Mercado

SINAIS DE RECUPERAÇÃO PARA OS PREÇOS Por Rodrigo Costa

 

postado em 26/06/2011 | Há 6 anos

Mais uma agência de risco aumentou as notas do Brasil para os mercados de títulos, e os seguros para dívidas soberanas, conhecidos também como CDS, chegam a precificar que no horizonte de cinco anos as chances são maiores dos Estados Unidos darem um calote (default) do que o Brasil – é ou não é impressionante?

Na quarta-feira, dia que o Santos Futebol Clube conquistou mais uma Libertadores da América, o FOMC (entidade parecida com o COPOM brasileiro) manteve os juros americanos inalterados, e reiterou que manterá seu balanço do mesmo tamanho (reinvestindo os valores principais dos ativos que tem em carteira hoje). O comitê também sinalizou que por ora não haverá um novo plano de compra de títulos (vulgo QE). No mesmo dia o primeiro-ministro grego ganhou voto de confiança, que lhe deu fôlego de tentar passar no parlamento na próxima semana novas medidas amargas de cortes de gastos para que o país receba um novo tranche do pacote de ajuda do FMI/BCE.

Com o líder da oposição da Grécia declarando que não apoiará uma nova dose de um remédio que está matando o paciente, e o presidente do Banco Central Europeu confirmando a situação delicada dos bancos individualmente com a atual crise na região (“a ameaça mais séria para a estabilidade financeira da União Européia”), os mercados financeiros voltaram a cair na quinta e sexta-feira

Os índices das commodities não ficaram ilesos, com o complexo de energia sofrendo as maiores perdas depois que a IEA (Agência Internacional de Energia) resolveu liberar 60 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, em função das perdas com a guerra civil na Líbia, e também pela OPEP não ter concordado em aumentar a produção do produto. Os grãos escorregaram com a melhora no clima e condição das lavouras nos Estados Unidos.

Para o mercado de café a volatilidade foi grande mais uma vez, sendo que no meio da semana Nova Iorque deu um sinal importante de recuperação depois de testar o suporte-chave mencionado aqui na semana passada, que é o nível de US$ 240.00 centavos. A ajuda veio do fato do bom interesse de recebimento do contrato de julho, que entrou em notificação no dia 22 de junho e que provocou o estreitamento do spread (Julho/Setembro). Outro fator positivo foi o robusta em Londres ter tido fortes altas, coincidentemente depois de um grande fundo ter gasto mais de 3 milhões de dólares comprando estratégias altistas...

O mercado físico ficou relativamente calmo nas origens, com os produtores relutantes em baixar suas bases de vendas o que fez com que os diferenciais firmassem. Isto vale não apenas para o Brasil, como para as outras origens como Colômbia e América Central, onde aumentou um pouco a procura de compradores. Desta forma os cafés disponíveis no destino (spot) tiveram um maior volume de negociação, com preços mais atraentes do que o FOB. No Vietnã aumentam as conversas de default e de atrasos em entregas, dado que boa parte do café do país migrou para os certificados de Londres desde a inversão do spread há três meses.

Na sexta-feira o Departamento de Agricultara dos Estados Unidos (USDA), divulgou seu relatório de S&D (produção e consumo) para o café no mundo, apontando para um superávit (é isto mesmo) no ano safra 2011/2012 de 1,089 milhões de sacas de 60 quilos, diferente da percepção do mercado de que haverá um déficit entre 2 e 7 milhões de sacas. Os números que provocam as diferenças são principalmente da expectativa de produção de Colômbia, Vietnã e Brasil, e também do consumo mundial. Enquanto o órgão diz que Colômbia, Vietnã e Brasil produzirão respectivamente 10.5, 20.6 e 49.2 milhões de sacas de sessenta quilos, o mercado acredita que os números serão 8.5, 21.5 e 48 milhões de sacas. O consumo segundo o USDA será de 133.957 milhões de sacas, já a percepção do mercado está ao redor de 137 milhões. Ou seja, considerando os números acima há uma diferença de um déficit de 5 milhões e um superávit de 1 milhão de sacas para o próximo ano-safra.

Talvez mais importante, seja destacar que os estoques mundiais, este sim um pouco mais em linha com as perspectivas da maioria, estarão em níveis historicamente baixos, razão pela qual os preços do mercado futuro subiram de um ano para cá.

A performance da bolsa nesta semana, combinada com a posição dos fundos, que devem estar vendidos (líquido) entre 11 e 12 mil lotes, deve prover um suporte e uma recuperação do terminal. Acredito que o intervalo de negociação dos preços ficará entre US$ 240 e US$ 270 centavos por algum tempo, a não ser que a Grécia não aprove as medidas de ajuste orçamentários, ou o clima indique frio com risco de geada para o Brasil.

Na segunda-feira e na quarta-feira estarei no Brasil fazendo apresentações sobre o panorama do mercado de café, a convite de duas conceituadas cooperativas.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

 

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