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Cafeicultura poderá contar com R$ 2,3 bilhões este ano

 

postado em 29/04/2011 | Há 7 anos

DCI

29/04/2011 
  
Daniel Popov

A linha de crédito para o custeio da produção de café será de R$ 600 milhões este ano, ante os R$ 313 milhões vistos no ano passado. Esta é a maior linha de 2011. - São Paulo

A partir deste ano os produtores de café brasileiros contarão com uma linha de financiamento de R$ 50 milhões para investimentos em operações no mercado futuro. Esta nova linha faz parte da resolução aprovada ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre a distribuição de recursos para financiar a cafeicultura neste ano. Serão R$ 2,29 bilhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para custeio, colheita, estocagem, investimento em mercado futuro, aquisição pela indústria e refinanciamento de dívidas. No ano passado foram aprovados pelo CMN R$ 2,08 bilhões.

Entre as novidades deste ano está a linha para investimentos em operações no mercado futuro que, segundo o diretor substituto do Departamento de Café do Ministério da Agricultura, Thiago Masson, foi bastante estudado junto aos produtores e cooperativas, e atende a necessidade de reduzir a distancia entre o setor produtivo e o mercado de ações. "Desenhamos essa linha de crédito para financiar a construção da margem de garantia do produtor na bolsa de valores. Vimos que os custos para esta operação ficam muito caros para o produtor individual. Então pensamos em uma linha de crédito, por meio do qual o produtor poderá financiar todos esses custos", afirmou Masson ao DCI.

A nova linha, de R$ 50 milhões, será testada este ano, com o intuito de ampliar as negociações diretas entre o produtor e o mercado futuro. "Fizemos uma prospecção com as cooperativas e produtores para sabermos se eles tinham acesso a essa garantia de preço. E verificamos que existem custos altos para estas operações, e com essa linha eles poderão ter acesso a isso, reduzindo a distancia entre o mercado e o pequeno produtor", contou ele.

Outra linha, que constará pela primeira vez, se refere ao refinanciamento de dívidas, no qual foi destinado um montante de R$ 300 milhões aos cafeicultores. Esta linha de crédito já havia sido aprovada pelo CMN em 31 de março. A medida é direcionada a produtores que contrataram crédito diretamente de agentes financeiros ou por intermédio de suas cooperativas. Pela nova linha especial, cada produtor poderá contratar até R$ 200 mil a juros de 6,75% ao ano. O financiamento deverá ser pago em até cinco anos. "A grande inovação que esta resolução trás é essa. Para se ter acesso existem alguns limites, e somente as dividas referentes às linhas ligadas diretamente a produção de café terão acesso a isso", frisou.

Além desta restrição, segundo a resolução 3.966 da CMN, a composição de dívidas autorizada por esta resolução não inclui parcelas vencidas a partir de 1º de abril de 2011. Para Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), esta nova linha é uma boa novidade, entretanto não resolve por completo os problemas de endividamentos dos produtores. "Essa verba para o refinanciamento é muito boa, mas o governo precisa ampliar seu volume e aumentar mais os prazos para que os produtores ganhem um respiro maior. Mesmo porque, achar que tudo está bem, por conta dos preços mais altos, e porque o mercado não está vendo atraso no pagamento das dívidas, é um grande engano. O produtor pega empréstimos com terceiros para pagar seu endividamento e assim faz dividas que o governo não sabe, para saldar as anteriores", contou.

Entre todas as linhas, as operações de custeio terão o maior volume de recursos com R$ 600 milhões, ante os 313 vistos em 2010. Seguidas da linha de crédito para estocagem com R$ 500 milhões, que no ano passado superaram a marca de 1 bilhão para compensar os baixos preços do produto, e aquisição de café (FAC), com outros R$ 500 milhões. Para financiar a colheita da safra, os produtores poderão contratar até R$ 300 milhões. Além destes recursos a linha de financiamento para recuperação de lavouras de granizo voltará este ano com R$ 40 milhões. "Considerando a recuperação dos preços pagos aos produtores e a tendência de que os valores se mantenham nesses patamares, o volume de recursos deve ser suficiente para atender a cafeicultura. Nos próximos dias, o Ministério da Agricultura enviará um aviso aos agentes financeiros informando a disponibilidade dos recursos e estipulando prazo para que apresentem suas demandas pelas linhas de crédito".
 

 

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