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CAFÉ: VIA FUNCAFÉ, GOVERNO VAI LIBERAR MAIS DE R$ 2 BI EM 2010

 

postado em 27/03/2010 | Há 8 anos

O governo vai liberar através do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) R$ 2,088 bilhões em 2010 para apoiar a cafeicultura. Os recursos devem começar a ser liberados em abril, com contratos já sendo encaminhados para os bancos que vão disponibilizar os recursos. O anúncio foi feito na quarta-feira pelo diretor do Departamento do Café (Decaf) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Lucas Tadeu Ferreira, no primeiro dia da Fenicafé, que se realiza de 24 a 26 de março em Araguari, no cerrado de Minas Gerais.

O objetivo do governo, como disse Lucas Ferreira à Agência SAFRAS em entrevista exclusiva em Araguari, é garantir um fluxo de oferta regular no mercado, garantindo sustentação dos preços. Observou que nos próximos meses, a tendência histórica é de que as cotações devam cair no mercado internacional e no Brasil, com a entrada da safra nacional (de ciclo alto produtivo), e o governo tenta com esses recursos capitalizar o produtor para segurar um pouco a oferta sem trazer tanta pressão de baixa sobre os preços.

O presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Francisco Sérgio de Assis, disse à Agência SAFRAS que o volume de recursos é muito satisfatório e deve dar fôlego mesmo ao produtor, ajudando a regular a oferta no mercado. \"Com a colheita, a tendência é dos preços caírem mesmo, mas vão cair menos com essas  medidas de financiamentos\", observou.

Serão R$ 522 milhões para a colheita; R$ 940 milhões para a estocagem; R$ 313 milhões para o custeio; e mais R$ 313 milhões do FAC (Financiamento para Aquisição do Café). Segundo Lucas Ferreira, os recursos para colheita e estocagem começam a ser liberados em abril e o custeio em setembro. O orçamento no ano passado previa para 2010 R$ 2,6 bilhões, mas as receitas efetivas (em caixa) realinharam os recursos para a faixa de quase R$ 2,1 bilhões para 2010.

Somando-se os R$ 522 milhões de recursos de colheita, R$ 940 milhões de estocagem e mais os R$ 313 milhões do FAC (já que o custeio é voltado para a safra futura de 2011), chega-se a R$ 1,775 milhão. Como o preço mínimo do café é R$ 261,00 a saca, esse montante seria empregado em um volume equivalente a 6,8 milhões de sacas (R$ 1,775 milhão divididos por R$ 261,00 a saca). Esta oferta poderá entrar de forma mais ordenada no mercado, já que estes recursos dão fôlego aos cafeicultores na comercialização.

Como comparação, os recursos para a colheita estão crescendo este ano 30,5%, ficando em R$ 522 milhões contra R$ 400 milhões em 2009. Para a estocagem, os financiamentos de R$ 940 milhões de 2010 são 104% maiores. Em 2009, o custeio envolvia R$ 200 milhões, crescendo para 2010 56% (R$ 313 milhões). Já os recursos para o FAC caíram de R$ 400 milhões em 2009 para R$ 313 milhões em 2010 (-21,7%).

Lucas Ferreira adiantou à Agência SAFRAS que grandes agentes financeiros (bancos) estão buscando credenciamento junto ao governo para trabalharem com esses recursos do Funcafé e emprestarem aos produtores, \"por acreditarem no futuro e rentabilidade da cafeicultura\".

O diretor do Decaf ressaltou ainda que foi anunciado na abertura da Fenicafé que foram aprovados recursos do Funcafé de R$ 6 milhões para pesquisas da Embrapa Café, através do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café. Já foram repassados R$ 2 milhões e até o final do ano o orçamento prevê que o total possa chegar a R$ 15 milhões.

Para Ferreira, o programa de contratos de opções de café do governo de 2009, que está agora em sua última etapa, com a entrega dos cafés, \"deu certo\" e contribuiu no suporte aos preços do café.. Embora as cotações do café no mercado físico não tenham atingido os preços de exercício (que iam de R$ 309,00 a R$ 314,40 a saca nos leilões que tinham vencimentos de novembro de 2009 a março de 2010 em quatro etapas), Lucas Ferreira destaca que desde que surgiram as opções os preços subiram pelo menos de cerca de R$ 245,00 a saca para atuais R$ 285,00 a saca no cerrado mineiro, e as opções contribuíram para isso.

Lucas Ferreira acredita que aproximadamente 2 milhões de sacas serão entregues no total ao governo deste programa de opções, de um total de 3 milhões  de sacas que os leilões envolviam.

 

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