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Sincal: Estamos bebendo um bagulho

 

postado em 21/02/2011 | Há 6 anos

Nos últimos tempos estamos acompanhando o desenvolvimento do consumo Interno de café baseado nas estatísticas da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de café). Estatísticas essas que nos parece muito duvidosa. Calculando a evolução das exportações brasileiras, que são informados pelos

Ministério da Agricultura e da Industria e Comércio  que realmente são precisos e somados aos números da ABIC e o  balanço de 10 anos, baseado nas previsões da EMBRAPA e atualmente CONAB,  chegamos a conclusão que existe um déficit ou um erro de 50 milhões de sacas. UM ABSURDO!!! Onde foram parar essas 50 milhões de sacas? A EMBRAPA e a CONAB erraram tanto assim? Ou a ABIC manipulou os números para dar uma conotação de crescimento do mercado interno de forma contínua, como vem ocorrendo, para beneficiar seus associados das políticas cafeeiras, do dinheiro do Funcafé, inclusive beneficiando multinacionais filiadas à ABIC.

Dentro desse contexto estamos colocando em “check” os números da ABIC e com razão, pois, além disso, a ABIC confirma um consumo de 19,2 milhões de sacas em 2010. È duvidoso!!!! Pois, essa informação é incompleta e é omissa. Pois, colocar esse consumo não citando claramente a composição desse café é uma total omissão. Dentro do descrito podemos afirmar que os 19,2 milhões de sacas consumidas no mercado interno é composto aproximadamente de:
        - 9,5 milhões de sacas de Robusta (Conilon).
        - 5,0 milhões de sacas de P.V.A (preto,verde,ardido)
        - 4,7 milhões de café (?). Arábica, na grande maioria de cafés ruins, pilhas batidas, e outros não aceitos pelo mercado externo.

Onde tiramos esses números: 1) Os 9,5 milhões de Robusta vem da diferença da produção (CONAB) subtraindo a exportação e o solúvel. 2) P.V.A (preto,verde e arábica) referente a aproximadamente 10% de produção brasileira. 3) 4,7  milhões de sacas de arábica vem de diferença para completar os 19,2 milhões de sacas.


Senhores, o consumo da Robusta (conilon) na proporção de 50% é um abuso ao paladar dos nossos pobres consumidores. Não somos contra o uso do Robusta  (conilon) mas nessa proporção está, com certeza, inibindo o consumo e prejudicando o próprio Robusta. Esses 5 milhões de sacas de P.V.A, que é um resíduo dos cafés que quando maquinados nas cooperativas e comercio, de modo geral, vão para as torrefações e deveriam retornar ás lavouras cafeeiras como esterco ou para Biodiesel como o projeto da U.F.U (Universidade Federal de Viçosa). O consumo do P.V.A é uma irresponsabilidade, pois esse café está contaminado de fungos cujos metabólitos poderão ser altamente prejudicais á saúde humana.

Onde que está a ANVISA que não está vendo isso?

Na semana passada a ABIC reclamou dos preços do café como matéria prima. Reclamam do quê? Ainda citam que o preço de R$ 470,00 por saca do café é muito caro. Mas, lembramos mais uma vez que infelizmente a maioria dos sócios da ABIC utilizam uma porcentagem quase que desprezível ao café de qualidade.

Portanto, achamos que pela qualidade do café oferecido pela grande maioria dos sócios da ABIC os preços deveriam ser menores que os atuais, pois, são verdadeiros “Bagulhos” enfiados de “goela abaixo” nos consumidores.

Pobres dos cafeicultores que cultivam o Conilon nos estados do Espírito Santo e Rondônia, pois, estão nas mãos dos sócios da ABIC, que utilizam 85% de produção nacional. com a elevação dos preços da Arábica e, para manter as margens de lucro, os torrefadores locais estão abusando dos preços baixos do Conilon  e como compram 85% do Conilon produzido no Brasil monopolizam o mercado e os preços.

Portanto, os produtores de Conilon estão encurralados no mercado interno. Pensem!!! Partem para outras possibilidades do mercado extremo ou ficarão “ad eternum” nas garras dos sócios da ABIC recebendo o que eles querem pagar. Senhores cafeicultores e lideres dos Estados do Espírito Santo e de Rondônia precisam urgentemente de um PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO com gestões definidas para o agronegócio café Conilon.

Outro ponto importante trata-se da NI 16 de MAPA para regulamentar (?) a qualidade (?) de café onde está estipulado acréscimo de 5 % de água. INACREDITÁVEL; pois, temos o equivalente a 1.000.000 de sacas de café em forma de água. Podemos utilizar esses cafés de alguns sócios da ABIC como esterco, pois, o P.V.A não passa de resíduos/matérias orgânicas que acrescentado com água,  torna-se um excelente composto para os vasos das donas de casas. GENTE JUÍZO!!!

Dentro de toda essas explicações os mais prejudicados são os consumidores brasileiros (nosso povo) e os pobres dos cafeicultores que estão a mercê de sua política cafeeira sem gestão, amadora e aceitando essas barbaridades.
    

Armando Matielli
Engº. Agro. MBA na FGV
Presidente Executivo da SINCAL
Fazenda Jacutinga –Guapé –MG


Comentários

Andre
Como produtor, estou de pleno acordo. Ha qts anos estamos tomando esse cafe de baixissima qualidade? Eu mesmo ja mandei emails para rede globo (fantastico) sugerindo que fizessem aquela pesquisa do inmetro nos cafes a venda nos supermercados, mas, nao tive sorte! Imaginem o que iam encontrar nesses pós pretos, que dizem ser cafe.
Vamos ver no que vai dar.
 Abços de esperança para tds nos produtores.

 

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