Produção

Em leilão, café pode superar R$ 14 mil a saca

Mais de 60% das ofertas feitas pela internet são de produtores mineiros

 

postado em 23/01/2011 | Há 7 anos

Do Hoje em Dia

Os 31 lotes vencedores do 11º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil - Cup of Excellence, Edição 2010, foram ontem a leilão internacional pela internet, aberto a torrefadoras, casas de café nacionais e do exterior, importadores e exportadores.

Até o início da noite desta terça-feira (18), a maior oferta pela saca de 60 quilos havia sido de R$ 6.000. Como o leilão se encerraria por volta das 23 horas, a cotação tenderia a aumentar com a entrada dos japoneses, que na edição passada compraram cerca de 90% de todo o café ofertado. A expectativa dos produtores é bater o preço recorde de R$ 14 mil a saca, valor registrado na edição de 2008.

O Cup of Excellence é realizado anualmente em nove países produtores de café. Além do Brasil, o concurso acontece na Guatemala, Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras, Rwanda (África), Colômbia e Bolívia.

No Brasil, o concurso é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês), em parceria com Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Agricoffee Consultoria em Café e Alliance for Coffee Excellence (ACE). O investimento total no evento vai de R$ 400 mil a R$ 500 mil, bancado pelo Governo federal e BSCA.

A primeira etapa do Cup of Excellence foi realizada em outubro de 2010, com a seleção de 48 lotes por parte de jurados nacionais. Posteriormente, jurados internacionais escolheram 31 lotes, cada um deles de aproximadamente 20 sacas, que participam deste leilão, gerenciado por uma empresa australiana.

Do total de sacas de café arábica especial ofertadas nas vendas pela internet, 19 - o equivalente a 62% do total - são de produtores mineiros. Participam também cafeicultores de São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Bahia.

Valores

Os preços da saca de café especial alcançados nos leilões não refletem a realidade do mercado. De acordo com o produtor e ex-vice presidente da BSCA, Tulio Junqueira, que esteve à frente da entidade até dezembro de 2010, o valor médio de mercado é de aproximadamente R$ 600 a saca, 20% a 30% maior em relação ao café arábica convencional de boa qualidade, cotado entre R$ 450 e R$ 500.

Em compensação, o custo de produção do café especial é mais elevado. Conforme Junqueira, o produtor gasta, na melhor das hipóteses, 20% a mais para garantir um café de alta qualidade e bom valor de mercado.
 
 

 

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