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FENICAFÉ: PALESTRA DE DIRETOR DA ABIC DESTACA IMPORTÂNCIA DO CONILLON

 

postado em 26/03/2010 | Há 8 anos

Lessandro Carvalho - Safras

SAFRAS (26) – O diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), Nathan Herszkowicz, fez palestra nesta sexta-feira durante a Fenicafé, que se realiza de 24 a 26 de março em Araguari/Minas Gerais, com o tema \"O mercado de café frente ao crescimento da produção de conillon\". Apesar da \"polêmica\" em relação ao incremento da produção de conillon no Brasil e no mundo e seu efeito sobre o preço do café por ser um grão de qualidade \"inferior\", Herszkowicz ressaltou a importância do conillon no mercado. \"O importante é conseguir valor pelo café, seja ele arábica ou conillon. Este é o grande desafio e a preocupação. Há mercado para isso\", afirmou na palestra Nathan Herszkowicz. Herszkowicz lembrou que a produção mundial de café cresceu em torno de 20 milhões de sacas nos últimos 10 anos. Enquanto isso, o consumo mundial subiu mais que isso, 25 milhões de sacas, passando de 104,7 milhões de sacas em 2000 para 130 milhões de sacas em 2008, ou seja, em oito anos. \"E nos próximos dez anos o consumo deve crescer mais 25 a 30 milhões de sacas\", observou. O Brasil tem que garantir o abastecimento do café para suprir essa demanda e o conillon também será importante para isso, não apenas o arábica, indicou.

O conillon representa hoje no mundo praticamente 40% da produção mundial, vindo num crescente, especialmente com o aumento da safra vietnamita, que superou a Colômbia como segundo maior produtor mundial, entre outros países, como os asiáticos. No Brasil, a produção do conillon representa em torno de 35% da safra nacional m média. \"O conillon viabilizou o suprimento para o crescimento da demanda interna\", lembrou Herszkowicz. Dentro do Programa de Qualidade do Café (PQC), os blends para receberem o Selo de Qualidade Tradicional tem de ter no máximo 20% de grãos conillon; o Superior apenas 10%; e os Cafés Gourmets só podem ter café arábica. Em média, a indústria do torrado e moído trabalha com 35% de cafés conillon em seus blends, o que é exatamente o percentual do que o Brasil produz de conillon em relação ao total.

Ainda falando sobre a importância do café conillon, Herszkowicz colocou que é esse café que abastece a indústria do solúvel. E o próximo passo é se investir mais na qualidade também dos grãos conillon, o que já vem sendo feito. \"Melhor qualidade gera maior valor agregado e mais renda ao produtor\", disse Nathan. Ele exemplificou que s indústrias aprenderam a utilizar o conillon em seus blends muitas vezes para minimizar o efeito dos arábicas de uma qualidade mais fraca, com muitos grãos verdes.

 Para o diretor executivo da ABIC, o conillon tem um enorme potencial para a exportação, e o Brasil quase não exporta este tipo de café.

Nathan Herszkowicz encerrou sua palestra trazendo uma mensagem do presidente da ABIC, Almir José da Silva Filho, que justamente lembra que o importante não é se o café é conillon ou arábica, mas sim buscar o incremento na demanda através da qualidade. \"O que realmente importa é estimular o consumo de todas as formas de café com qualidade crescente, maior valor agregado e rentabilidade em todo agronegócio\". (Por Lessandro Carvalho, de Araguari/MG)

 

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