Consumo

Pão é apenas um detalhe nas padarias

 

postado em 30/05/2010 | Há 7 anos

Marina Rigueira e Paula Takahashi  Estado de Minas

30/05/2010 - Depois de três reformas, padaria de Danilo Guerra tem até comida japonesa

Sair apenas com o pão quentinho na mão é cada vez mais raro entre os frequentadores de padarias. O negócio, que está ganhando cara de mercearia, lanchonete e até restaurante, incorpora, dia a dia produtos essenciais para o cliente. A mais recente tendência é o investimento em serviço de comida rápida, que, somado ao aumento do consumo de produtos de fabricação própria, rendeu para o setor, no ano passado, crescimento de 13,07% somente em Minas Gerais, acima da média nacional de 12,61%. O fluxo de clientes teve alta de 2,7% no estado, que concentra o maior número de padarias do país, 14,6 mil no total. Somente na Grande BH, a Associação Mineira de Indústria de Panificação (Amipão) calcula a existência de 2 mil estabelecimentos.

De olho no crescimento da demanda por produtos de consumo imediato, Welson Ladeira Senna, proprietário da Panecito, no Bairro Barroca, Região Oeste da capital, acaba de iniciar a oferta de mais um serviço, o almoço. “Começamos a servir no início deste mês como um teste e de repente me vi vendendo 100 pratos por dia. Não sabia que faria tanto sucesso”, conta, surpreso. O novo chamariz para a clientela veio a se somar à área de lanchonete, pizzaria, adega e congelados, que já havia incorporado na última ampliação, há 3 anos.

Com os bons resultados dos novos negócios, a área de 210 metros quadrados ficou pequena e Welson já planeja uma nova reforma para dar mais conforto aos clientes. “E ainda temos um projeto para transformar o almoço, que hoje é como prato feito, com preço fixo de R$ 6,50, em um bufê”, planeja. Os fundos da padaria também ganham cara e função nova. “Estamos criando o beco do frango. Uma área em que vamos vender frango assado, além dos acompanhamentos, como farofa e batata assada”, informa.

Os que imaginavam que os restaurantes no estilo gourmet seriam responsáveis pelo extermínio das panificadoras, se enganaram. “Houve um tempo em que chegamos a ficar preocupados com essa tendência, mas hoje são as grandes redes que ficam atentas a nós e estão nos imitando com essas áreas gourmets”, avalia Welson, que também é vice-presidente da Amipão. Quanto à concentração do setor na mão das grandes, Welson admite que é uma realidade. “Acredito que exista uma tendência de concentração do mercado no setor”, observa.

É por meio da compra de padarias menores que José Luiz de Oliveira, proprietário da rede de padarias e supermercados Roma, está expandindo os negócios. “Já cheguei a comprar uma padaria pequena e agora estou comprando outra para abrir mais uma unidade”, conta. Hoje ele garante que não cogita abrir nenhuma padaria sem levar serviços como pizzaria, restaurante e café da manhã nos fins de semana. “Só a padaria representa 30% dos negócios, mesmo percentual dos serviços de comida pronta. Os outros 40% vêm da área de conveniência, com a venda de bebidas, por exemplo.”

A Padaria Colombina, no Bairro Floresta, Região Leste de BH, também passou por uma reforma e diversificou seus serviços. Com investimento de R$ 500 mil, o proprietário, Danilo Procópio Guerra, implantou no novo espaço, comida japonesa, pizzaria, confeitaria, bufê de café da manhã, rotisseria – comercialização de comida pronta – e uma nova adega. Segundo Danilo Guerra, esta é a terceira reforma da padaria em 10 anos, e a principal razão da ampliação foi a necessidade de oferecer aos clientes uma maior variedade de produtos e serviços.

“Primeiro surgiu uma demanda por pizzas. Antes de ampliar o espaço da padaria, instalamos um forno pequeno e não foi suficiente. No novo espaço, temos um forno bem maior para produção de pizzas e ainda foi preciso contratar três pizzaiolos para dar conta do forte ritmo de atendimento”, explica. A adega da Padaria Colombina também cresceu e agora tem capacidade para 2 mil garrafas, 10 vezes mais que a primeira, e há uma variedade de 200 marcas de vinho.

O proprietário da Colombina percebeu ainda que o cliente preza por produtos de fabricação própria, feitos na hora, seja para levar para casa, seja para consumir no local. “Por isso a implantação da comida japonesa, além do café da manhã oferecido todos os dias da semana, e a rotisseria, nos fins de semana, com carnes, risotos e massas prontas.” Com o novo espaço, o faturamento da padaria cresceu 35% e as vendas dos novos produtos superaram a expectativa. “O novo espaço tem apenas dois meses e as vendas foram 50% maiores que o esperado.”

 

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