, verificar o sistema de abastecimento de água que será utilizado, fazer a revisão e manutenção de equipamentos, além da limpeza dos lavadores e descascadores dos terreiros utilizando uma vassoura hidráulica. Ele deve realizar também uma higienização com água de hipoclorito de sódio na proporção de 1L para 100L de água.

— As lavouras de café do Brasil apresentam mais de uma floração. O cafeeiro produz no mesmo ciclo produtivo frutos com diferentes fases de desenvolvimento e maturação. Sabe-se que o fruto ideal se dá no estágio de cereja. O café colhido precocemente provoca prejuízo no tipo e na bebida, podendo atingir um índice de 20% de perda em relação ao rendimento final. No entanto, quanto mais tempo o café permanecer na árvore ou no chão, maior será a incidência de grãos ardidos, causando perda de massa seca e qualidade — afirma o pesquisador.

Por isso, ele recomenda que o agricultor faça uma amostragem de cada lavoura para decidir sobre onde começar a colheita. Para a realização dessa amostragem, Donzeles explica que o produtor deve colher quatro plantas por talhão ou lavoura e levar para o terreiro. Dali, ele retira uma amostragem de café e faz a contagem dos grãos para saber a porcentagem de grãos verdes. Recomenda-se o início da colheita quando, no mínimo, 80% dos grãos estiverem maduros.

— Para se ter um café de qualidade, o ideal é que os produtores iniciem a colheita quando o percentual de grãos verdes for igual ou inferior a 5%. Uma amostragem bem feita dá uma idéia exata do grau de maturação, pois os grãos verdes ficam escondidos nas folhas e os vermelhos ou amarelos se sobressaem em virtude do contraste das cores, passando, às vezes, uma falsa idéia sobre o ponto de maturação do fruto — diz.

Ainda de acordo com ele, depois da colheita o café deve ser levado para o lavador.  Nesses equipamentos, após a abanação, o café é transportado em uma bica de jogo onde ocorrerá a separação de impurezas grosseiras. Em seguida, os frutos bóias (constituídos pelo café seco, frutos super maduros e quase secos, frutos chochos e mal granados, frutos verdes e maduros com apenas uma semente desenvolvida) flutuam sobre a água sendo transportado para a primeira saída. Já os frutos mais pesados, constituídos pelos frutos verdes e maduros, são transportados por um fluxo ascendente de água que força a passagem deles por uma abertura que se comunica com a segunda caixa lateral. Isso permite a recondução dos frutos para a superfície da água e seu transporte para a segunda saída lateral.

— Depois da separação, os cafés bóia e cereja devem ser secos separadamente por apresentarem teores de umidades diferentes. No preparo por “via seca”, o fruto é seco na forma integral, sem separar os frutos verdes dos cerejas, dando origem aos cafés denominados coco, terreiro ou natural. Já o processamento por via úmida, dá origem aos cafés cerejas descascados, desmucilados e despolpados. Neste processo, a fração de frutos cerejas e verdes entram no descascador mecânico onde são realizadas a separação dos frutos verdes e da polpa presentes nos grãos cerejas. Neste processo, acontece a separação dos grãos constituídos pelo endosperma, pergaminho e uma quantidade remanescente de mucilagem, o que dará origem aos cafés descascados. Eles apresentam como vantagem, quando bem preparados, um café de bebida fina, encorpada e com sabor natural. Para a obtenção do café tipo cereja desmucilado e despolpado, o restante da mucilagem aderida ao pergaminho é retirado mecanicamente em desmucilador ou em tanque de fermentação — explica o pesquisador.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Epamig através do número (31) 3489-5000.

 

Fonte: Portal Dia de Campo

 

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