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Governo adota munição extra para conter a queda do dólar

 

postado em 28/09/2010 | Há 6 anos

Simone Cavalcanti   (scavalcanti@brasileconomico.com.br) | Correspondente do Brasil Econômico em Brasília
22/09/10 07:30

  
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Técnicos do Ministério da Fazenda, dirigido por Guido Mantega, estudam como aumentar os recursos do fundo soberano
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Partilhe:                       Na queda de braço com o mercado de câmbio, o Ministério da Fazenda, dirigido por Guido Mantega, quer mostrar que tem bala na agulha para evitar a apreciação exacerbada do real frente ao dólar.

Os técnicos avaliam a melhor forma de cacifar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) para que este tenha um poder de fogo muito além dos R$ 17,9 bilhões de que dispõe aplicados no Fundo Fiscal de Investimento e Estabilização (FFIE).

Está sendo considerado o uso dos recursos disponíveis no caixa do Tesouro Nacional que não estejam atrelados ao pagamento de despesas. Dentro dessa conta estão aproximadamente R$ 200 bilhões do chamado colchão de liquidez (suficiente para honrar seis meses de vencimento da dívida sem emissão de títulos).

Nesse caso, poderia ser usada a parcela excedente daquilo que o Tesouro julga necessário ter como segurança para tempos de crise.

Pelas regras atuais, o Fundo Soberano pode receber qualquer recurso do Tesouro, seja proveniente da emissão de títulos ou o que está disponível na conta única.

\"O fundo tem uma frente de atuação cambial, onde pode pegar recursos do caixa do Tesouro para comprar dólares\", já alertou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Diante disso, a tarefa sobre a qual a equipe econômica se debruça é para saber qual das duas fontes, ou um mix delas, poderia ser menos onerosa ao país.

A vantagem em usar o caixa seria a menor pressão sobre a dívida líquida porque ajustaria, ao mesmo tempo, o passivo e o ativo - moeda estrangeira.

Já a venda de papéis para obter reais e dar robustez ao FSB na compra de dólares elevaria, na proporção do montante disponibilizado, o endividamento, que tem limites fixados anualmente pelo Plano Anual de Financiamento (PAF).

No entanto, a emissão de títulos seria muito mais barata que as tradicionais compromissadas (papéis de curto prazo com remuneração pela Selic) emitidas pelo Banco Central em todo processo de compra de dólares.

O Tesouro poderia optar pela oferta de papéis com taxa prefixada e prazo de vencimento mais longo - o que é saudável para o gerenciamento da dívida pública.

Em todos os casos, os dólares adquiridos pelo fundo poderão ser mantidos fora do país e destinados a promover a internacionalização de empresas brasileiras, desde que os projetos tenham rendimento igual ou superior à taxa Libor.

BB, o elemento surpresa

Independentemente da opção que for feita e da quantia a ser disponibilizada a qualquer momento, o governo também aposta que a forma como vai operar fará a diferença.

Isso porque, diferentemente do Banco Central, que avisa ao mercado que fará leilão de compra de dólares, o Banco do Brasil, que é o operador do Tesouro, vai entrar silenciosamente como mais um agente de mercado.

\"A diferença é que ele estará no fluxo contrário\", disse uma fonte. Como o mercado de câmbio à vista tem poucos participantes e gira um volume considerado pequeno (leia matéria abaixo), disse, \"existe mais chances para manipulações\".

O argumento é que, se o BB entrar com força, pode neutralizar o movimento de alta da moeda nacional.

Nos 12 dias úteis deste mês o fluxo financeiro que ingressou no país ficou em torno de US$ 12 bilhões e forçou o BC a comprar US$ 5,87 bilhões.

Ambos representam os maiores volumes desde outubro do ano passado, quando houve a abertura de capital do banco Santander, o que levou o governo a elevar a 2% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos estrangeiros em renda fixa e variável.

 

 

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