Mercado

Carvalhaes - Café operou em baixa acentuada no decorrer da semana

 

postado em 27/03/2011 | Há 7 anos

Boletim semanal - ano 78 - n° 12

Santos, sexta-feira, 25 de março de 2011

Escritório Carvalhaes

O crescente número de notícias negativas para a economia mundial levou muitos investidores a adotarem uma postura mais cautelosa e diversos mercados tiveram uma semana de resultados negativos, entre eles o do café.

A crise financeira na zona do euro retornou às manchetes ao ficar claro que mais um país, Portugal, será obrigado a pedir ajuda para arrumar suas contas e voltar a se adequar aos padrões da união monetária. A escalada da intervenção militar internacional para implantar uma zona de exclusão aérea na Líbia aumenta a tensão no oriente médio, região vital para o abastecimento mundial de petróleo. A situação no Japão com o terremoto, tsunami e crise nuclear devido aos danos sofridos na usina de Fukushima, levaram mais incertezas aos analistas econômicos. Esses acontecimentos acabaram derrubando muitas bolsas ao redor do mundo.

As de café operaram em baixa acentuada no decorrer da semana, mas começaram a se recuperar ontem à tarde e hoje, sexta-feira, a ICE em Nova Iorque já fechou em alta de 280 pontos. O mercado físico brasileiro não acompanhou a baixa das bolsas. Alguns compradores diminuíram o valor de suas ofertas e os vendedores se retiraram do mercado. Os fundamentos do mercado de café se revelam mais consistentes a cada dia, levando os cafeicultores a não aceitarem pressão sobre os preços. Com a reversão das bolsas a partir do final do pregão de ontem, as ofertas voltaram ao patamar da semana passada e vários lotes foram vendidos.

A CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento divulgou seu relatório final do “Levantamento de Estoques Privados de Café do Brasil”, adotando como data de referência o próximo dia 31 de março. O volume apurado foi de 8 943 988 sacas, confirmando que na prática o estoque de passagem em 30 de junho próximo será zero. Se adotarmos para os últimos três meses do ano-safra, abril, maio e junho, um consumo interno médio mensal de 1,5 milhão de sacas e exportação média mensal de 2,5 milhões de sacas, precisaremos, até o final de junho, de 12 milhões de sacas!

Esses números indicam que os primeiros lotes da nova safra 2011/2012 serão usados para fechar o “balanço” do ano-safra que está terminando. Como a nova safra, de ciclo baixo, não será suficiente nem para as necessidades brasileiras de consumo e exportação do novo ano-safra, que começará em primeiro de julho, fica clara a razão do nervosismo dos operadores e dos factóides que são lançados quase que diariamente no mercado, tentando levantar uma cortina de fumaça sobre os fundamentos.

Até o dia 24, os embarques de março estavam em 1.354.557 sacas de café arábica, 81.026 sacas de café conillon, somando 1.435.583 sacas de café verde, e 157.177 sacas de solúvel, contra 1.461.504 sacas no mesmo dia de janeiro. Até o dia 24, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em março totalizavam 2.081.640 sacas, contra 2.264.645 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 18, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 25, caiu nos contratos para entrega em maio próximo, 760 pontos ou US$ 10,06 (R$ 12,61) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em maio próximo na ICE fecharam no dia 18 a R$ 610,15/saca e hoje, dia 25, a R$ 589,09/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em maio, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 280 pontos.

 

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