Produção

Cooperados da Unicoop entram no Mercado de Cafés Especiais

Com essa iniciativa Unicoop começa a mostrar para o mundo o Sul de Minas que tem cafés em potencial

 

postado em 24/08/2010 | Há 7 anos

Com essa iniciativa Unicoop começa a mostrar para o mundo o Sul de Minas que tem cafés em potencial
 A cafeicultura, em importantes áreas produtoras do Brasil, está associada às pequenas e médias propriedades rurais que, muitas vezes, encontram dificuldades na comercialização da produção, principalmente em meio à crise do setor cafeeiro. Neste contexto, surge a necessidade de formação de cooperativas com o propósito de proteger o pequeno produtor de eventuais variações de renda, promovendo agregação de valor ao produto e o acesso aos mercados consumidores.

Em função da nova dinâmica da cafeicultura mundial as cooperativas passam a desenvolver estratégias para o avanço nos segmentos posteriores à produção, o que permite aos pequenos produtores acessar os consumidores mais exigentes e o mercado externo. O mercado de cafés especiais está em crescimento em todo o mundo e se tornou uma estratégia para a União Cooperativa Agropecuária Sul de Minas (Unicoop), que passou a investir nesse nicho para amparar seus cooperados, que veem a possibilidade de comercializar a saca de café pelo preço de R$ 600,00.

O segmento de cafés especiais surgiu em meio à crise norte-americana, entre os anos de 1970 e 1980, com o objetivo de estimular a produção e o consumo de café, agregando valor ao grão. Apresenta um mercado em ascensão, que cresce em torno de 10% a 12% ao ano, podendo proporcionar até 35% a mais de valor que o café convencional. Com a crescente preocupação a respeito das questões ambientais, sociais e com a segurança alimentar, o consumo deste tipo de produto tende a aumentar, e, consequentemente, a oferta deverá seguir essa tendência. A produção de cafés especiais tem sido estimulada por diversas organizações do setor, que acreditam que o produto pode representar uma vantagem competitiva para os cafeicultores brasileiros.

Com essa iniciativa, a Unicoop, além de agregar valor ao produto e possibilitar maior retorno aos cooperados, começa a mostrar para o mundo o Sul de Minas, que tem cafés em potencial que nunca foram valorizados devido à falta de incentivos à política cafeeira. \"É nesse nicho mercadológico que estamos trabalhando, de levar esses produtos brasileiros para o mercado exterior. Estados Unidos e Japão são os principais mercados consumidores atualmente\", disse o engenheiro agrônomo Alysson Troost.

Alguns fatores que definem a bebida como especial envolvem tanto parâmetros tangíveis de qualidade da bebida, como a variedade, origem, aroma, fragrância, acidez, tratos culturais e beneficiamento, quanto intangíveis, como as condições em que os grãos foram produzidos ou até mesmo a preferência da pessoa que está, naquele momento, degustando o café. Podem também ser incluídos parâmetros de diferenciação que se relacionam à sustentabilidade econômica, ambiental e social da produção.

Além disso, a rastreabilidade e a incorporação de serviços também são fatores que agregam valor ao produto. A Unicoop, neste sentido, procura ajudar o produtor a aproveitar a rastreabilidade e o histórico do café, facilitando sua comercialização: \"O café veio do Brasil, Minas Gerais, Três Pontas, passou pela Unicoop e veio de tal propriedade\". Ao mesmo tempo em que o produtor recebe um histórico de quem comprou o seu café, para onde foi exportado e onde está sendo consumido, o comprador também saberá da origem do produto adquirido.

Esse segmento ainda representa um nicho de mercado a ser desenvolvido e que merece a atenção dos organismos do setor cafeeiro. Embora o cultivo de cafés especiais possa ser oneroso para o produtor, ele leva à racionalização da produção, promovendo maior equidade entre os elos da cadeia produtiva e melhorando o sistema gerencial da propriedade, além de o ambiente ao qual ela se insere. Alguns cooperados já estão sendo beneficiados com a ação do Departamento de Cafés Especiais da Unicoop. Produto que antes era comercializado diluído em meio ao café convencional hoje é selecionado e comercializado com o apoio da cooperativa, que adquire papel fundamental, visto que a maioria dos produtores não apresenta uma estrutura física ou econômica para assumir o lado comercial.

Renata Almeida Silva - Analista Bureau do Café

 

 

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