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CERTIFICADOS DO "C" NAS MÍNIMAS DE 11 ANOS Por Rodrigo Costa

 

postado em 25/07/2011 | Há 6 anos

Depois de 21 meses de duração da crise no mercado de débitos soberanos, e de inúmeros encontros entre líderes europeu buscando uma alternativa que não prejudicasse ainda mais a região, o mercado financeiro teve uma semana mais animadora. Alemanha e França entraram em um acordo em trazer investidores privados para compartilhar um novo pacote de ajuda à Grécia, com os bancos credores se comprometendo com um programa de troca de bonds e redução do valor principal dos títulos do país. De quinta para sexta-feira os juros dos títulos gregos caíram de 40% para 26%, e as notícias ajudaram as principais bolsas a estender seus ganhos encerrando a semana com valorizações entre entre 1% e 6% .

Para o mercado de moedas a indicação de um acordo na Europa e a agência Standard and Poor’s (S&P) declarando que há 50% de chance de um rebaixamento da nota de classificação de risco dos Estados Unidos nos próximos três meses, fizeram com que o dólar americano voltasse a desvalorizar, mesmo com o congresso do país sinalizando estar próximo de um acordo ao incremento do teto de endividamento.

Com a maré de “boas” notícias, os três principais índices de commodities fecharam em alta nos últimos cinco dias, liderados pelos ganhos do açúcar, dos metais preciosos, do alumínio e do petróleo. O grande perdedor do período foi o café, que em Nova Iorque caiu US$ 14.62 por saca, ou 4.38%. Na BM&F as perdas foram menores, US$ 9.20 por saca, provocando um estreitamento da arbitragem para incríveis US$ 1.82 centavos por libra-peso negativos. Um dos grandes culpados para a perda forte que tivemos no arábica foi o mercado de robusta na LIFFE que escorregou 8.88%, número que assusta mais do que a perda por saca de US$ 12.12, mas que foi significante por ter machucado aqueles que estão vendidos em “puts” (opção de venda) de setembro.

O efeito da queda dos terminais, que teve uma volatilidade alta, foi uma grande diminuição de negociação no mercado FOB, já que os produtores não “remarcaram” o preço da saca para baixo, e forçaram o custo de reposição dos cafés-finos a serem negociados a diferenciais positivos contra a bolsa. Em função disso, os torradores foram atrás do mercado “spot”, que tem um bom volume de cafés de diferentes qualidades a preços mais atrativos.

Dentre os cafés disponíveis nos destino, as qualidades mais baratas estão entre os cafés certificados da ICE, que voltaram a ter uma crescente utilização caindo só nesta semana 49,700 sacas. O total dos estoques do “C” está em 1,543,176 sacas, o menor nível desde 30 de março de 2000, e muito provavelmente continuaremos vendo uma queda forte nos próximos meses, podendo ao final do ano ter o número abaixo de 1 milhão de sacas, algo bastante positivo para a estrutura. Creio inclusive, que ao final do primeiro trimestre de 2012 teremos menos de 500 mil sacas compondo estes estoques, período que viveremos um grande aperto de ofertas em função da safra brasileira menor este ano.

Não há dúvida que estes são fatores positivos para os preços, portanto quem não precisa vender café para pagar contas no curto-prazo, pode esperar oportunidades melhores para o final do ano.

Com em torno de 70% da colheita do Brasil já feita, e com os fazendeiros aproveitando instrumentos que permitem que recebam R$ 300.00 reais por saca agora, com opção de fixação mais para frente, o físico no Brasil deve travar caso Nova Iorque continue caindo. Sem falar que a arbitragem entre São Paulo e Nova Iorque ficará positiva, imaginem, em plena a colheita do país – impressionante não?!

O relatório de posicionamento dos participantes divulgados na sexta-feira, conhecido como COT, mostrou os fundos com uma posição líquida vendida de 9,768 lotes no dia 19 de julho. De lá para cá creio que eles devem ter vendido outros 3 mil lotes, tendo agora uma posição próxima de 13 mil contratos “short”(vendidos). Vale salientar que desde que este novo formato de relatório foi criado (CIT), o máximo que vimos os fundos vendidos foi 20,025 contratos, que nos servem de referência. Embora este dado não indique um limite, eu acredito que eles já estão vendidos o suficiente para apostar que o mercado recupere (suba) dos atuais níveis, dado o número de contratos em aberto atuais.

Claro que nem tudo é positivo, seria fácil demais se assim fosse. Londres está tecnicamente fraco, e os fundos lá, só agora devem estar ficando “short”, portanto o robusta pode atrapalhar o arábica na ICE a mostrar uma força imediata.

Para quem precisa se proteger de uma alta é bom aproveitar a oportunidade.

Na próxima semana não haverá comentário de café. Volto a escrever no final de semana do dia 6 de agosto.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

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