Produção

cafés especiais ganham a atenção da grande indústria

 

postado em 28/08/2010 | Há 7 anos

Revista Menu

Grãos
Xícaras DOC
Com o crescimento de consumo estimado em 25% ao ano, os cafés especiais ganham a atenção da grande indústria

Por Fábio Farah

Grãos de café: a Melitta aposta em produtos especiais


A busca por aromas e sabores diferenciados é uma tendência que atravessa o universo gourmet. Há alguns anos, os conceitos de denominação de origem, conhecidos pela sigla DOC, e de terroir deixaram de ser exclusividade dos produtores de vinho e passaram a estampar rótulos de outros produtos, como o café. No Brasil, algumas regiões – ou denominações de origem – destacam- se como centros de produção. Entre elas Mogiana, Sul de Minas e Cerrado mineiro. Embora o consumo dos cafés especiais não passe de 1% ao ano, empresas de grande porte investem cada vez mais no setor, de olho no crescimento anual de aproximadamente 25%.

A exemplo da Café do Ponto, que já descobriu e explora esse filão, a Melitta acaba de lançar a linha Regiões Brasileiras. “Percebemos a oportunidade de lançar cafés diferenciados, explorando as diferentes características em aroma e sabor obtidas em função dos diferentes terroirs de cada região produtora”, explica Isabel Tarsitano, diretora de marketing da empresa.

Segundo a barista e colunista de Menu Isabela Raposeiras, é importante a distinção de café regional e de terroir. “Em uma mesma região, existem terroirs distintos. No Cerrado, é possível ter cafés com aromas herbáceos, além de achocolatados e frutados”, explica Isabela. Dessa maneira, a linha Regiões Brasileiras entra na categoria “cafés de origem”. São cafés regionais que ressaltam algumas características. E elas os distinguem entre si. “Acho legal que uma multinacional faça isso. É uma iniciativa educativa para os consumidores, que podem se acostumar à terminologia, embora acredito que o produto esteja direcionado ao público que aprecia cafés gourmets”, diz a barista. Em um mercado consumidor de café que abarcava 97% da população, em 2008, segundo a sexta edição da pesquisa Tendências do Consumo de Café no Brasil, realizada pela InterScience, a empresa estipula metas mais ambiciosas que elevem para mais de 1% o consumo de cafés especiais. “É necessário um forte trabalho junto aos consumidores, conscientizando- os sobre as vantagens de provar cafés diferenciados”, afirma Isabel.


Provados pela equipe de Menu, o café do Sul de Minas sobressaiu, com aromas mais pronunciados no nariz e maior complexidade à boca, revelando toques tostados e certa acidez. O do Cerrado foi o que menos agradou, com sabor mais suave do que o esperado. A explicação para a qualidade pode estar no lote selecionado para representar a região. “Os cafés do sul de Minas tendem a ter aromas mais pronunciados e sabores mais democráticos, diferentemente de outras regiões, que podem apresentar características sensoriais menos familiares”, arrisca Isabela.

 

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