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Brasil investe R$ 1 milhão na feira da SCAA e tenta melhorar a imagem do café nacional

Produtores se unem em torno de marca única e governo investe R$ 1 milhão em feira

 

postado em 24/04/2011 | Há 6 anos

Crescimento. Exportação de cafés especiais deve avançar entre 10% e 15% ao ano

Célia Froufe / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, mas o produto não tem glamour. O País vai tentar mudar o status do café brasileiro durante a maior vitrine do grão no mundo, a Feira de Cafés Especiais, que ocorrerá em Houston, Estados Unidos, na semana que vem.

Depois de anos de disputas internas para acessar o mercado internacional individualmente, finalmente, os produtores domésticos de diferentes regiões se deram conta de que, com atenção à qualidade e um trabalho conjunto, poderão entrar com mais força em um segmento especial - que cresce dez vezes mais do que a média do mercado. E, claro, com maior retorno para o cafeicultor.

Após uma década, o Brasil volta a ser tema do evento e o slogan preparado para a feira conta com a estratégia de apresentar uma nova identidade no exterior: "Um país, vários sabores". O que se quer é enfatizar que o grão doméstico é confiável onde quer que seja plantado e que, como conta com várias regiões produtoras, tem a capacidade de oferecer um cardápio variado para atender, literalmente, ao gosto do freguês.

Apesar de o produto doméstico ser o mais comprado do mundo, dificilmente se vê nas famosas redes a identificação "café do Brasil".

"Nosso produto foi sempre muito mais atrelado à quantidade do que à qualidade", explica a diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês), Vanusia Nogueira. A história agora mudou, garante. Não só porque uma nova geração está à frente dos negócios, mas também porque a expectativa é a de que o segmento de cafés especiais crescerá de 10% a 15% ao ano, bem mais que a expansão prevista de 1% a 2% ao ano do grão comum.

Números gigantes. A produção total do Brasil foi de 48,1 milhões de sacas de 60 quilos no ano passado, das quais 33 milhões foram exportadas. Há 2,2 milhões de hectares plantados e que são cultivados por 300 mil produtores em 11 Estados. O País produz café dos tipos arábica, robusta e conilon. De acordo com a região produtora, cada um possui características específicas. "O Brasil vende para o mundo todo e é o que tem o maior leque de opções", orgulha-se o diretor de café do Ministério da Agricultura, Robério Silva.

Para ele, a feira dá ao País a oportunidade de mostrar a qualidade do produto nacional. Cerca de 500 empresários e produtores brasileiros devem participar. Para ser um dos parceiros do evento, o governo impôs uma condição aos produtores na reunião preparatória, em setembro do ano passado: ou eles se uniam em torno da "marca Brasil", como faz a Colômbia, ou não haveria recursos públicos no evento.

A proposta foi aceita e o ministério investiu R$ 1 milhão para a feira. "Os holofotes este ano estarão sobre nós, mas estamos muito mais amadurecidos", garante.

O café brasileiro vive um bom momento. Acaba de ser aprovado para integrar as comercializações da Bolsa de Nova York. Além disso, no ano passado, verificou-se a coincidência de uma safra de café robusta ao mesmo tempo em que os preços atingiram valores históricos. "Há muito tempo não víamos isso", comemora Silva.

Gigantismo
48,1 milhões
de sacas de 60 quilos foram produzidas no País no ano passado, das quais 33 milhões foram
exportadas

 

 

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