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Qualidade do café 11/12 é trunfo para meta de consumo

 

postado em 30/06/2011 | Há 6 anos

29/06/2011 
  

Reuters/Brasil Online
Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A safra 2011/12 de café do Brasil tem apresentado uma qualidade bastante melhor do que o usual, um trunfo para a indústria brasileira do produto torrado e moído que tem meta de aumentar o consumo no país a uma taxa de 5 por cento ao ano, avaliou o novo presidente do conselho da Abic, entidade que representa o setor.

"Este ano, aparentemente, o clima foi favorável, a qualidade está melhor do que o normal. Pelo que consta, os grãos estão mais bonitos, mais evoluídos, mais graúdos", afirmou Américo Takamitsu Sato, em entrevista à Reuters.

Além de contar com uma florada mais uniforme nas principais regiões produtoras, o que favorece um amadurecimento mais homogêneo, a safra vem sendo colhida com um tempo predominantemente seco, outro fator benéfico.

"O brasileiro tem direito de tomar um bom café e puro, queremos oferecer cafés melhores, para que o consumidor possa apreciar mais", acrescentou ele, indicando que apesar da evolução da qualidade nos últimos anos ainda há espaço para o setor ganhar novos consumidores com essa estratégia.

A Associação Brasileira da Indústria de Café avalia que o Brasil poderá fechar o ano com consumo de 20 milhões de sacas, contra 19 milhões no ano passado, o maior crescimento global que poderá permitir ao país superar os Estados Unidos como o maior consumidor mundial, hoje com 21 milhões de sacas, provavelmente em 2012.

"Vamos ver se passamos para 22 (milhões de sacas) nos próximos anos. Estamos bastante otimistas", afirmou ele, lembrando que a economia brasileira em crescimento também tem elevado o consumo das classes C e D, outra vantagem para o setor aumentar suas vendas.

PRODUÇÃO

Sato, hoje à frente da Café Floresta, uma indústria de Santos (SP) dedicada a produtos gourmet, com uma vida dedicada ao café -foi um dos fundadores do Café do Ponto, comprado pela Sara Lee em 1998-, avalia que o Brasil não terá problemas de oferta que limitem o crescimento do consumo interno, mesmo diante de vendas externas em patamares recordes.

"A tendência da produção brasileira é ser cada vez maior, os preços (mais altos) estimularam os tratos culturais, os cafeicultores estão mais satisfeitos...", acrescentou o presidente da Abic.

Mais investimentos na lavoura têm colaborado também para a safra atual, de baixa no ciclo bianual do arábica, ser a maior para um período em que a produção cai ante o ano anterior.

Embora a Abic não faça estimativas, Sato diz ter ouvido relatos de que a produção poderá ser de 45 milhões de sacas, acima da projeção do governo brasileiro, de 43,5 milhões de sacas.

"Tenho visto áreas da produção falando em até 45 milhões", declarou, lembrando que o cafeicultor brasileiro tem elevado a produtividade de sua lavoura.

Para o empresário, que sucede Almir José da Silva Filho na presidência do conselho e que comandará a entidade até 2014, o fato de a Abic ter como meta transformar o Brasil no maior consumidor mundial deverá beneficiar o agronegócio do café como um todo, o qual já tem melhorado as condições de colheita e beneficiamento do grão nas fazendas.

 

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