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Alta do café motiva produtores a antecipar pagamento de dívidas

Valorização repercutiu em mais investimento em insumos e menor procura por crédito

 

postado em 26/03/2011 | Há 6 anos

26/03/2011

EPTV

Com o preço do café em alta, muitos produtores aproveitam para vender estoques e antecipar o pagamento de dívidas com financiamentos relacionados à colheita, estocagem e custeio de safra.

Há um ano, a saca do principal produto agrícola do Sul de Minas não chegava a R$ 300. Hoje passa de R$ 500. Por isso, quem ainda tem café aproveita o momento pra vender. Foi o que fez o produtor Hugo Vilas Boas, de Guaxupé. Ele tinha guardado 15% da produção da última safra. Com o dinheiro da venda, ele pagou um empréstimo antes do vencimento.

Com a alta histórica das cotações do café, os produtores têm conseguido quitar dívidas de forma antecipada. Uma estratégia que ainda ajuda a abrir novos limites de crédito e a reduzir encargos dos empréstimos.

Segundo o Ministério da Agricultura, os cafeicultores já anteciparam o pagamento de R$ 311 milhões contratados através de linhas de crédito do governo, entre janeiro de 2010 e fevereiro deste ano. Esse valor corresponde a quase 10% de tudo o que os bancos reembolsaram ao Funcafé, o fundo de defesa da economia cafeeira.

Como a rentabilidade melhorou, o número de novos financiamentos caiu na cooperativa de crédito Sicoob, segundo a gerente de crédito Luciana Souza Ribeiro. A valorização também refletiu na compra de insumos. Na loja da Cooxupé, a venda de fertilizantes e defensivos cresceu pelo menos 15%, entre janeiro e fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2010.

Com o café remunerando mais, o produtor tem condições de tratar melhor da lavoura, segundo o superintendente da Cooxupé. “Tomara que continue como o preço em alta”, disse.

Mais crédito

O Ministério da Agricultura pretende viabilizar uma nova linha de crédito para os cafeicultores com cinco anos de prazo para o pagamento. A intenção é disponibilizar R$ 200 milhões, com limite de R$ 200 mil para cada produtor. A proposta ainda vai passar pela aprovação do Conselho Monetário Nacional. A previsão é que o resultado da análise seja divulgado em abril.

 

 

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