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Bela e querida Cafeicultura Por Henrique de Souza Dias

 

postado em 24/01/2011 | Há 6 anos

Quinta, 20 Janeiro 2011  

* Artigo publicado em 10 de janeiro de 2005 por Henrique de Souza Dias.

Hoje, um bom assunto para novelas de TV e livros de mesa de Bancos. Aos preços atuais, não existem condições de produção, para mais da metade das lavouras de café no Brasil, em plena decadência. As coisas poderão mudar ?

Vão dizer que é choro, mas a realidade é esta mesmo.  Mais da metade dos cafezais brasileiros têm mais de 9 anos. A outra metade foi plantada no último ciclo de preços altos, em 1997/98. De janeiro de 1997 a fevereiro de 1998, os preços ficaram em torno de 200 dólares ou 200 reais da época.De fevereiro de 2001 a fevereiro de 2002 estavam a menos de 50 dólares, preços  absurdamente baixos, 50% do custo de produção das lavouras veteranas. A produção continuou a manter bons níveis, desfrutando da juventude da metade mais nova do parque cafeeiro.

Por suas características botânicas, no café a formação de botões florais (e frutos) só aparece em partes novas do ramo, condicionando o sucesso  do produtor à existência permanente de plantas jovens, de alta produtividade , suportando assim os preços  baixos que acabam seguindo o estímulo ao plantio.As lavouras velhas ,em grande parte, passam  a ser extrativas e não respondem a tratos culturais. Manter as plantações sempre novas é muito caro.

Operações cosméticas como recepa, decote ou esqueletamento têm efeitos efêmeros. As mulheres que fazem plásticas (e também os homens) sabem que a idade não pára de subir e seus efeitos são irreversíveis. As lavouras mais novas seguem, é claro, a mesma sina.

A melhoria e modernização do setor depende de novo estímulo de preços, que só virá do mercado, já que, nas condições atuais da economia  brasileira, a importância econômica (e política) do café  é muito reduzida. Bom ou ruim, certamente virá um novo ciclo de plantio, renovando o parque cafeeiro, com aumento de safra. É claro que todo mundo sabe disso. O mercado já mostrou certo ânimo, esfriado agora pela entrada da safra dos nossos principais concorrentes de café arábica, Colômbia e América Central, mas ainda está longe de incentivar novos plantios.

A produção caiu em todo o mundo, os estoques também, e o consumo aumentou. Já os preços ainda não refletem o futuro da oferta, que só no Brasil cairá em 40%.

Vamos ver até onde o mercado agüenta...

Henrique de Souza Dias
Diretoria de Café da Sociedade Rural Brasileira


 

 

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