Mercado

Graziano é eleito diretor-geral da FAO

Ex-ministro do Brasil ocupará cargo máximo de organismo da ONU ligado à Agricultura prometendo combate à fome mundial. Ele venceu a disputa contra ex-chanceler espanhol

 

postado em 26/06/2011 | Há 6 anos

Roma, Itália (26/06/2011) - O Brasil passa a ocupar, a partir de 2012, o posto máximo da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O ex-ministro de Desenvolvimento e Combate à Fome, José Graziano, foi eleito, no início da tarde de domingo, 26 de junho, em Roma, para o cargo de diretor-geral da FAO. Por 92 votos contra 88, Graziano venceu o ex-ministro das Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos.

É a primeira vez que um brasileiro ocupa o cargo. Graziano vai suceder o senegalês Jacques Diouf, diretor-geral da FAO desde 1994. O candidato do governo Dilma Rousseff recebeu o apoio maciço de países latino-americanos, africanos e asiáticos. Ele prometeu apoio aos países mais necessitados e disse que sua gestão será marcada pela cooperação técnica com essas nações.

Em seu primeiro pronunciamento, o professor e agronômo brasileiro disse, perante representantes de 177 nações, que o combate à fome será sua prioridade à frente do organismo, que tem orçamento de US$ 1 bilhão. “Precisamos erradicar a fome e ajudar os países mais pobres”, disse. “A partir de agora, deixo de ser o candidato dos brasileiros para ser o diretor-geral de todos os países”. De acordo com dados da ONU, o mundo tem um bilhão de pessoas famintas.

Graziano foi ovacionado por delegados representantes dos países membros da FAO e agradeceu, publicamente, ao apoio da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele vai conduzir a agência das Nações Unidas a partir de 1º de janeiro de 2012 até meados de 2015. Pelas regras da FAO, a reeleição é permitida por até mais quatro anos.

Disputa

A disputa teve contornos emocionantes, com manifestações de apoio de países. Graziano foi eleito sob fortes aplausos e b assédio da imprensa estrangeira. O ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos foi o primeiro a cumprimentar o brasileiro, logo após o anúncio da vitória. Eles trocaram abraços. A disputa pelo cargo se desenrolou por mais de quatro horas.

Ainda no primeiro turno, Graziano obteve 77 votos, contra 72 de Moratinos. Os candidatos da Indonésia, Indroyono Soesilo (12 votos), e do Irã, Mohammad Saeid Noori Naeini (2 votos), manifestaram apoio formal ao brasileiro assim que foi proclamado o resultado da primeira rodada.

Pelas regras da FAO, é eleito o candidato que obtém 91 votos. Exatamente 179 nações estavam representadas na Assembleia Geral, que começou ainda no sábado, 25 de junho. Os outros candidatos eram Franz Fischler (Austria), que obteve 10 votos, e Abdul Latif Rashid (Iraque), com 6 votos.

Articulação

A delegação brasileira foi liderada pelos ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores), Wagner Rossi (Agricultura) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário). Os três desembarcaram em Roma ainda na quinta-feira para buscar apoio de representantes dos países que integram a FAO. Ao longo das 72 horas que antecederam a eleição, os três promoveram encontros bilaterais com ministros e autoridades.

O ministro Wagner Rossi avalia que a escolha de Graziano é um reconhecimento ao trabalho do governo brasileiro. “Nos últimos anos, o país experimentou uma situação de conforto e bem-estar social como poucas nações do mundo viveram. Mais de 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza”, comentou Wagner Rossi. “Isso, no momento em que muitas nações sofreram enormemente com os impactos da crise financeira e econômica mundial”.

Rossi estava otimista desde o início, assim como os diplomatas e autoridades do governo brasileiro envolvidas na conquista de votos. “A presidenta Dilma (Rousseff) nos deu uma missão e acho que todos nós, envolvidos na busca de apoio, cumprimos nossa missão”, disse. Patriota, Rossi e Florence realizaram mais de 15 reuniões com ministros da Agricultura e diplomatas de outras nações entre sábado e domingo.

O ministro da Agricultura comentou que o candidato brasileiro tem credenciais que o levarão a fazer um trabalho extraordinário à frente da FAO. “O professor Graziano tem o respeito da comunidade internacional e vai cumprir o seu dever como um grande humanista que é, preocupado com os problemas sociais e a fome”, apontou. “Ele vai desempenhar um papel decisivo para ajudar aos povos mais necessitados”.

José Graziano tem 61 anos e ocupava, até recentemente, a representação da FAO para a América Latina. Ele coordenou e elaborou o programa Fome Zero que, em 2003, era o carro-chefe do governo Lula. Agora, à frente da FAO, Graziano colocará sua experiência a serviço de outras nações. A agência das Nações Unidas é responsável por programas de cooperação nas áreas de agricultura, pecuária, pesca, florestas e reservas hídricas. (Olímpio Cruz Neto)

 

Veja tambÉm: