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Geada negra fez surgir um novo cenário agrícola no Norte do PR - Veja fotos do dia 17 de julho de 1975 quando da última nevasca em Curitiba(PR) Brasil

 

postado em 17/07/2010 | Há 7 anos

fotos do dia 17 de julho de 1975 quando da última nevasca em Curitiba(PR) Brasil

A madrugada do dia 18 de julho foi de perplexidade. Nas horas mais frias os termômetros despencaram e de repente nada mais restou

“Um verdadeiro cataclisma”. Assim noticiaram os jornais da época a respeito da geada negra que se abateu sobre o Norte do Paraná, dizimando cerca de 850 milhões de pés de café e mudando definitivamente as configurações econômicas de Londrina e região. 

Era dia 16 de julho de 1975. A geada chegou sinistra, disfarçada de chuva. No dia seguinte, em Curitiba, a neve caiu e o vento gelado cortou todo o Paraná. Sem aviso, a geada queimou o “ouro verde” do Norte do Estado, esteio da cafeicultura brasileira.

No final da tarde o céu azul ficou marcado por manchas vermelhas que anunciavam a tragédia que ninguém queria aceitar. A madrugada do dia 18, sexta-feira, foi de perplexidade. Nas horas mais frias os termômetros despencaram e de repente nada mais restou.

Diferente da geada normal, que em anos anteriores atingiu somente algumas áreas e permitiu que os pés de café rebrotassem, a geada negra foi destruidora e torrou o pé de café das folhas até a raiz, sem chance de recuperação.
O Norte do Estado amanheceu, literalmente, coberto por uma mancha negra, que rapidamente se decompôs sob os raios do sol. Tudo o que era verde morreu – não apenas o café, mas toda a vegetação que recobria a região.

No meio desse cenário, o então governador Jayme Canet Júnior desembarcou pesaroso no aeroporto de Londrina. Ele já havia sobrevoado – durante cinco horas – toda a região do Norte do Estado e se dirigiu à sede imponente do Instituto Brasileiro do Café (IBC) para trazer a confirmação daquilo que ninguém queria aceitar.

Londrina, que já ostentara com orgulho o título de “capital mundial do café”, depois da terrível geada era pura desolação.

No entanto, não demorou para a Cidade começar a se reorganizar dentro de uma nova realidade. Os agricultores substituíram o café pela soja e o trigo, preferindo as lavouras mecanizadas, e dispensaram toda a mão-de-obra necessária que antes cultivava o café.

Logo no segundo semestre de 1975, a Transparaná, uma das principais revendedoras de maquinário agrícola, bateu recorde nas vendas de tratores – não tinha nem como atender todos os pedidos.

Do dia para a noite, trabalhadores do campo ficaram sem trabalho.

Segundo especialistas, a geada de 1975 foi a responsável pela mecanização da agricultura no Paraná e também um dos motivos do rápido crescimento de Londrina, que se transformaria nas décadas seguintes num dos mais importantes municípios do Sul do Brasil.   

Fonte de pesquisa: Biblioteca Municipal de Londrina
 

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