Consumo

JBS enfrenta dificuldades para financiar oferta mais alta pela Sara Lee

 

postado em 27/01/2011 | Há 6 anos

Por Gina Chon, Anupreeta Das e Gregory Zuckerman

The Wall Street Journal

 
O frigorífico brasileiro JBS SA ainda não apresentou uma oferta pela Sara Lee Corp. e pode conseguir apresentar apenas um valor entre US$ 19 e US$ 20 por ação, já que está tendo dificuldades para obter mais financiamento, disseram pessoas a par da situação. Separadamente, um grupo liderado pela firma de private equity Apollo Global Management LLC, que fez uma oferta na sexta-feira, está analisando se pode pagar mais que os quase US$ 19 que ofereceu, disseram as pessoas. A Sara Lee indicou que quer uma oferta de pelo menos US$ 20 por ação para começar a considerar seriamente uma venda.

A Sara Lee atua no Brasil apenas no mercado de café, com marcas como Pilão e Do Ponto, mas nos Estados Unidos é forte concorrente no setor de alimentos como linguiças, salsichas, frios, pão e também café e chá.

O leilão da empresa se tornou o tipo de guerra total de ofertas que praticamente tinha sumido de Wall Street desde o colapso do Lehman Brothers Holdings Inc., em 2008. Isso deve ser um sinal de esperança para as fusões e aquisições em 2011, que começaram o ano em atividade frenética.

A Sara Lee, enquanto isso, tenta obter o máximo da situação, avisando aos interessados que está contente em desmembrar a empresa se as ofertas não forem altas o suficiente. É provável que isso gere uma batalha final entre o conselho da Sara Lee e os interessados: será que o conselho está disposto a dispensar uma oferta um ou dois dólares menor que as expectativas ventiladas na imprensa?

A situação continuava em fluxo ontem e várias opções eram estudadas. A decisão final ainda deve demorar alguns dias, acrescentaram as pessoas.

O JBS está concorrendo com um grupo que inclui as firmas de private-equity Apollo Global Management LLC, Bain Capital LLC, TPG Capital LP e o investidor C. Dean Metropoulos, um empreendedor do Estado americano de Connecticut que comprou a cervejaria Pabst Brewing Co. ano passado, disseram as pessoas.

O grupo da Apollo obteve US$ 8 bilhões em fundos para comprar a Sara Lee e tem folga para aumentar o montante caso necessário, disseram pessoas a par da situação. Mas não está claro se a firma está disposta a aumentar o preço para atender às expectativas da Sara Lee, disseram as pessoas.

O JBS está sozinho em sua oferta pela Sara Lee, mas tem um acordo com o Blackstone Group, que vai comprar ações do JBS com desconto para ajudar a empresa brasileira a levantar capital para a oferta, disseram pessoas a par da questão.

Se o JBS comprar a Sara Lee, a Blackstone estaria interessada em tomar para si a maior parte dos negócios de café da Sara Lee, enquanto a JBS ficaria com a divisão de carnes, disseram as pessoas.

A Apollo Group apresentou a oferta pela Sara Lee na sexta-feira, mas o JBS precisou de mais tempo para levantar recursos, disseram pessoas a par da questão. O JBS tem um valor de mercado de cerca de US$ 11 bilhões, enquanto o da Sara Lee é de US$ 12 bilhões, o que tem dificultado para o JBS levantar os recursos necessários.

O JBS primeiro ofereceu US$ 17,50 por ação pela Sara Lee, que rejeitou a oferta, e não está claro se o JBS realmente pode aumentar significativamente a oferta, disseram as pessoas.

O conselho da Sara Lee, sediada em Downers Grove, no Estado de Illinois, planeja avaliar hoje as opções. Se a Sara Lee decidir que as ofertas de compra não são suficientemente boas, provavelmente seguirá adiante com seus planos de desmembrar os negócios de café e carne, que podem ser vendidos separadamente, disseram pessoas a par da situação.

O JBS, um dos maiores produtores de carne do mundo, está num processo de franca expansão mundial. Ele adquiriu o controle da produtora americana de frango Pilgrim\'s Pride Corp. por cerca de US$ 800 milhões em 2009. Em 2008, comprou a Smithfield Beef for US$ 565 milhões e, em 2007, comprou o frigorífico Swift & Co. por US$ 225 milhões.

Os negócios de café da Sara Lee, que têm se expandido na Europa e no Brasil, é um dos ativos mais atraentes da empresa, com faturamento de US$ 3 bilhões e margem operacional de 18% no ano fiscal encerrado em junho. O negócio de carnes lucrou US$ 346 milhões e teve faturamento de US$ 2,82 bilhões.

O futuro da Sara Lee está incerto desde que a diretora-presidente Brenda Barnes deixou a empresa no meio do ano passado, depois de sofrer um derrame. O conselho tem buscado um sucessor, mas o processo tem sido adiado enquanto a empresa analisa suas opções estratégicas.

 

 

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