Produção

Toninho do Alho é um exemplo na produção cafeeira em Rondônia

 

postado em 29/08/2010 | Há 7 anos

Cafeicultor vende imóveis

Montezuma Cruz | Diário da Amazônia

17/08/2010

Prejuízo não tira do sério o paranaense de Xambrê, Antônio Alves de Oliveira, 61, que começou com apenas um alqueire da variedade arábica e hoje se mantém invicto na produção cafeeira em Rondônia: seus 600 mil pés de conillon, cultivados em 100 alqueires em Alto Alegre dos Parecis, Brasilândia, Novo Horizonte e Rolim de Moura deverão render nesta safra até 12 mil sacos em coco, ou uma quantidade de três a quatro mil sacos beneficiados.

“Olhe, a cidade cresce, o preço do café oscila, e eu somei os meus débitos todos que já chegaram a R$ 1 milhão. Mas não vou largar do café, não. Vendi uns imóveis, tudo acima de R$ 200 mil, e vou me virando”, diz.

A cotação do produto inquieta o cafeicultor: na safra 2008/2009, a saca de 60 quilos alcançou R$ 180, em 2007/2008, R$ 210, e neste ano agrícola 2009/2010, apenas R$ 150, consequência da crise internacional entre 2008 e 2009. Duas vezes por ano, a Cacique Café Solúvel, de Londrina, envia representantes para adquirir parte da safra de Toninho.

Rondônia é o segundo produtor nacional de café conillon, acompanhando o bom desempenho da variedade no Espírito Santo e na Bahia. A safra 2007/2008 alcançou 800 mil sacas de 60 quilos e a atual, do biênio 2009/2010 deve se aproximar de 1,3 milhão de sacas, conforme previsão de Fernando Martins e Ronaldo Santana de Souza, dos Armazéns Gerais Zona da Mata.

A 12 quilômetros de Rolim de Moura, os cafezais de Alto Alegre dos Parecis situam-se a 400 metros de altura. Este ano, eles perderam folhas devido a fortes ventos. O produtor não se desanimou. Se caísse geada neste Estado, seria bem pior. “A vida da árvore é a folha”, diz.

Antônio Alves é conhecido por Toninho do Alho, tem cinco filhos e nove netos. Quatro filhos dividem as tarefas no plantio, tratos culturais e na colheita, supervisionando uma equipe de 25 pessoas. No pico da safra são 100 trabalhadores.

Nascido e criado em Primeiro de Maio, norte do Paraná, o conhecido “rei do café” – apelido dado por quem o admira no ramo – trabalhou na lavoura em Xambrê e veio para Rondônia em 1980. Antes do café, adquiriu alho para revender nas cidades, daí o apelido. O pai, Noel Alves de Oliveira, falecido aos 83 anos, ensinou-lhe a plantar, a exemplo de tantos outros migrantes tradicionalmente ligados à cafeicultura abalada no sul do País pelas geadas de 1975.

Das lavouras de Toninho, 25 alqueires com 180 mil pés no espaçamento 4,20m X 0,80m são irrigados em Alto Alegre dos Parecis. Possui outros 35 alqueires irrigados em Rolim de Moura.

Em fase de colheita, o café temporão com 19 meses é sua atual “menina dos olhos”. Ele leva o repórter ao carreador e às lavouras em Rolim de Moura, em torno das quais a cidade cresce. “Aqui já está virando uma vila, ali vai ser construído o asilo da cidade”, aponta. Uma escola do Ensino Fundamental também fica próxima ao cafezal mais novo.

O começo, no sertão

Era sertão no picadão do Km 5 da Linha 148 Sul, no Distrito de Novo Horizonte do Oeste, quando Toninho começou a plantar café na Zona da Mata. Ele conta como foi: ”Eu me hospedei na Pensão Souza, em Cacoal, e conheci o taxista Osvaldo, um mineiro que também plantava café (Sumatra) em Altônia (PR). Ele me incentivou bastante, e eu formei minhas primeiras lavouras”.

Naquele distrito, Toninho usou o espaçamento 4mXz 1m, 4,5m X 0,80m e 4,5m X 0,80m. A terra de massapé de pau-d’alho o animou. Rondônia teria que seguir o mesmo caminho de êxito do Paraná antes das geadas dizimarem os antigos cafezais.

De 1980 para cá ele viu transformações. Precisou reflorestar áreas degradadas e plantou oito mil pés de eucalipto e 60 mil abacaxis. Foi um dos primeiros a ingressar no Projeto D’Alincourt.

E segue fazendo tudo do jeito que aprendeu. Caprichando no cultivo com diferentes espaçamentos, devido à mecanização, ele foi e pelo jeito sempre será um produtor-referência em Rondônia, conforme atestam os irmãos empresários Daniel e José Constante Martins.

 

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