Consumo

Cafezinho que combina com tudo

De inspiração para começo de romance a estímulo no trabalho, a bebida cai bem em todos os momentos

 

postado em 24/04/2011 | Há 6 anos

Por Carolina Bataier /Agência BOM DIA
 
Café espresso vem do termo italiano ‘e spre ssato’, que quer dizer ‘sob pressão’


Foto Juliana Lobato Agência BOM DIA

O café, enquanto fruto, é doce, mas estraga rapidamente. Para degustá-lo, é preciso colher as pequenas bolinhas vermelhas no ponto exato: passado um dia, já começam a apodrecer.

Para degustar a bebida vinda do fruto do cafezal, porém, é preciso um pouco mais: grãos saudáveis, colhidos por mãos cuidadosas; carinho no preparo; e  um copo de água bicarbonatada - para limpar as papilas gustativas. Uma barra de chocolate para comer depois do gole também é bem-vinda: realça o sabor da bebida.

Quem dá as dicas é Fernanda Pascoal, 32, barista que tem duas histórias de amor: uma pelo café e outra que começou por causa do café.

Apreciadora da bebida desde os 15 anos, ela especializou-se no assunto e foi trabalhar em uma cafeteria.

O engenheiro Ricardo Paschoal não gostava de café até que, há 12 anos, conheceu Fernanda na cafeteria.

Ele passou a frequentar o local e fez seu papel de amante à moda antiga: mandou rosas para a moça.

A história deu certo e Ricardo arrumou uma paixão dupla: Fernanda e o café.

Hoje, os dois são donos de uma rede de cafeterias aqui, em Bauru.

Fernanda fez curso de barista na Itália. Ela cria receitas quentes e frias com café.

Uma das bebidas tem inspiração no primeiro presente que ganhou de Ricardo: café com essência de rosas.

Na cafeteria, o casal recebe, entre muitas pessoas, aquelas  que gostam de tirar um momento do dia para apreciar a bebida.

“É preciso ter prazer em tomar café. Por isso, cuidamos da qualidade e também da maneira como ele é servido”, explica Fernanda.

Mas, para muitos, o café é parte do dia a dia, quase um elemento a mais da rotina.

Apreciador da bebida, o economista Reinaldo Caffeo assume não passar um dia sem o bom cafezinho.

E ele gosta mesmo é do sabor tradicional: café preto, com adoçante.

“Depois do almoço, não tem jeito: é quase um vício”, conta.

Entre uma palestra e outra, o cafezinho também cai bem.

“O ambiente empresarial é convidativo”, afirma.

Ele toma, por dia, cerca de seis cafezinhos. “Mas, agora, tenho tomado descafeinado.”

Já Ricardo, que não gostava de café, hoje toma diariamente seu espresso curto. “Espresso com ‘s’, não com ‘x’”, ele faz questão de ensinar.

Café espresso vem do termo italiano “espressato”, que quer dizer “sob pressão”. É a pressão que gera a espuma cremosa que fica por cima da bebida.

“Se você consegue ver o café entre a espuma, está errado”, ensina Fernanda.

E ela dá outras dicas: guardar pó e grãos na geladeira ajudam a conservar o produto. Adoçar o café na garrafa, ao contrário, faz com que o sabor se perca mais rápido – ou seja, o  certo é adoçar na xícara. 

Fernanda e Ricardo também concordam: o melhor grão de café do mundo é produzido na Colômbia.

O Brasil também tem ótimos grãos, produzidos no sul de Minas Gerais e no norte do São Paulo. Independentemente da origem e do modo de preparo, o melhor café é aquele degustado como ensinam Fernanda e Ricardo: com amor.

Profissionais recomendam: três xícaras por dia é o ideal

Café faz bem ou mal para a saúde?
A resposta é direta e previsível: em excesso, faz mal.

Quem explica é a média cardiologista Adriana Ferraz Daher Berbel. “A cafeína tem efeito estimulante e, em excesso, pode gerar descontrole de pressão, arritmia e agitação. E esses sintomas podem desencadear hipertensão”.

De acordo com Adriana, é preciso levar em conta as particularidades do organismo de cada pessoa para saber os efeitos exatos do café, mas o dose máxima diária de consumo recomendada por profissionais é três xícaras.

“Até três xícaras não há malefícios. Mas é importantes lembrar que as pessoas têm suas particularidades”, explica.

A especialista lembra que não só o café em excesso faz mal. Há outros alimentos, como os refrigerantes a base de cola e o chá mate que também contém cafeína. “Tudo em excesso faz mal.
Mas a cafeína, por ser estimulante, também apresenta benefícios cardiovasculares”, avisa.

Ciente dos benefícios e malefícios, Adriana também toma seu cafezinho.

“Mas procuro manter a média de duas ou três xícaras por dia”, ressalta.


1727
Esse foi o ano em que o café foi introduzido no Brasil


19,1 
Foi esse nosso consumo per capita, em kg, em 2010

33,5
milhões de sacas foi o que o Brasil exportou em 2010


48,1
milhões de sacas foi o que o Brasil produziu em 2010. O país é o maior produtor mundial de café


Das colheitas para as telas, o café é inspiração de artistas

Bebida do dia a dia, une casais, aquece reuniões e tabém serve de inspiração para artistas.

É o que vemos na série de quadros de 2005 da artista plástica Sueli Dabus.

São retratos de diversos cafés - o ambiente, não a bebida - em cores vivas (ao lado).

As obras foram pintadas entre um e outro gole da bebida.

Para Sueli, o café é o elemento principal para um momento de reflexão.

“O café é como uma distração. É o momento em que paro para ver o que estou pintando.”

A série de quadros reflete as viagens de Sueli pelo mundo: são pessoas e ambientes diversos.

E foi nas viagens que Sueli conheceu os cafés italianos, em sua opinião os mais marcantes.

Mas quando está em casa, ela gosta de pôr as mãos à obra - e não apenas para pintar.

“Eu que preparo meu café. Faço questão. Gosto dele forte e quente.”

 

 

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